"Moonlit Night" de Kim Hwan-gi.

Os anos 30 e 40 foram a era de ouro da literatura e arte coreana. Os dois gêneros se desenvolveram juntos, mesmo com os artistas e escritores enfrentando os desafios impostos durante o duro domínio colonial japonês (1910-1945), que tentou suprimir a cultura coreana.

Durante os anos sombrios, houve interação entre pintores, romancistas e poetas, os quais inspiraram uns aos outros. Na época, alguns se reuniam em uma cafeteria chamada Jebi, localizada em Gyeongseong, atual Seul, além de ter sido administrada por Yi Sang, um escritor que era o perfil da arte moderna coreana. Entre os frequentadores regulares da cafeteria Jebi estavam o amado pintor de Yi, Gu Bon-ung e o romancista Park Tae-won.

A exposição “Encounters Between Korean Art and Literature in the Modern Age” exibida no Museu Nacional de Arte Contemporânea e Moderna (MMCA) em Deoksugung, mostra como a cultura moderna coreana se desenvolveu na era colonial japonesa. A exposição foca em pintores modernos, poetas e romancistas.

Com a influência de novas ideias, filosofias, conhecimento e cultura ocidental fascinou os jovens coreanos, que ficaram frustrados e desafiados pelo domínio colonial japonês. Foi uma época em que a tradição e os valores modernos se colidiram.

Para os artistas da época, o elo criado entre eles pode ter os ajudado a manter a inspiração artística em tempos tão complicados como os que passaram. Seria errado questionar como eles foram capazes de se aprofundarem em inspirações artísticas em tempos difíceis. Pelo contrário, seria apropriado dizer que eles se fortaleceram graças a arte e a literatura,” disse Kim In-hye, curadora do MMCA.

Como Os Artistas Coreanos Inspiram Uns Aos Outros
“family of poet ku sang” de lee jung-seop. Fonte: the korea herald

Family of Poet Ku Sant” é uma pintura do artista moderno Lee Jun-seop, a obra está em exibição na exposição e é uma representação de Ku e seu filho, este está andando na bicicleta que recebeu de presente do pai. A pessoa no lado direito da pintura é Lee, ele está sentado sozinho observando a família, como se estivesse olhando para a sua própria família. Lee e Ku são amigos de longa data, o artista terminou a pintura enquanto estava hospedado na casa de Ku, depois de ter perdido as esperanças de reencontrar sua família que estava no Japão, devido a questões financeiras.

A exposição estará no MMCA Deoksungung até dia 30 de maio, ela conta com mais de 140 obras e 300 documentos. Uma sala da exposição é dedicada a mídia impressa de 1920 à 1940, décadas nas quais as revistas e jornais foram meios vitais para a união de artistas e escritores. A exposição conta ainda com uma ilustração do pintor Jung Hyun-woong acompanhada de um poema de Baek Seok, chamado de “Natasha, the White Donkey and Me”.

Como Os Artistas Coreanos Inspiram Uns Aos Outros
Instalação de artes visuais em mídia impressa dos anos 1920 até 1940. Fonte: the korea herald

Laços artísticos

O poder essencial da nossa cultura advém de romper com os momentos sombrios. A cultura no passado traz uma mensagem ao setor cultural atual que está passando por momentos difíceis nesta pandemia,” falou Cho Young-bok, que ensina sobre indústrias culturais do nordeste asiático na Universidade de Kwangwoon.

As tentativas de criar laços entre diferentes empreendimentos artísticos continuam até os dias atuais. Um exemplo recente foi a Bienal de Busan de 2020, uma grande bienal internacional de arte que aconteceu na Coreia do Sul e explorou o tema sobre como a literatura e a arte poderiam colaborar em prol de encorajar a criatividade. Os artistas criaram trabalhos artísticos inspirados na literatura e na cidade de Busan.

Como Os Artistas Coreanos Inspiram Uns Aos Outros
Foto da instalação de “women of resistance, becoming historic – portraits of 14 female independence activists who quaked history”. Fonte: the korea herald

Uma exposição no Hakgojae Gallery em Seul, teve seu início no dia 17 deste mês, chamada de “Women of Resistance, Becoming Historic – Portraits of 14 Female Independence Activists Who Quaked History,” a exposição exibirá quadros de ativistas femininas da independência que viveram durante a era colonial japonesa, durante muitos anos elas foram excluídas por historiadores pelo fato de serem mulheres. A exposição é uma colaboração entre a pintora Yun Suk-nam e a romancista Kim E-kyung.

Kim e eu nos conhecemos há muitos anos, eu me ofereci para trabalhar com ela porque existem poucas informações sobre as ativistas femininas que lutaram contra o imperialismo japonês se comparado com os ativistas masculinos,” disse Yun ao The Korea Herald. “Eu precisava de sua inspiração e imaginação como romancista pois a exposição é sobre histórias.”

As duas artistas juntas reuniram documentos e frequentemente visitavam os estúdios uma da outra, se inspirando. Coincidindo com a exposição, o romance de Kim sobre as ativistas femininas da independência coreana será publicado pela Hanibook, de acordo com a galeria.

Fiz pesquisas e criei histórias como romancista e nos inspiramos por meio de conversas. Fizemos nossos trabalhos individuais primeiro, depois verificamos os trabalhos uma da outra. Tive que adicionar mais histórias depois de ver as pinturas de Yun”, disse Kim. “Foi uma experiência muito interessante, e eu não teria tentado isso como artista se não fosse pela proposta de Yun.”


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