As livrarias hoje em dia, na Coreia do Sul, não apenas vendem livros. Para se manter no mercado na era digital, estão aumentando suas ofertas, incluindo galerias de arte em suas lojas, organizando atividades interessantes (como workshops) e algumas até mesmo possuem um bar dentro da loja.

Tais esforços parecem estar dando resultado, pelo menos em alguns lugares. Cerca de 40 minutos depois do meio-dia, a Kyobo Book Center no centro de Seul está lotada com pessoas que querem “navegar” pelos dos livros mais recentes. O local fica barulhento e agitado durante o almoço (antes da maioria voltar para seus escritórios nas proximidades) mas há alguns pontos tranquilos na loja que foi recém-reformada.

Visitantes Sentam Para Ler Livros Na Kyobo Book Center Em Gwanghwamun, Seul (Yonhap)
Visitantes sentam para ler livros na kyobo book center em gwanghwamun, seul (yonhap)

James Byeon, um funcionáro de escritório, costuma visitar esta livraria depois do almoço.”Às vezes é difícil encontrar um assento na mesa“, disse ele, ao olhar ao redor procurando um banco. “Se eu não puder encontrar um, eu só passeio, olho as pinturas e tomo um café antes de voltar para o trabalho“.

As livrarias estão se reformulando e renovando seus espaços para serem mais do que apenas um lugar para comprar livros. Na Kyobo Book Center e na Youngpoong Bookstore, as pessoas podem beber café, ouvir música, e até mesmo ver exposições de arte.

A livraria Youngpoong no centro de Seul tem um salão de eventos e uma lanchonete onde as pessoas podem relaxar sob luzes suaves de LED, enquanto que a Kyobo tem uma galeria para as pessoas passearem e apreciarem obras de arte. Tais mudanças visam combater a concorrência das livrarias on-line e a popularidade dos e-books.

Nós recentemente reformamos a loja para que as pessoas tenham mais uma razão para vir e ficar mais tempo em nossa livraria. Temos agora uma galeria de arte e mesas onde eles não podem apenas ler, mas também conversar com amigos“, disse um porta-voz da Kyobo Book Center. “Fizemos isso para termos um diferencial em relação às livraias on-line”.

Não são apenas as grandes cadeias de livrarias que estão evoluindo para enfrentar os desafios da era digital. Pequenas livrarias como a The Book Society em Tongui-dong, a Jongno-gu, perto do Palácio Gyeongbokgung, a Dreaming Pippi em Jungnang-gu e a Book by Book em Mapo-gu também estão buscando se diferenciar. Por exemplo, a The Book Society vende livros de arte e design para atender a estudantes de arte e profissionais do ramo. A Dreaming Pippi se especilizou em livros infantis.

As Pessoas Deixam Bilhetes Dentro Livros Na Book By Book, Para Incentivar As Pessoas A Também Darem Sua Opinião Sobre Sobre Eles, Lendo-Os. (Jung Eun-Jin / The Korea Herald)
As pessoas deixam bilhetes dentro livros na book by book, para incentivar as pessoas a também darem sua opinião sobre sobre eles, lendo-os. (jung eun-jin / the korea herald)

A Book by Book tenta atrair clientes, oferecendo uma variedade de bebidas, incluindo cervejas e coquetéis. Ela também tem categorias de livros exclusivos, como “In Love With This Author” (para apaixonados por um autor em especial) e também incentiva as pessoas a partilhar os seus pensamentos sobre os livros, escrevendo bilhetes. A Book by Book realiza eventos como exposições, encontros com autores e oficinas.

Estas campanhas são realmente para incentivar as pessoas a ler mais“, disse o gerente de Kim Dae-Jun da Book by Book.

A Loja The Book Society Em Jongno-Gu
A loja the book society em jongno-gu

A The Book Society também, ocasionalmente, realiza seminários com palestrantes convidados do exterior sobre temas como design gráfico, fotografia e arquitetura. Este mês, um designer gráfico da Alemanha, Ingo Offermanns, deu um seminário sobre design. “Somos diferentes no sentido de que nós fornecemos um espaço onde as pessoas podem adquirir os livros que não estão disponíveis nas livrarias em geral, e o público também pode assistir a palestras temáticas especiais. Isto é oferecer uma experiência totalmente nova para um novo nicho de consumidores“, disse Jung A-ram, gerente da The Book Society.

Com o uso do smartphone em ascensão, as pessoas estão gastando menos tempo lendo livros e visitando livrarias. Uma pesquisa com 5.000 pessoas com idade superior a 19 anos mostrou que apenas 65,3% dos participantes tinha lido um livro no ano passado, a menor desde que o Ministério da Cultura começou a compilar esses dados em 1994. Isso equivale a três em cada 10 pessoas não tendo lido um único livro no ano passado inteiro.

Nunca é cedo demais para cultivar o amor pela leitura e as livrarias infantis têm um papel especial a desempenhar. “Temos o objetivo de criar um local com atividades interativas, tais como viagens à campo e debates para que as crianças experimentarem a alegria da leitura“, disse o fundador da Dreaming Pippi, Lee Gae-Myoung.


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1 COMENTÁRIO

  1. Que show essa matéria Simone. Como uma amante de livros, nada é mais agradável do que estar em um local onde as pessoas pensam e oferece um lugar perfeito pra se fazer uma boa leitura. E com certeza os leitores sempre vão querer voltar lá. Já tenho mais um motivo pra querer ir à Coréia.

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