Este mês (agosto), minha ida à Coreia do Sul completa um ano. Parece que foi ontem que eu andava pra lá e pra cá preocupada com visto, passagem, mala… tenho conversado bastante com amigas que fiz durante minha estada lá e tem batido uma saudadezinha gostosa! Não aquela saudade triste, mas aquela saudade do tipo “poxa, que bom que vivi tudo isso”.

Os intercambistas que chegaram lá na mesma época que eu, mas que continuaram lá depois que voltei (meu intercâmbio foi de 6 meses, mas o de vários outros que conheci por lá era de 1 ano), também já voltaram para casa. Como todos os intercambistas que conheci já foram embora, acabo sentindo como se esse período da minha vida terminasse agora, e não quando voltei ao Brasil. É estranho, né? Mas é como se fosse o fim de um ciclo.

Tenho acompanhado postagens no Facebook de algumas dessas pessoas, e um post em particular que vi há uns dois dias atrás me fez querer escrever sobre este assunto no Laureando desse mês.

Bom, antes de entrar nesse assunto, preciso falar sobre outra coisa.

Acredito que a grande maioria das pessoas (se não todas) que lê o Koreapost seja admirador(a) da cultura coreana. Certo? Algum aspecto da Coreia, seja k-pop, drama, história ou qualquer outra coisa te impressionou tanto que você agora procura ler, ver vídeos e debater sempre sobre esse assunto. Obviamente é uma admiração positiva, ou seja, isso traz consequências positivas para a sua vida – seja novos amigos, novos aprendizados ou novas experiências. Eu, por exemplo, acabei levando essa admiração para o lado acadêmico e sou muito grata por isso.

Entretanto (e é aqui que eu queria chegar), existe um pequeno detalhe: não é preciso depreciar a própria cultura para admirar outra. Não é porque você não gosta de estilos musicais nacionais que a música nacional é um lixo. Não é porque você prefere assistir dramas coreanos à novelas brasileiras que toda novela nacional é um lixo. Você não gostar de algo não faz com que isso seja automaticamente ruim. Ok?

O Brasil e a Coreia do Sul são países diferentes. Parece bobo ter que ressaltar isso, mas cada vez mais eu tenho notado que as pessoas parecem esquecer desse pequeno detalhe. São contextos históricos e culturais totalmente diferentes. Por isso que não dá para, por exemplo, admirar tanto o sistema educacional coreano e falar: “o Brasil poderia aprender com a Coreia, né?!”, ignorando a história e as características dos dois países. Não. Não é tão fácil assim. São realidades diferentes. (Nem melhor, nem pior: diferentes.)

Nessas horas eu me lembro de uma coisa que minha mãe me falava quando eu era criança e que eu não levava muito a sério: tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Tudo tem dois lados, tudo tem qualidade e defeito. Acredito que nós, brasileiros, nos acostumamos a olhar só para os defeitos do Brasil e a endeusar as qualidades dos outros países – e isso, além de não ser saudável, é alienação.

Então é preciso levar tooooodos esses fatores em conta antes de fazer comentários como o do post que me motivou a estar escrevendo agora, de uma pessoa que conheci quando estava lá na Coreia e que também é da América do Sul:

Em Gangnam não tinha esses pobres coitados de terceiro mundo“.

Então, eu disse tudo isso aí em cima para dar um conselho – que não foi pedido, eu sei – mas que é do fundo do coração:

Não seja essa pessoa!!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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