O mundo de hoje adora um herói. Afinal seres humanos que saem do comum, os excepcionais, garantem altos lucros aos seus patrocinadores e alimentam o orgulho das nações que representam. O mundo dos esportes, assim como do entretenimento, tornou-se mais um campo de alta competitividade entre países e entre as grandes empresas do ramo. Sabe-se que muitos resultados de toda esta pressão são inúmeras vezes depressão, suicídio, e, especificamente com relação aos atletas, uso de substâncias químicas para impulsionar suas performances. Aos poucos, nós, a plateia, os fãs, vamos esquecendo que talentosos esportistas são, acima de tudo, pessoas como qualquer outras. Com hábitos comuns como os nossos.

Contudo, existem jovens esportistas que, apesar de toda a pressão, conseguem manter a vida privada e suas personalidades intactas, sem escândalos, afinal nada melhor do que a vida cotidiana para dar o equilíbrio e a estabilidade emocional tão importante a todos nós. A jovem Chloe Kim, nascida em 23 de abril de 2000, é uma snowboarder americana. Nas Olimpíadas de Inverno de 2018, em Pyeong Chang, Coreia do Sul, tornou-se a mulher mais jovem a ganhar uma medalha de ouro olímpica, no halfpipe de snowboard feminino, aos 17 anos de idade.

Chloe nasceu em Long Beach, Califórnia, e cresceu nas proximidades de Torrance. Seus pais são originários da Coreia do Sul. O pai a incentivou a praticar o esporte pela primeira vez aos 4 anos num resort de Mountain High, no sul da Califórnia. Logo ela começou a competir (aos 6) como membro do Mountain High Team. Ela então passou a treinar em Valais, na Suíça, dos 8 aos 10 anos. Ao retornar aos EUA, juntou-se à equipe americana de Snowboarding em 2013.

Mesmo sendo muito jovem para competir nas Olimpíadas de Inverno de Sochi de 2014, na Rússia, Chloe ganhou prata na competição sobre o superpipe (uma estrutura maior que o halfpipe, utilizada em esportes radicais. A halfpipe é parecida com a “rampa” de formato meia lua do skate) nos Winter X Games de 2014, vindo atrás de Kelly Clark. Em 2015, Chloe ganhou o ouro, na mesma competição, batendo sua rival. Com essa vitória, aos 14 anos, ela tornou-se a mais jovem medalhista de ouro até perder esta posição para Kelly Sildaru, que ganhou ouro em 2016, aos 13 anos. Nos X Games de 2016, ela se tornou a primeira pessoa com menos de 16 anos a ganhar duas medalhas de ouro consecutivas. No Grande Prêmio de Snowboarding dos Estados Unidos, ela se tornou a primeira mulher a realizar vários back-to-back 1080, uma manobra do esporte, em que o atleta realiza vários giros no ar antes de atingir o solo novamente. Ela marcou 100 pontos perfeitos, e acredita-se que seja a segunda a conseguir realizar este elemento, depois de Shaun White.

Em 2016, ela se tornou a primeira mulher americana a ganhar uma medalha de ouro em snowboard nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude, conquistando também o maior placar da modalidade esportiva, na história desta competição. Ela foi selecionada como porta-bandeira dos EUA para a cerimônia de abertura dos Jogos, tornando-se a primeira snowboardista a assumir esta posição. Chloe Kim recebeu uma indicação para o prêmio ESPYS de 2016 na categoria de melhor atleta inovador. Esta é uma premiação anual criada pela ESPN, que premia, desde 1993, a excelência no esporte, em um total de 38 categorias, individuais e coletivas.

2018 Winter Olympic Games -- Pictured: Chloe Kim -- (Photo By: Justin Lubin/Nbc)
Chloe kim. Foto: justin lubin/nbc

Ainda que tenha todas as características de garota prodígio, Chloe permanece imutável em seu jeito moleca “tranquilona”. Algo que podemos encontrar em muitos amigos, ou pessoas próximas do nosso dia-a-dia. Segundo a jornalista Emma Webster, da TeenVogue, mesmo tendo literalmente “arrasado” nos Jogos Olímpicos da Coreia, país no qual ainda mantém muitos parentes, Chloe não deixou de postar seus tweets hilários, típicos de uma menina de 17 anos, que comentavam sobre comida, sobre ela ter retido suas lágrimas no pódio para preservar seu delineador de olhos e sobre sua confissão de ter ouvido Lady Gaga e Cardi B, enquanto dominava o halfpipe nos jogos. Conforme a repórter, em uma entrevista com Amy Robach da Good Morning America, Chloe disse que seus grandes planos futuros, após a competição, incluem o baile de formatura, passear com seu cachorro e relaxar. Em suas próprias palavras ela salientou: “Provavelmente vou estar hibernando por muitos dias no meu quarto dormindo. Vou acordar só para comer. Parece uma boa ideia”.

Nestes Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul, a revista The New Yorker destacou que muitas atletas como Chloe Kim estão desconstruindo estereótipos das mulheres asiáticas que vão da figura de dona de casa recatada à amante draconiana. Certamente, Chloe, que fala coreano, inglês e francês, além de estar superando o preconceito, inovando no esporte, também consegue algo raro neste meio, nestes tempos de celebridades, permanecer como uma jovem adolescente, muito próxima aos pais, com uma vida cotidiana normal e que tem a vida inteira pela frente.


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