Cela solitária no Museu da Prisão de Seodaemun, em Seul - Foto por Jung Min-ho do The Korea Times

A exploração sexual, por muito tempo, tem sido um dos principais motivos para o ressentimento entre a Coreia e o Japão. No entanto, definitivamente, não é o único.

Durante os 35 anos da ocupação japonesa (1910-1945), grande parte da sociedade coreana foi torturada e morta de forma irracional. O Museu da Prisão de Seodaemun, na zona oeste de Seul, fornece uma imagem vívida desse passado doloroso.

Lá estão expostos para visitação terríveis instrumentos de tortura que combatentes da independência tiveram que suportar ― em muitos casos ― até a morte. Para os sobreviventes, representam uma memória viva que jamais será esquecida.

As marcas de suas histórias estão presentes através de fotos, depoimentos em vídeo e relatos de como foram parar na infame prisão.

Para quem quer entender melhor a animosidade entre as duas nações da perspectiva das vítimas, esse é o lugar certo para ir.

O governo japonês construiu a prisão em 1908 como parte de um grande sistema para deter ativistas pela independência coreana de todo o país. Começou com capacidade para 500 pessoas e, ao final de 1919, enquanto o movimento pela independência crescia, já podia deter mais de 3.000 pessoas.

Essa informação pode ser vista no primeiro e segundo andares do Pavilhão de Exibições, onde é possível conhecer a história completa da prisão, da sua origem até o ano de 1987, através dos registros de alguns dos episódios mais significativos e das figuras-chaves presente em momentos críticos.

Yu Gwan-sun, ativista pela independência da nação e peça fundamental na organização do Movimento de 1º de Março, é uma das prisioneiras mais conhecidas que morreu ali, aos 17 anos, devido às complicações causadas pela tortura e espancamentos.

No Pavilhão Memorial estão expostos os retratos de milhares de pessoas que perderam suas vidas durante a luta pela independência. Na sequencia, é possível ter acesso ao porão, onde os oficiais da polícia japonesa interrogavam, torturavam e matavam homens e mulheres detentos da prisão.

Foto: Koreal Trip Blog

O museu informa que os recém-chegados eram enviados imediatamente para uma sala de detenção temporária de onde podiam ouvir os gritos de angústia das salas de interrogação próximas. Essa estratégia era parte do jogo psicológico criado pelos oficiais japoneses para conseguir a informação que eles queriam rapidamente.

Uma sala de interrogação equipada com equipamentos de tortura – Foto: The Korea Times

Visitantes podem observar os objetos de tortura e compreender como eles eram usados nos prisioneiros. Um deles é chamado de “sala estreita”, no qual a pessoa era colocada entre paredes estreitas para que não pudessem nem sentar nem ficar em pé de forma confortável.

Outro objeto se trata de uma pequena “caixa espinhosa” que continha agulhas por todo seu interior. A pessoa era inserida na caixa que era balançada pelos oficiais. É desconfortável e angustiante presenciar o sofrimento dos que estiveram lá por causa do seu amor à pátria. A sensação é de que o lugar inteiro está gritando para que sua dor seja ouvida.

Uma caixa criada para causar dor – Foto: The Korea Times

Para as novas gerações, suas histórias servem também como um alerta para os perigos do nacionalismo cego, que pode ressurgir no futuro. Os visitantes também podem assistir depoimentos em vídeos de homens e mulheres sobreviventes. Eles revelam como essa experiência aterrorizante na prisão mudou suas vidas.

No Prédio Penitenciário Central é possível aprender sobre o sistema prisional, incluindo como os guardas monitoravam e controlavam todas as instalações e como os prisioneiros comiam, trabalhavam e dormiam lá.

Espadas usadas pelos guardas japoneses – Foto: The Korea Times

O Prédio de Engenharia era o lugar onde os prisioneiros eram forçados a trabalhar dia e noite para produzir diversos artefatos, incluindo suprimentos militares para os soldados japoneses.

A Prisão Feminina foi o prédio que Yu Gwan-sun ficou aprisionada até sua morte, em 1920. O prédio foi demolido após a Independência da Coreia, em 1945, e reconstruído em 2011. Alguns itens pessoais das prisioneiras, como meias e sapatos, foram recuperados e expostos no museu.

Uma meia e um par de sapatos encontrados perto da Prisão Feminina – Foto: The Korea Times

Outro aspecto trágico que faz parte da história da prisão é que ela não foi fechada com a rendição do Japão. Ditadores coreanos que, posteriormente, tomaram o poder, continuaram a usar a construção para aprisionar ativistas que lutavam pela democracia. A ex-presidente Kim Young-sam é uma das mais conhecidas detentas que foi aprisionada após a independência do país.

Finalmente, a prisão desapareceu nas brumas da história em 1987, quando a Coreia disse adeus à era do sistema político autoritário, revendo a Constituição para permitir ao povo eleger seu presidente através do voto direto.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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