Paul Shin, ex-repórter da Associated Press na Coreia, discute, numa entrevista ao jornal The Korea Herald, a mudança do cenário da mídia de língua inglesa na Coreia.

A primeira coisa que Paul Shin, veterano jornalista, perguntou ao jornalista durante uma entrevista em Gwanghwamun, Seul foi: “Em qual área você trabalha”?

“A área cultural não tomava grande parte da mídia em inglês no meu tempo”, ele disse ao ouvir a resposta. “Os leitores internacionais estavam mais interessados no regime autoritarista”, disse Shin, de 76 anos, ao referir-se ao período da administração de Park Chung-Hee nos anos 70.

Paul Shin
Paul shin

Agora, histórias sobre a cultura coreana, abrangendo desde comida ao K-pop, são frequentemente publicadas e muito lidas. “Essa mudança de foco da mídia reflete uma mudança na sociedade coreana e como esta é vista mundo afora”.

Shin, cujo nome coreano é Shin Ho-Chul, passou quase cinco décadas trabalhando na mídia de língua inglesa na Coreia, expondo as práticas dos regimes autoritários e relatando sobre a relação conturbada com a Coréia do Norte. Desde 1965, ele trabalhou no The Korea Herald e em agências de notícias mundiais como a United Press International e na Associated Press. Shin se aposentou da agência Yonhap News como conselheiro interno para agências de notícias inglesas no ano passado.

Este mês, ele lançou o livro intitulado “How to Write an English News Article”, uma compilação de dicas para repórteres de língua inglesa que foram reunidas ao longo de décadas de trabalho na área. Este livro, escrito com instruções em coreano e enxertos em inglês, abrange uma grande variedade de tópicos, desde os princípios gerais do jornalismo até regras especificas sobre qualidade na escrita de notícias.

Shin disse que escreveu o livro como um manual para aqueles que aspiram em trabalhar com a mídia de língua inglesa, uma área que ele espera tenha um papel maior no futuro da Coreia.

A mídia de língua inglesa da Coreia talvez tenha um alcance limitado domesticamente. Contudo, teve maior liberdade para relatar sobre o regime autoritário naqueles tempos quando eu comecei (neste campo), e agora, possui o potencial de se tornar mais influente internacionalmente”, ele disse. “As pessoas estão mais interessadas na Coreia agora. O ponto crucial é explorar os tipos de notícias que os leitores de lingua inglesa quer ler”.

Culinária e turismo, por exemplo, são áreas que precisam de maior cobertura em inglês atualmente, disse Shin. A mídia de língua inglesa deveria aspirar diferenciar-se da mídia de língua coreana, Shin adicionou, já que seu papel é expor notícias coreanas para o mundo enquanto também se comunica com a população internacional dentro do país.

Estrangeiros frequentemente encontram dificuldades na Coreia”, Shin disse, citando casos de falhas de comunicação e violência envolvendo estrangeiros. “É importante para a mídia de língua inglesa ser uma luz para eles e continuar a se atualizar. Precisamos escutar as opiniões e visões de estrangeiros mais diretamente, de suas bocas”, ele disse.

Mídia De Língua Inglesa É A Cara Da Coreia Para O Mundo

Sobre as dificuldades que os jornais de língua inglesa na Coreia tem enfrentado conforme os leitores da mídia impressa tradicional diminuem, Shin aponta a necessidade de financiamentos governamentais. “A mídia de língua inglesa é como a cara da Coreia para o mundo”, ele disse. “O governo coreano precisa estar ciente sobre o quão isso é importante. É muito importante que haja verba para isso”.

Shin adicionou que os editores precisam manter uma perspectiva abrangente quando comentarem sobre eventos nacionais. “Repórteres e editores precisam entender qual tipo de notícias são significantivas para a perspectiva global”, Shin disse. “Simplesmente reportar sobre um remodelamento de gabinete no governo coreano e o que isso significa para os locais não é o suficiente para a mídia de língua inglesa. Precisamos comentar sobre as implicações de uma perspectiva mais abrangente”.


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