Olááá! Como estão todos? Espero que bem!

Lembram que eu havia comentado que iria falar sobre temas diversos nessa coluna, não apenas sobre minha experiência na Coreia? Pois bem. Hoje vou falar um pouco sobre a autora Jenny Han – especificamente, sobre sua trilogia mais recente, que tem como primeiro volume o livro Para todos os garotos que já amei (To all the boys I’ve loved before), lançado no Brasil em 2015 pela editora Intrínseca. Para começar, vamos à sinopse:

Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.

Ok. Agora dê uma olhada na imagem destacada deste post: é a capa do livro. Notou alguma coisa? Como é a modelo? A modelo foi o que me chamou a atenção para o livro enquanto zanzava pela livraria – não o título, nem mesmo o nome da autora, mas a modelo. Foi a primeira vez que vi uma modelo asiática na capa de um livro destinado à jovens adultos.

A mãe de Lara Jean, a protagonista, veio de uma família coreana. Infelizmente, ela morreu quando Lara Jean era mais nova, então ela e as irmãs acabam não tendo tanto contato com o lado coreano da família – mas me encantou como ele se fez presente durante o livro. Vira e mexe Lara Jean está usando algum cosmético coreano, ou então comendo alguma coisa comprada em um mercadinho coreano. Também é ótimo como seu pai, mesmo sem descendência coreana, costuma pedir receitas para a avó materna das meninas e tenta preparar algum prato típico em casa, como bossam (nem sempre alcançando o resultado desejado), em um esforço de manter as filhas em contato com o outro lado da família. Além disso, Margot (a mais velha), Lara Jean e Kitty (a mais nova) se autodenominam “irmãs Song”, usando o sobrenome da mãe.

Tá, mas e daí, Laura? E daí que por causa disso a autora consegue falar sobre pertencer a uma minoria étnica sem deixar que isso seja o que defina a personagem – ou seja, Lara Jean é uma adolescente com a qual qualquer uma pode se identificar, ela não é o estereótipo de adolescente asiático que só tem permissão para estudar e não pode sair para se divertir com os amigos (como a Lane das primeiras temporadas de Gilmore Girls), mas ao mesmo tempo a gente acaba levando uns tapas na cara durante a leitura, como quando Peter Kavinsky diz que Lara Jean é “bonita de um jeito peculiar” e também na seguinte passagem:

As opções para garotas orientais no Halloween são muito limitadas. Eu já me vesti de Velma do Scooby-Doo, mas as pessoas ficavam me perguntando se eu era um personagem de mangá. Eu até botei peruca! Então agora estou decidida a só me vestir de personagens asiáticos. (…) Este ano, vou me vestir de Cho Chang, de Harry Potter. Estou usando um cachecol da Corvinal, uma veste preta de coral velha que encontrei no eBay, uma gravata do meu pai e uma varinha. Não vou ganhar nenhum concurso, mas pelo menos as pessoas vão saber quem eu sou. Eu queria nunca mais ter que responder a pergunta De quem você está fantasiada? (P. 203)

É importante ter esse estranhamento para pessoas não orientais, como eu, para que possamos nos dar conta das pequenas violências que acabamos cometendo no dia-a-dia. Principalmente, é importante que adolescentes asiáticos se vejam representados em um livro desse gênero. Representatividade importa sim. Jenny Han, que vem de família coreana e começou a carreira como escritora de livro infantil, já demonstrou se preocupar com esse assunto em uma entrevista. Ela disse: “Acho que quem entra nesse negócio [de livros infantis e infanto-juvenis] se importa com o bem-estar das crianças. Nós queremos que elas se vejam refletidas em suas histórias, nós queremos que elas se imaginem como heróis e vilões e tudo. Nós queremos que elas saibam que não há apenas um tipo de história. Mas debaixo de tudo isso, acho que – e estou falando particularmente sobre escritores de cor – queremos que elas tenham o que nós não tivemos.” (tradução minha)

Jenny Han
Jenny han

Além de tudo isso, Han consegue abordar temas diversos de uma maneira sincera que eu não via há tempos, temas esses que variam de relacionamentos (amorosos, de amizade e familiares) a slutshaming. Eu só consegui largar o livro depois de ter lido tudo, até à última página.

O segundo livro da trilogia se chama P.S.: Ainda amo você (P.S. I still love you) e é tão bom quanto o primeiro – também foi lançado no Brasil pela Intrínseca, em 2016. O último livro será lançado nos EUA agora no fim de Abril, e o título original é Always and Forever, Lara Jean. Vou ficar muito triste quando acabar, mas ao mesmo tempo grata pela ótima experiência literária.

Quem quiser saber mais sobre Jenny Han, pode visitar o site oficial da autora. Até a próxima!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

2 COMENTÁRIOS

  1. Já li os dois livros e ameii muito, falta o 3 e estou super ansiosa pelo que vem aí. Traz mais livros e autores bons para conhecermos. Obrigada pela dica de leitura! Você arrasou! 😘

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