Foto: commons wikipedia.

A maioria dos combatentes da independência que os coreanos se lembram hoje em dia são homens. No entanto, muitas mulheres que fizeram parte dessa luta foram esquecidas com o tempo.

Como dia 15 de Agosto marcou o 73º aniversário do Dia da Libertação da Coreia, alguns estudantes e ativistas lançaram uma campanha para homenagear estass heroínas esquecidas.

Estudantes da Universidade Feminina de Seul lançaram um projeto de financiamento social para uma propaganda destacando as contribuições que as mulheres fizeram ao movimento de independência.

Eles iniciaram o projeto depois de perceberem que havia falta de reconhecimento de mulheres ativistas. A declaração introdutória oficial do grupo no site do financiamento social “Tumblug” diz que: “Se lhe for pedido para nomear uma mulher que participou no movimento, Ryu Gwan-sun é a única que vem à mente… o número de mulheres mencionadas nos livros de história coreana são muito baixos.”

Foi com essa preocupação que eles começaram a campanha para aumentar a conscientização e honrar as mulheres.

Ativistas estudantis caminham na Praça Gwanghwamun, em Seul, segurando os retratos de 293 lutadoras da independência feminina para aumentar a conscientização pública sobre essas heroínas esquecidos, em 14 de agosto de 2017. Imagem: Korea Times.

Sua captação de recursos foi eficaz. Centenas de pessoas doaram 7,3 milhões de won, quase 15 vezes a mais do que a meta original da campanha, que era de 500 mil won.

Os organizadores da campanha escolheram a estação de metrô de Gangnam como a localização do anúncio por dois motivos importantes. Primeiro, o local fornece ampla exposição pública; segundo, por ser um local com uma super abundância de anúncios relacionados à cirurgia plástica e beleza, outro problema percebido pelas mulheres na sociedade atual. Ao colocar o anúncio em Gangnam, as mulheres seriam representadas como criadoras de história.

A Woori Ilssang, empresa de conteúdo especializada em história, participou da criação de distintivos em homenagem a Kwon Ki-ok, Jung Jung-hwa, Nam Ja-hyun e Ji Bok-young, quatro mulheres ativistas da independência.

As mulheres, durante a ocupação japonesa, foram apenas vistas como esposas que apoiavam seus maridos, que participavam ativamente do movimento“, disse uma autoridade da empresa. “No entanto, mulheres e homens não foram segregados em seus papéis e devemos ter em mente que havia muitas mulheres além de Ryu Gwan-sun que eram ativistas.

Ao contrário dos ativistas do sexo masculino, muitas combatentes da independência foram esquecidas por várias razões. “Não há dados precisos sobre quantas mulheres estiveram envolvidas no movimento de independência da Coreia“, disse Ban Byung-Yool, professor de história coreana na Universidade de Estudos Estrangeiros da Coreia.

Acredito que havia muito mais mulheres que lutaram pela independência do que sabemos hoje em dia. Por causa de seus deveres em casa, muitas delas desempenharam um papel de apoio. Mas houve algumas que tomaram iniciativa. Uma delas é Alexandra Petrovna Kim, que estava no Extremo Oriente da Rússia, e esforçou-se para unir-se às combatentes da independência na Coreia.”

Infelizmente, Ban Byung-Yool disse que muitas ativistas que lutaram pela independência da Coreia foram esquecidas, em parte porque a Coreia há muito tempo é dominada por homens e o papel das mulheres não era apreciado como deveria.

Houve poucos estudos que focassem nas combatentes da independência, também por causa da falta de historiadoras no meio“, disse ele.

As combatentes da independência ganharam atenção nos últimos anos, à medida que os coreanos passaram a ter interesse pelas minorias e por seu papel na história.


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