Quando Ulsan, Cidade industrial do sul da Coreia, anunciou o plano de importar dois golfinhos do Japão para o aquário municipal, um grupo ambientalista local protestou fortemente contra a decisão, alegando que é crueldade trancafiar animais para fins de exibição.

Mesmo assim, a prefeitura continuou com o plano com um orçamento estimado em 200 milhões de won (R$ 60 Milhões). Apesar da cidade estar confiante de que os golfinhos estavam se ajustando bem ao novo ambiente, um deles morreu no início do mês passado, apenas cinco dias depois de chegarem ao país.
O golfinho fêmea, com idade entre quatro e cinco anos, chegou em 8 de fevereiro, viajando 32 horas, 700 quilômetros por mar e 300 quilômetros por terra.

Ela recusou comida na tarde de 13 de fevereiro e morreu naquela noite depois de sofrer de problemas respiratórios. Um grupo de veterinários da Universidade Nacional de Kyungpook disse que a morte foi causada por hemorragia interna dos pulmões e dos brônquios por infecção. A forma como o golfinho foi infectado, no entanto, permanece desconhecida, acrescentou a equipe.

Os ativistas fizeram um protesto contra o comércio dos golfinhos nesta foto tirada no dia 20 de fevereiro de 2017, no mar perto da cidade portuária do sul de Ulsan. Foto: Yonhap
Os ativistas fizeram um protesto contra o comércio dos golfinhos nesta foto tirada no dia 20 de fevereiro de 2017, no mar perto da cidade portuária do sul de Ulsan. Foto: Yonhap

Até agora, seis golfinhos morreram no Whale Life Experience Museum de Ulsan, aquário que abriu em 2009 no distrito de Jangsaengpo. Apesar desta série de mortes no aquário, Ulsan não pôde de parar de comprar golfinhos, já que a indústria de turismo da cidade depende fortemente das exposições de cetáceos, que historicamente data do final do século XIX.

Antes da Coreia do Sul proibir oficialmente a caça às baleias em 1986, cerca de 900 baleias foram caçadas em águas próximas a Ulsan todos os anos. Depois da crescente conscientização da crueldade causada aos animais, proibiu-se a pesca de baleias, assim a cidade procurou preservar sua “tradição”proclamando Jangsaengpo como uma “Zona Especial de Cultura da Baleia”, construindo aquários.

A polêmica sobre a utilização de baleias e golfinhos para o turismo tem continuado ao longo dos últimos anos, com a última morte provocando uma nova onda de debate. “A morte do golfinho mostra como ignoramos o valor ambiental dos golfinhos, bem como o bem-estar dos animais“, disse um grupo de ativistas locais em um comunicado conjunto. “A fim de cortar custos, transferimos os golfinhos pelo mar em vez de ar. O caminhão, que viajou entre 80 e 90 Km/h, resultou em uma morte“, disse o comunicado.

Dois golfinhos comprados pelo Whale Life Experience Museum, localizado na cidade portuária do sul de Ulsan, nadam no aquário nesta foto tirada em 9 de fevereiro de 2017. Um deles morreu no dia 13 de fevereiro. Foto: Yonhap
Dois golfinhos comprados pelo Whale Life Experience Museum, localizado na cidade portuária do sul de Ulsan, nadam no aquário nesta foto tirada em 9 de fevereiro de 2017. Um deles morreu no dia 13 de fevereiro. Foto: Yonhap

O Green Party Korea (Partido Verde da Coreia) também disse que o aquário usou um caminhão normal que não tem como bloquear o ruído, o que poderia ter lhes causado estresse. “Só para reduzir os custos de transporte, os golfinhos tiveram que sofrer estresse com o ruído durante toda viagem“, disse Lee Sang-hee, um dos ambientalistas, alegando que a cidade violou a lei.

A lei dos direitos dos animais da Coreia do Sul diz que os animais devem ser protegidos contra mudanças drásticas no ambiente. Lee disse que as baleias são brutalmente caçadas pela cidade japonesa de Taiji, da qual Ulsan comprou os dois golfinhos.

Os ativistas dizem que mesmo que sejam capturados de maneira civilizada, é impossível acomodar os golfinhos nos aquários pacificamente, já que o ato de os trancar pode ser considerado abusivo. “O fato de que as baleias estão morrendo lá prova isso“, disse Lee.

Especialistas dizem que os golfinhos possuem uma inteligência superior à de outros animais e devem permanecer em grupos, alegando que há limites para que os aquários lhes proporcionem um ambiente semelhante à natureza.

Enquanto os golfinhos normalmente vivem 30-50 anos em seu habitat natural, as estatísticas mostram que só vivem cerca de 20 anos em cativeiro. Até agora, seis golfinhos nasceram em aquários sul-coreanos, mas apenas um deles conseguiu viver mais de um ano.

Em conformidade, os manifestantes disseram que Ulsan deveria ser responsabilizado pela morte do golfinho, alegando que o acidente deve se tornar uma oportunidade para mudar a política do país a respeito do comércio de cetáceos. “A ideia de turismo de Ulsan, que envolve prender animais para exibição, entra em conflito com a tendência global“, disse Choi Ye-yong, um funcionário da Federação Coreana de Movimentos Ambientais.

A equipe do aquário ajuda no transporte de um dos dois golfinhos comprados pelo Whale Life Experience Museum em 9 de fevereiro de 2017. Foto: Yonhap
A equipe do aquário ajuda no transporte de um dos dois golfinhos comprados pelo Whale Life Experience Museum em 9 de fevereiro de 2017. Foto: Yonhap

Devemos preservar o habitat e fazer com que os turistas observem baleias na natureza, como em outros países“, disse Choi. “Deve haver educação sobre o porquê devemos salvar seus habitats, por que devemos proibir a caça às baleias, e como preservar o ambiente oceânico

Lee do Partido Verde da Coreia deu sua opinião, alegando que exibições de baleias em aquários não devem ser consideradas uma tradição. “Mesmo quando a Coreia costumava caçar baleias, não havia shows de golfinhos para entretenimento“, disse Lee. “Ulsan diz que o aquário é nomeado o museu da experiência de vida da baleia, mas nós não podemos experimentar qualquer coisa os mantendo presos”. Lee disse que uma educação verdadeira só pode ser fornecida preservando o ambiente marinho e fazendo as pessoas entenderem a importância da natureza.

Há muitas maneiras de Ulsan manter seu turismo baseado em baleias, o método atual não é sustentável“, acrescentou. Em resposta às críticas, o deputado Lee Jeong-mi, do Partido da Justiça da Coreia do Sul, propôs um projeto de lei na Assembleia Nacional para impor o banimento completo da exibição de cetáceos para fins de entretenimento e educação.

Os golfinhos nadam dezenas de quilômetros no mar, prendê-los em um tanque de 20-30 metros sob o nome de educação é como prender pessoas na solitária para o entretenimento“, disse o legislador. O projeto de revisão da lei proposto por Lee só permitiria à Coreia do Sul importar cetáceos para fins de pesquisa e proibiria sua utilização para educação ou entretenimento sob quaisquer circunstâncias.

Precisamos induzir aqueles que trabalham em qualquer indústria relacionada aos cetáceos a mudarem seus negócios“, disse outro ativista. “Não podemos manter, em nome da tradição, uma prática que ameaça a existência dos animais“.

Os moradores de Jangsaengpo, por outro lado, afirmam que as baleias e a região são “inseparáveis” e disse que a questão deve ser abordada cuidadosamente. “Não podemos pensar em Jangsaengpo sem baleias“, Lee Chun-sil, que chefia a base de Ulsan da Whale Cultural Foundation. “Podemos melhorar o ambiente no aquário com veterinários para monitorar a saúde dos golfinhos com mais cuidado“. Os defensores disseram que Jangsaengpo era o lar de 10.000 pessoas quando a indústria baleeira prosperou, hoje o número caiu para 1.300. Os residentes atualmente dependem fortemente dos visitantes, acrescentaram. “Devemos melhorar o ambiente dos aquários e evitar futuras mortes, mas não podemos prejudicar o turismo por causa de um incidente“, disse o chefe da fundação.

Cerca de 40 golfinhos estão em cativeiro em oito aquários em todo o país. Um aquário localizado em outra cidade portuária do Sudeste de Geoje informou que seis dos 20 golfinhos comprados, morreram desde a sua abertura em 2014.

O Whale Life Experience Museum de Ulsan e o governo de Ulsan se recusaram a responder perguntas sobre o caso.


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