A autora americana Lisa See, hipnotizada pelas histórias das mergulhadoras de pesca de Jeju, que também são chamadas de haenyeo, ou “mulheres do mar” em coreano, voou até a ilha para estudar suas vidas.

Conhecidas por seu espírito independente, fibra e determinação, as haenyeo são as principais representantes da estrutura familiar semi-matriarcal de Jeju. Muitas vezes, nestas famílias, os homens cuidam da casa e dos filhos enquanto as mulheres trabalham mergulhando, capturando principalmente os chamados “frutos do mar” e vendendo-os na superfície.

O som único da respiração das Haenyeo quando vêm para a superfície é muito energizante“, disse Lisa, autora do best -seller de romance, “Meninas de Shanghai” publicado em de 2009.

A respiração peculiar das haenyeo, que podem mergulhar até 20 metros de profundidade e prender a respiração por até dois minutos, é conhecida como sumbisori em coreano.

O trabalho que as Haenyeo realizam é conhecido pelos incríveis riscos envolvidos, como por exemplo, o de que um mergulho mais prolongado do que deve ser, pode ser fatal.

O romance de Lisa See (à esquerda) sobre as mergulhadoras da ilha de Jeju será publicado cerca de três anos depois de sua viagem até lá.
O romance de Lisa See (à esquerda) sobre as mergulhadoras da ilha de Jeju será publicado cerca de três anos depois de sua viagem até lá.

A autora de 61 anos de idade, decidiu escrever um romance sobre a vida brava e ardente das mergulhadoras depois de ler sobre elas em um artigo.

Em uma entrevista ao JoongAng, ela disse: “Eu conheci as Haenyeo primeiramente através de um artigo que falava sobre elas nos Estados Unidos, então eu decidi vir para Jeju, pela primeira vez, para pesquisar suas vidas e sua rotina para o meu livro“. Lisa tem ido a Jeju e entrevistado as mergulhadoras desde então.

Fiquei surpresa de ver as Haenyeo mergulharem muito mais fundo do que eu imaginava“, ela disse. “Eu fui inspirada por seu espirito tolerante e sacrificial, que as leva a mergulhar no mar, apesar do grande risco, apenas para alimentar suas famílias. Estou pensando em escrever a história tão vividamente quanto possível, para que os leitores possam sentir-se na pele das mergulhadoras“.

Nos últimos seis meses, Lisa não tem apenas estudado as mergulhadoras, mas também a história, cultura e ambiente natural da ilha de Jeju.

A autora coletou pessoalmente, as histórias sobre como as mergulhadoras lutaram pela sobrevivência em meio aos mais trágicos eventos históricos da Coreia, incluindo a dominação japonesa (1910-1945) e o massacre de Jeju, de 1948, quando um grupo de insurgentes da ilha atacaram delegacias de polícia locais para protestar contra a eleição exclusiva presidencial em Maio de 1948, bem como a instalação de uma base militar dos EUA na Coreia. Cerca de 3.000 pessoas morreram na repressão do governo que se seguiu.

Ela também se reuniu com a população local da ilha, bem como com os xamãs de Jeju, que realizam exorcismos. De acordo com Lisa, vai demorar cerca de três anos, até que ela termine o romance. Ela voltou para os Estados Unidos recentemente.

Nascida em 1955 na França, Lisa tem trabalhado como escritora nos Estados Unidos e já publicou nove livros . A maioria de seus romances são sobre mulheres do Leste Asiático que se encontram no meio dos acontecimentos históricos da região.

Uma de suas grandes obras “Shangai Girls”, foi traduzido para 39 idiomas depois de ter sido publicado nos Estados Unidos.


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