Gender design over white background, vector illustration

O ódio de ambas as partes na internet se espalha para o meio físico.

Não há governo que possa proteger as mulheres neste país“. disse Skeleso, um usuário da Internet, sem gênero especificado, reclamando nos comentários de uma notícia sobre a rejeição do mandato de prisão para os jogadores de beisebol Cho Sang-woo e Park Dong-won, acusados de agredir sexualmente uma mulher de 20 anos em um hotel na cidade portuária de Incheon em 23 de maio.

Cho, lançador do Nexen Heroes, supostamente admitiu que teve relacionamento sexual com a garota naquela noite, mas insistiu que era consensual. Enquanto isso, seu companheiro de equipe, negou a alegação de que ele a estuprou.

Quando se trata de mulheres, elas sempre são tratadas ou retratadas como prostitutas. A vítima terá dificuldade em provar que algo aconteceu contra a sua vontade“, escreveu o/a internauta.

Alguns usuários da internet que acreditam-se ser homens, culpam a vítima por supostamente seduzir os jogadores de beisebol, chamando-a de “uma kimchi girl“.

“Kimchi girl” é uma gíria da internet que se refere a alpinistas sociais dentre 20 e 30 anos. Elas gastam muito para manter seus estilos de vida luxuosos e investem a maior parte de sua vida, tempo e energia em sua aparência física.

Na internet, o choque entre feministas e supremacistas masculinos tem sido evidente desde meados dos anos 2000.

0378c7e8206b4204bb5019d23b7fcaf2

Paródias de mulheres materialistas ganharam atenção em 2006, quando um usuário da internet publicou um post hilário, porém grosseiro, sobre as “garotas pasta de soja”, versão inicial das “kimchi girls”.

A postagem que retratava uma universitária fictícia e materialista que se tornou viral, levou a uma sequência de quadrinhos e webtoons com jovens alpinistas sociais.

Especialistas consideram a “menina da pasta de soja” como o início da misoginia na internet e dizem que os confrontos entre feministas e supremacistas masculinos continuam até hoje.

Pedindo anonimato, um estudioso disse que a sociedade se tornou um pólo à medida que os confrontos entre feministas e supremaciaistas masculinos continuavam e o movimento pela igualdade de gênero se radicalizou.

Eu tenho minha própria opinião sobre o que está acontecendo no movimento feminista“, disse ela. “Mas eu não vou contar à mídia qual é, principalmente porque eu tenho medo de ser atacada por qualquer um dos lados se eu comentar sobre isso. Estamos lidando com uma questão em que os especialistas não têm nada a ganhar se revelarem o que realmente pensam à respeito.”

Segundo o portal Daum, em 2015, “Kimchi girls” e outros termos depreciativos para as mulheres apareceram 80.000 vezes por mês em blogs e contas no Twitter, mostrando que essas palavras são amplamente usadas entre os usuários da Internet.

Uma pesquisa mostra que muitos homens “concordam” com essas descrições sobre algumas mulheres.

A pesquisa do Instituto de Desenvolvimento das Mulheres da Coreia divulgou em março de 2016, a descoberta de que mais de 50% dos homens com idades entre 15 e 35 anos disseram não haver problemas em usar tais termos para menosprezar as mulheres.

Como mostram os resultados da pesquisa, Kim Jung-sook, presidente do grupo internacional de direitos das mulheres – International Council of Women – disse que o ódio contra as mulheres certamente existe. “É profundamente enraizado e difundido nesta sociedade. Não há dúvida sobre isso“, disse ela.

Diante da misoginia, as feministas reagiram. Elas rotularam homens que revelam seu descontentamento em relação às mulheres como “han-chung”, gíria para “sem esperança”.

A disputa feminista-supremacista masculino na internet se expandiu para o meio físico.

A coluna de 2015 do crítico de cultura pop Kim Tae-hoon, publicada na revista de moda e estilo de vida Grazia, serviu como um ponto de partida para a eclosão de confrontos off-line entre extremistas masculinos e femininos.

Na coluna, intitulada “O feminismo sem cérebro é ainda mais perigoso que o terrorismo do grupo IS”, Kim acusou o movimento feminista de perder sua direção. Segundo ele, o verdadeiro feminismo é uma luta contra o sistema que facilita a discriminação baseada no gênero, não uma luta contra os homens.

Segundo ele, feministas neste país estão tentando derrubar homens e considera-los como um inimigo que deve ser derrotado. “O que estou vendo agora é o perigo do movimento feminista sem cérebro que está acontecendo neste país“, dizia sua coluna.

A coluna provocou um amplo debate e fez ativistas dos direitos das mulheres se unirem contra ele.

Sentindo-se pressionado pela ação coletiva e advertido sobre o boicote aos programas de TV em que ele aparecia, Kim abandonou tal trabalho e pediu desculpas públicas pelo que disse na coluna. A revista Grazia também ofereceu um pedido de desculpas aos seus leitores por causar problemas não intencionais.

Suas desculpas, no entanto, não foram aceitas. Ativistas dos direitos das mulheres estavam imparáveis. Elas deram as mãos para fechar o site Soranet, que permitia o upload e o download de vídeos pornográficos e de voyeurs.

Encorajadas pela vitória, as feministas organizaram um comício para combater a misoginia.

Em maio, elas organizaram o aniversário de um ano do caso do assassinato no Gangnam, onde uma mulher de 20 e poucos anos foi morta por um estranho. O assassino disse mais tarde que ele a matou porque odiava as mulheres. A polícia disse que o assassinato não foi um crime de ódio.

Na semana passada, um grupo de mulheres que se identificam como ativistas do grupo feminista FireFemi Action lançaram um protesto de topless em frente à sede do Facebook em Seul, exigindo que a empresa de mídia social “devolvesse”as fotos de topless que algumas de seus membros postaram no Facebook. Seguindo sua política de obscenidade, o Facebook excluiu as fotos de mulheres.

As feministas acusaram o Facebook de usar um padrão dubio ao determinar o que é obscenidade. Segundo elas, a empresa de mídia social não toma nenhuma ação contra os homens sem camisa, ao passo que remove as mulheres de topless, que segundo a reinvindicação é uma discriminação.

O Facebook mais tarde pediu desculpas e repostou as fotos depois que a polícia declarou que o protestos não violaram a lei anti-obscenidade.

O protesto, no entanto, provocou um debate sobre a direção do movimento feminista. Alguns expressaram preocupações sobre o feminismo radical.

O líder da ICW, também de sobrenome Kim, disse que a FireFemi Action é um grupo feminista radical e elas não representam o movimento feminista na Coreia.

Eu concordo em muito com elas em termos de suas reivindicações sobre o status das mulheres neste país“, disse ela. “Mas eu discordo delas quanto à maneira de fazer com que sua voz seja ouvida. Acho que elas foram longe demais.”

Kim disse que é verdade que ainda existe discriminação com base no gênero e também há homens que estão tentando espalhar a misoginia.

Ela disse que não apoiava a ideia de fomentar a misogamia para combater a misoginia, porque isso simplesmente facilitaria o confronto entre homens e mulheres.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome.