Há tempos que as cidades grandes, principalmente da Ásia, sofrem com o excesso populacional. Por outro lado, na Coreia, cresce também o número de pessoas que optam pela vida de solteiro. Com o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho sem contudo se livrar do julgamento de uma sociedade fundamentalmente machista, muitas mulheres estão escolhendo não se casar nem ter filhos, para não abrir mão da carreira profissional. Há também um item da tradição que está forçando os homens a ficarem solteiros – o fato de que normalmente eles é que tem que pagar por todas as despesas do casamento e mais a primeira moradia do casal. Estes problemas estão criando toda uma nova geração de solteiros, que precisa ter onde morar mas quase sempre não pode gastar muito com isso.

Os críticos dizem que pequenas habitações urbanas, que já existem na maior parte dos países asiáticos, não funcionarão a longo prazo: são muito apertadas, incentivam o isolamento e não contemplam uma mudança no estado civil. Contudo, os estudos mostram que as pessoas estão dispostas a negociar algum espaço em troca do local certo, de um aluguel significativamente menor, e um bom design.

Os Arquitetos Jinhee Park E John Hong Da Empresa Ssd
Os arquitetos jinhee park e john hong da empresa ssd

Baseados nesta premissa, os arquitetos Jinhee Park e John Hong, da empresa Single Speed Design (SsD) criaram o conceito das micro-habitações. O projeto pioneiro é o Songpa, em Seul. Os arquitetos, ganhadores do Prêmio Metropolis Next Generation Design, em 2004, até deram um apelido à sua criação – espaço tapioca – em alusão às pérolas de tapioca, aquelas bolinhas de farinha de tapioca presentes no Bubble Tea (ou chá de bolhas), uma bebida extremamente comum na Coreia do Sul.

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As micro-habitações de Songpa tem apenas 11 metros quadrados, contudo, o projeto dá ênfase às áreas compartilhadas. “Nós cunhamos o termo espaço tapioca para nossas micro-habitações porque se você observar uma pérola de tapioca, verá que ela está envolta em um gel”, explica John Hong. “Este gel são as áreas em volta das habitações, os corredores, as salas comunais, as varandas compatilhadas, que remetem à integração das pessoas”.

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Através de espaços comuns generosos, o projeto das micro-habitações de Songpa incentiva seus habitantes a interagir com seus vizinhos. Os corredores são preenchidos com luz natural, ventilação e mirantes, tornando-os pontos de encontro naturais para a interação social dos residentes e seus convidados. A área de estacionamento dos edifícios – muito necessária em cidades grandes – também funciona como um espaço público compartilhado para reuniões.

As próprias unidades podem ser combinadas para criar maior espaço para uma família em crescimento, por exemplo, e elas podem também ser alteradas para mudanças no estado civil de seus moradores, tais como uma eventual separação (desde que a mesma seja amigável o suficiente para que os “ex” possam conviver pacificamente como vizinhos).

Queríamos criar um novo conceito de habitação“, explica Jinhee Park. “O projeto inicial tinha opções de um ou dois quartos, mas parecia mais do mesmo. Então vimos potencial para um tipo diferente de espaço que fosse flexível, de modo que as pessoas pudessem ficar lá por mais tempo. Caso, precisem, os moradores podem simplesmente comprar ou alugar uma outra unidade“.

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O projeto da SsD assegura que banheiros e sistema de esgoto estejam organizados de forma a permitir que os mesmos sejam facilmente combinados sem muita demolição ou construção. A característica mais marcante do projeto, no entanto, é a sua fachada de aço inoxidável – uma composição de barras chatas de 0,13 polegadas de espessura torcidas em nove curvaturas, criando padrões que servem para muitas funções – calhas de drenagem, barreiras de privacidade, treliças para plantas e racks para bicicletas.

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Além disso há a função estética – esconder conduites e tubulações de gás. “Devido ao tamanho limitado das micro-habitações, as fachadas circundantes dos edifícios têm elementos que foram adicionados posteriormente como tubos para drenagem de água, barras de segurança e telas de privacidade que davam um aspecto de poluição visual“, diz Jinhee Park. “Então vimos a oportunidade de fazer da tela um recurso de design“.

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Certamente, deve-se levar em conta o contexto cultural para medir o sucesso potencial de um projeto, mas este projeto apresenta algumas ideias inteligentes sobre como resolver alguns dos problemas associados com a micro-habitação que poderiam também ser modificados e aplicados em contextos semelhantes em outros países. Com o aumento do custo de vida, espaços menores estão se tornando mais comuns em cidades, então talvez a melhor maneira de contornar os problemas da falta de espaço, seja compartilhar alguns espaços, sem sacrificar muito a privacidade e sem ter que viver com colegas de quarto para o resto da vida.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

3 COMENTÁRIOS

  1. Gostei muito de ler essa matéria. Mostra que a Coreia está mesmo se preocupando com seu povo, sempre atento às “tendências” para dar o melhor a quem precisa!

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