Para os fãs de quadrinhos (comic books), este pode ser um nome já conhecido, mas poucos, no Brasil, ouviram falar de Frank Cho, em coreano, Duk Hyun Cho, um dos maiores autores de histórias em quadrinhos, nascido em Seul, em 2 de dezembro de 1971, que imigrou para os Estados Unidos, com a família, aos seis anos de idade.

O Gibi Liberty Meadows, primeira história inteiramente criada por Frank Cho. Foto: Comic Vine
A HQ Liberty Meadows, primeira história inteiramente criada por Frank Cho. Foto: Comic Vine

Cho é o criador, escritor e ilustrador de Liberty Meadows, publicado pela Image Comics, cujas tiras foram também disponibilizadas pelo jornal O Globo em 2010. Ele assina ainda a autoria das novas versões de personagens clássicos como Shanna the She-Devil, Mighty Avengers, Hulk para Marvel Comics e Jungle Girl para Dynamite Entertainment.

Ganhador de vários prêmios como o espanhol Haxtur, para criadores de quadrinhos e do prêmio da National Cartoonists Society para cartunista, o artista é conhecido por seu desenho figurativo, linhas precisas e representação de mulheres sensuais e voluptuosas, em poses sugestivas. Em razão destas ilustrações, Cho envolveu-se em diversas polêmicas e até acabou suspenso da rede social Facebook. Aqui contamos mais sobre a trajetória deste artista, a partir de fontes que traduzimos da internet.

Frank Cho. Foto: Wikimedia
Frank Cho. Foto: Wikimedia

O segundo de três filhos, Cho nasceu perto de Seul, Coreia, mas junto com os irmãos Rino e Austin, foi criado pelos pais, Kyu Hyuk Cho e Bok Hee Cho, em Beltsville, Maryland, nos EUA. O início para a família não foi nada fácil, tendo seus pais, mesmo obtendo diplomas universitários, que aceitar qualquer trabalho que trouxesse um retorno financeiro para a família, pois não conseguiam ter boa comunicação em inglês.

Sua mãe trabalhou em uma fábrica de calçados e seu pai era carpinteiro durante o dia e zelador na estação de ônibus Greyhound, à noite. Com dinheiro escasso, Cho, teve uma infância com poucas alternativas de lazer. Quando ele completou dez anos, seu irmão mais velho, Rino, trouxe algumas histórias em quadrinhos para casa, e Cho começou a copiar a arte. Isso levou com que o menino, com o incentivo de amigos que ficavam impressionados ao perceber que ele conseguia reproduzir os trabalhos artístico sem traçá-los, escolhesse entrar para o mundo das histórias em quadrinhos.

Com exceção de algumas aulas básicas de arte, Cho aperfeiçoou suas habilidades sozinho, sem qualquer treinamento formal. Suas principais influências estão em trabalhos de artistas lançados durante o período da Grande Depressão econômica, durante a década de 1930, a exemplo de Príncipe Valiant e Li’l Abner, e no trabalho de artistas como Norman Rockwell, NC Wyeth, Andrew Loomis, Al Williamson e Frank Frazetta.

Depois de se formar no High Point High School em 1990, ele frequentou o Community College de Prince George. Chegou a receber uma bolsa de estudos para frequentar o Maryland Institute College of Art em Baltimore, mas por não gostar da linha acadêmica seguida pela escola, acabou dispensando a oportunidade. Não obtendo o apoio dos pais para seguir a carreira de autor de histórias em quadrinhos, Cho, para contentar a família, formou-se na Escola de Enfermagem da Universidade de Maryland, em 1996.

Durante o período como estudante, ele contribuiu com tiras de desenhos chamada “Everything but the Kitchen Sink” para o jornal semanal da Prince George’s Community College, chamada The Owl, onde também foi editor da sessão de quadrinhos. Também foi responsável pela criação da tira diária University2 para “The Diamondback”, o jornal estudantil da University of Maryland, College Park.

Durante o último ano na faculdade, em 1995, Cho realizou seu primeiro trabalho profissional de quadrinhos, criando pequenas histórias para Penthouse Comix com Al Gross e Mark Wheatley. Cho criou “The Body”, uma história cuja personagem é uma comerciante intergaláctica, chamada Katy Wyndon, que pode transferir sua mente para corpos que lhe servem como “roupa”, (uma espécie de avatar), que ela “veste” para as suas negociações com alienígenas que encontra durante suas viagens pela galáxia buscando riquezas. De acordo com Cho, ele só foi contratado para realizar a arte, mas acabou escrevendo muito humor na história. A história nunca foi publicada devido a vários motivos decorrentes dos problemas financeiros da Penthouse Comix.

Em 1999, Cho atraiu a controvérsia ao nomear o próprio livro “Liberty Meadows”, quando servia como um dos jurados para o terceiro Prêmio Ignatz. Esta é uma premiação importante deste mercado, em que são contemplados o trabalho de criadores da imprensa independente, ou que estão fora do circuito da grande mídia, e também projetos de criadores publicados por editores maiores. O escritor Ed Brubaker, um dos jurados e desenvolvedores originais do prêmio, criticou o júri daquele ano por sua falta de apoio e reconhecimento de trabalhos independentes e por permitir a auto-nomeação.

O The Comics Journal também reagiu dizendo que isso revelou algumas falhas no sistema de indicados da Ignatz. Contudo, Cho defendeu sua decisão explicando que poucas das submissões que ele recebeu como juiz mereciam nomeação, e que o coordenador da Ignatz acatou tal decisão, uma vez que não havia regras contra a auto-nomeação. Cho, eventualmente, ganhou dois Prêmios Ignatz naquele ano para Artista Destaque e Comic Destaque. No entanto, ele lamenta sua escolha e hoje a descreve como um erro que jamais voltaria a repetir.

Após este período, Cho iria aperfeiçoar a sua criação Liberty Meadows em outras oportunidades de trabalhos que sugiram, ao mesmo tempo que desenvolveria projetos de capa, ou antologias para outros editores. Estes incluíram Ultimate Spider-Man Super Special para Marvel Comics em 2000, The Savage Dragon # 100 e The Amazing Spider-Man # 46 em 2002, Hellboy: Weird Tales # 6 em 2003 e Invincible # 14 em 2004.

Shanna, a heroína pré-histórica de Frank Cho. Foto: Marvel
Shanna, a heroína pré-histórica de Frank Cho. Foto: Marvel

Também começou a realizar outros tipos de trabalho para esta empresa, na saga do super herói Homem Aranha, em 2004 e 2005. O editor então mais antigo da Marvel Comics, Axel Alonso, ficou impressionado com Liberty Meadows, e contatou Cho para criar uma nova versão da personagem Shanna the She-Devil, um clássicos dos quadrinhos que apareceu pela primeira vez em 1972, obra do escritor Stan Lee que, na época, queria criar uma personagem que atraísse o público feminino.

Cho, reformulou Shanna em uma minissérie de sete edições, em 2005, como uma guerreira, produto de uma experiência nazista com o poder de matar dinossauros com as próprias mãos, mas que também apresenta um caráter imoral imprevisível. A minissérie era originalmente destinada a apresentar desenhos com nus, sem censura da heroína, mas a Marvel decidiu mais tarde desistir da ideia, o que fez com que Cho censurasse o próprio trabalho.

Depois disso, o autor também fez criação para séries de outras personagens de sucesso da Marvel como Jungle Girl, Hulk e X-Men. Em janeiro de 2013, a Marvel estreou Savage Wolverine, uma série escrita e ilustrada por Cho, que mostra tanto Wolverine como as co-estrelas Shanna the She-Devil e Amadeus Cho (Hulk). A história é inspirada nos filmes de Indiana Jones e nas histórias de horror do escritor H.P.Lovecraft.

Em abril de 2015, alguns trabalhos de Cho voltaram a gerar controvérsia por apresentarem uma sensualização e erotização em demasia do corpo feminino. Autores renomados dos quadrinhos criticaram os esboços de Spider-Gwen, publicados por Cho em sua página oficial na internet, em especial Robbi Rodriguez, criador oficial da personagem, dizendo que tal iniciativa poderia afastar potenciais leitores do sexo feminino. Sam Maggs de The Mary Sue também criticou Cho pela a personagem Spider-Gwen ser uma adolescente.

Outros artistas como J. Scott Campbell e Rob Liefeld defenderam o autor. Cho parodiou a polêmica desenhando o personagem Harley Quinn na mesma pose em uma capa de esboço da série desta personagem. Em abril do ano seguinte, Cho revisitou a controvérsia ilustrando o personagem Cammy no mesmo tipo de pose na capa do Udon Studios ‘Street Fighter Legends.

Questionado se essas ilustrações prejudicavam sua carreira, Cho respondeu que a publicidade triplicou o número de acessos ao seu site e aumentou também suas ofertas de emprego. Contudo, novamente ele enfrentaria oposição ao ser contratado pela DC Comics para desenhar capas para novas versões de “A Mulher Maravilha”. Cho acabou desistindo devido a conflitos com o escritor da série, Greg Rucka, que se opôs à maneira sexualizada em que a personagem fora retratada nas ilustrações.

A capa de Mulher Maravilha, que gerou polêmica. Foto: Omelete
A capa de Mulher Maravilha, que gerou polêmica. Foto: Omelete

Ano passado, Cho escreveu e desenhou Skybourne for Boom!, uma minissérie de cinco edições, em que descreve como “um cruzamento entre Highlander, Game of Death e Cthulhu“. A história concentra-se em um Deus tentando encontrar a única arma que pode matá-lo, a espada mítica Excalibur, antes que ela seja encontrada por outros.

Apesar das diversas polêmicas, o autor tem muitos fãs ao redor do mundo. Em 2011, um web documentário sobre seu trabalho, ganhou o Emmy. Cho é divorciado, tem duas filhas e vive atualmente em Columbia, Maryland, Estados Unidos.

The Mighty Avengers também é um trabalho de Frank Cho. Foto: Piming
The Mighty Avengers também é um trabalho de Frank Cho. Foto: Piming

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