Com um dos sistemas educacionais mais reconhecidos do mundo e também um dos mais competitivos, a Coreia do Sul investe cerca de 29 milhões de dólares em educação. Em uma sociedade que valoriza a educação, a corrida para se inserir no mercado de trabalho, alimentada pela influência paterna tão presente na Coreia, gera uma forte pressão nos jovens de todas as idades para que tenham o melhor desempenho em diversas áreas de conhecimento, como as línguas estrangeiras.

O resultado é visto no crescimento de instituições de ensino de inglês, como os English Kindergardens, que são jardins de infância particulares de inglês em período integral, como aponta o jornal The Korea Herald na coluna Uniquely Korean. Isso expõe o quanto a pressão da sociedade tem afetado o dia a dia de crianças cada vez mais novas, o que levanta dilemas sobre a necessidade de uma inclusão tão precoce numa segunda língua.

É de conhecimento geral que o país possui uma enorme pressão para que os jovens aprendam uma segunda língua para que tenham um crescimento rápido na profissão. Ter conhecimento avançado de inglês permite que os alunos obtenham uma colocação alta no certificado de proficiência de inglês, o TOEIC, que pode abrir portas para os jovens tanto para colocação acadêmica quanto para inserção no mercado de trabalho.

Logo, milhares de famílias optam por matricular seus filhos em English Kindergardens para introduzi-los a um ambiente de língua inglesa antes dos 8 anos, apesar da restrição de idade na rede pública de ensino. Essa delimitação no Ministério da Educação acaba por levar as famílias a optarem por escolas particulares ou professores particulares, o que resulta em preços de mensalidade altíssimos que podem chegar a mais de $1.000,00 dólares (R$ 3.500).

Momento de leitura durante aula em escola privada em Seul. Fonte: The Korea Herald
Momento de leitura durante aula em escola privada em Seul. Fonte: The Korea Herald

Apesar do fluxo para essas instituições de ensino, a idade ideal para se aprender uma segunda língua ainda é alvo de debate na Coreia. Alguns educadores informam que o ensino de línguas estrangeiras pode não ser benéfico para crianças que ainda não possuem um domínio completo da língua materna, o que poderia afetar no seu desenvolvimento e entendimento futuro. Além disso, o método de ensino também é colocado em questão. Segundo Lee Yeon-Sook, diretora de um English Kindergarden em Seul, em uma entrevista à coluna Uniquely Korean, o ensino não deve ser por meio de livros no momento inicial – crianças assimilam melhor a segunda língua por meio de um ensino divertido e diversificado, de modo a não gerar estresse.

O Korea Times também divulgou alguns índices que revelam o pensamento de mães sobre a idade considerada adequada para se iniciar o aprendizado de inglês. Em média os alunos começam a estudar a língua antes de completarem 5 anos de idade. No artigo, o jornal disponibiliza uma pesquisa feita na Escola de Inglês Yoon, na qual membros de uma plataforma online foram perguntados sobre quando seus filhos começaram a aprender inglês e qual seria a idade ideal. A pesquisa demonstrou que, apesar das opiniões bem divididas, a maioria considera que o ensino deveria iniciar-se antes do aluno entrar em idade escolar para que a criança possa se familiarizar com a língua estrangeira, para que possam se destacar em relação aos demais. A pressão para uma colocação de alto nível no mercado afeta não apenas as crianças, mas também os familiares que declaram matricular seus filhos em tais instituições porque foram influenciados por outras pessoas.

No início desse mês, o jornal The Korea Herald também divulgou o plano do governo coreano, anunciado pelo Ministério da Educação, para estabelecer uma lei de promoção do ensino de línguas estrangeiras que engloba um total de 53 línguas que são consideradas de importância estratégica para o desenvolvimento econômico continuo e estável do país. Entre elas estão – italiano, português, grego, árabe, vietnamita e hebraico.

Essa nova postura para auxiliar o ensino de línguas estrangeiras tem o intuito de facilitar a entrada de empresas nacionais em outros mercados consumidores, aumento a qualificação profissional, a fim de estabelecer relações econômicas duradouras.

De acordo com esse projeto de lei, o governo pode oferecer tanto ajuda financeira às escolas e instituições que desejam ou já operam cursos de línguas, como também oferecer auxilio econômico aos estudantes que desejam estudar ou procuram estágios fora do país. Esse esforço se deve ao fato do ensino de línguas estrangeiras estar dividido essencialmente entre inglês e chinês, as duas línguas com maior demanda, e a necessidade de diversificação. Tal projeto poderia intensificar ainda mais a busca por certificação entre os jovens que correm para acumular qualificações e notas para que possam competir no mercado de trabalho.

Algumas universidades coreanas já possuem um modelo de ensino bem diversificado nessa área, como a Hankuk University of Foreign Studies e a Busan University of Foreign Studies, cujos focos são cursos voltados para o mercado internacional como relações internacionais, gestão e tradução. Essas instituições possuem renome no ensino de línguas e oferecem uma grande gama de idiomas. Apesar disso, muitos estudantes de departamentos de línguas acabam trabalhando em áreas não relacionadas diretamente com suas formações durante alguns anos, o que demonstra a necessidade de expansão e investimento no mercado nessas áreas caso o projeto de lei seja levado adiante de maneira eficaz.

É inegável que os investimentos em educação da Coreia irão deixar um legado por muitos anos. Porém, o que se questiona não é o foco do ensino, mas a urgência e pressão constantes nas mentes dos jovens coreanos. A juventude tem que lidar com as expectativas de familiares e da sociedade para que consigam uma colocação profissional de alto nível ainda cedo na carreira. É claro que o investimento em línguas estrangeiras e demais áreas relacionadas ajuda a desenvolver um mercado diversificado e dinâmico que propicia o crescimento econômico a longo prazo, mas seria o incentivo precoce do aprendizado de uma segunda língua com o foco de qualificação realmente ideal para futuras gerações? O ponto importante das pesquisas e projetos é expor o foco atual do ensino de línguas que visa apenas a certificação e não necessariamente a vivência ou inserção cultural.

Texto Autoral baseado em Pesquisas.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



1 COMENTÁRIO

  1. Vixiiii…eu acho que cometi uma gafe, eu fiz um comentário à Duda acho que postou um dos artigos acima, pensei que o blog fosse exclusivo dela, mas percebi que tem mais gente responsável, eu acho… mil perdões, o resto que eu falei realmente é verdade, gostei muito. Eu quero parabenizar e desejar sucesso a todos que são responsáveis pelo blog, por sempre trazer coisas interessantes e novidades. Bjim :* ^^

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