O atual escândalo político que engole a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-Hye , jogou os holofotes em suas conexões religiosas com seitas e rituais xamanistas.

Apesar da presidente negar todas as acusações, estas ressoaram pelo país, que tem um histórico de organizações religiosas e líderes carismáticos, alguns dos quais acumulam enormes fortunas e influência.

Abaixo seguem cinco perguntas sobre as práticas religiosas na Coreia do Sul, a influência do xamanismo e o porque do país se mostrar um solo tão fértil para seitas.

Myung Moon Sun (Segundo À Direita), Fundador Da Igreja Da Unificação, E Sua Esposa (Segunda À Esquerda) Abençoam Noivas E Noivos Na Cerimônia De Casamento Em Massa No Estádio Olimpíco Chamsil Em Seul, No Dia 13 De Fevereiro De 2000. A Igreja Da Unificação, Também Conhecida Como Moonie, Está Entre As Seitas Que Existem Na Coreia Do Sul. Foto: Afp.
Myung moon sun (segundo à direita), fundador da igreja da unificação, e sua esposa (segunda à esquerda) abençoam noivas e noivos na cerimônia de casamento em massa no estádio olimpíco chamsil em seul, no dia 13 de fevereiro de 2000. A igreja da unificação, também conhecida como moonie, está entre as seitas que existem na coreia do sul. Foto: afp.

Por que os cultos se tornaram notícias?

A senhora Choi Soon-Sil, a mulher no centro do escândalo político devido a sua amizade com a presidente Park Geun-Hye , é filha do falecido líder religioso Choi Tae-Min.

No início dos anos 1970, Choi Tae-Min  estabeleceu sua própria igreja, a Yeongsegyo, ou “Vida Espiritual“, combinando princípios do budismo, cristianismo e xamanismo.

Ele se tornou mentor da jovem Park Geun-Hye  e alguns veículos de informação sugerem que a sua filha e a futura presidente se tornaram seguidoras e passaram a conduzir alguns rituais xamanistas juntas, após a morte de Tae-Min, em 1994.

A presidente Park Geun-Hye  negou todas as notícias a este respeito em comunicado à nação no dia 4 de novembro.

O quão religiosos são os coreanos?

Na última pesquisa nacional que incluía afiliação religiosa, conduzido em 2005, quase 30% dos sul coreanos se identificavam como cristãos, comparado aos 23% que citaram o budismo, que já foi uma das religiões mais dominantes.

O cristianismo coreano é particularmente forte e evangelical, enviando mais missionários ao estrangeiro do que qualquer outro país, além dos Estados Unidos.

Igrejas, grandes ou pequenas, proliferaram ao redor de cidades como Seul e algumas são extremamente ricas com enormes congregações, cujos membros transferem até 10 por cento de seus salários todo mês para a instituição.

Outra prática espiritual tradicional, o xamanismo, existe há séculos e é muito enraizada na cultura coreana, oferecendo suporte para as religiões organizadas.

Muitos coreanos, jovens ou idosos, ainda procuram conselhos de xamãs sobre assuntos que variam de educação à casamento e perspectivas de negócios.

E sobre as seitas?

Não existe informação confiável sobre quantas seitas existem na Coreia do Sul, mas existem um grande número de igrejas e grupos marginais – estimados de dúzias à algumas centenas – que já expressaram descontentamento com a nomenclatura.

Alguns foram associados com fraudes, lavagens cerebrais, coerção e outras práticas ligadas à outras seitas ao redor do mundo. Os mais sinistros foram associados a atos criminosos tão sérios quanto estupro sistemático.

Muitos grupos messiânicos, têem líderes carismáticos que se autoproclamam Deus, ou com pensamentos extremamente centrados na Coreia, optam por uma forma de nacionalismo espiritual no qual coreanos são o povo escolhido de Deus.

De acordo com o senhor Park Hyung-Tack, presidente do Korea Christian Heresy Research Institute, existem atualmente cerca de 50 líderes religiosos no país que se proclamam “ou como Jesus, em sua segunda reencarnação ou o próprio Deus”.

Algum exemplo?

Muitos. Um dos maiores e mais conhecidos é o Providência ou Jesus Morning Star (JMS) – fundada em 1980 pelo senhor Jung Myung-Seok  como uma ramificação da Igreja da Unificação ou “Moonie”.

Em 2009, Myung-Seok – que se referia a si mesmo como a árvore da vida – foi sentenciado a 10 anos de prisão pelo estupro e assédio sexual à quatro seguidoras.

Outro grupo, GuwonpaSalvation Sect“, chamou a atenção do país em 2014 quando seu líder,Yoo Hyung-Eun  se tornou alvo de uma perseguição nacional.

Yoo Hyung-Eun  e sua família eram donos da companhia que operava a Balsa Sewol que afundou em abril de 2014, causando a perda de mais de 300 vidas – em sua maioria, crianças.

Na fuga das acusações de corrupção e negligência, o corpo de Yoo Hyung-Eun  foi encontrado em um campo – tão decomposto, que a autopsia falhou em determinar a causa da morte.

Em 1987, 32 seguidores do culto apocalíptico chamado Odaeyang foram encontrados mortos em sua central em um aparente cenário de pacto de suicídio conjunto. Entre eles estava o líder do culto, Park Soon-Ja, que estava sendo investigado por enriquecimento ilícito.

E por que na Coreia do Sul?

Existem inúmeras teorias, mas muitos especialistas sugerem que seitas – e religiões em geral – cresceram durante períodos traumáticos na história moderna da Coreia – entre 1910 e 1945 houve o período colonial japonês, entre 1950 e 1953 ocorreu a Guerra das Coreias e após isso, décadas de período militar se seguiram.

Grupos religiosos com ideologias fortes e restritivas ofereceram conforto e a salvação e isso foi um forte apelo para as pessoas lutando contra a crise de identidade nacional durante os períodos de grande incerteza.

As versões mais modernas proclamam conhecimento único do caminho para prosperidade material e espiritual – uma mensagem que ressoa em uma sociedade muito competitiva e focada no status.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

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