Quando o sol nasce às 5 da manhã, Song Ju-hee começa seu dia. Depois de aplicar muito protetor solar no rosto e vestir a roupa mais confortável que tem, Song dirige até a fazenda de sua família em Hwacheon, na província de Gangwon. Ela passa quase 10 horas na fazenda, onde produzem milho, perilla, pimenta e melancia.

A agricultora de 29 anos também administra uma empresa chamada Neorean, que gera cerca de 100 milhões de wons (US$ 94.000) em vendas anuais com a produção de garrafas de óleo de perilla e gergelim. Song é considerada como uma das agricultoras mais bem-sucedidas na faixa dos 20 aos 30 anos. Mas até 2013, ela era apenas uma dessas pessoas desesperadas em busca de um emprego em Seul.

“Minha autoestima despencou após passar por contínuos fracassos na cidade”, lembrou Song em entrevista ao The Korea Herald.

Song, que nasceu e cresceu em uma cidade distante, chamada Hwacheon. Ela veio para Seul quando tinha 17 anos. Ao contrário do futuro todo cor-de-rosa que imaginou, a realidade era dura. Ela não conseguiu ir para a faculdade que queria. Song dedicou um ano para passar no concurso para se tornar policial, apenas para falhar novamente.

“Eu ficava pensando ‘O que estou fazendo aqui?’ A vida não tinha sentido na época”, disse ela.

Song voltou para sua cidade natal depois que sua mãe acidentalmente perdeu um dedo enquanto usava uma máquina na fazenda de sua família. Quando ela chegou em casa, foi recebida com boas vindas da vizinhança onde ela cresceu. Song planejou ficar na cidade por um mês, mas um mês se tornou em uma estação, e então uma estação se tornou em um ano.

Em 2014, Song decidiu se estabelecer em Hwacheon e assumir o comando da fazenda da família. Demorou um ano para convencer seus pais. Só depois de seguir o pai todas as manhãs, por um ano, ele começou a ensiná-la a cultivar, passo a passo.

Ao mesmo tempo, ela lançou seu próximo negócio. Ela limpou e consertou máquinas antigas em uma fábrica abandonada localizada perto de sua fazenda. Com as colheitas recém produzidas na cidade, incluindo as fazenda da família, Song começou a fazer garrafas de perilla e de óleo de gergelim.

O uso das mídias sociais ajudou a vender seus produtos. Desde que ela começou o negócio, Song filmou vídeos de si mesma trabalhando na fazenda e na fábrica e os publicou nas plataformas. Seus seguidores na internet, que testemunharam todo o processo de produção de óleo fresco, se transformaram em uma base de clientes fiéis. Agora ela tem mais de 7.200 e 5.300 seguidores em seu Facebook e Instagram, respectivamente.

Além de suas habilidades agrícolas e de marketing on-line, foi uma rede ativa que fez de Song uma figura icônica entre os jovens agricultores coreanos. Ela é membro do 4H club, uma organização na qual a maioria dos agricultores com menos de 40 anos é registrada, e também é organizadora do grupo de jovens agricultores “Growers” (Produtores).

Através das atividades do clube, que incluem discussões e palestras, os membros compartilham suas dicas sobre agricultura e aprendem lições com os agricultores profissionais. Eles também realizam vários eventos culturais, como “Piquenique no campo” e “Festival da Semente de Perilla”.

De acordo com os dados compilados pelo Instituto de Estatísticas da Coreia, haviam 11.296 agricultores, de idade variando entre 20 e 30 anos, administrando empresas agrícolas no país desde 2016. Espera-se que o número aumente, já que o governo coreano destinou um orçamento extra para apoiar os jovens agricultores.

O Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais informou que escolherá 1.200 agricultores com menos de 40 anos e oferecerá 1 milhão de wons (US$ 1.060) por mês, por até três anos. Mais de 3.300 candidatos se inscreveram para o projeto.

“A primeira geração (de agricultores na Coreia) cultivou a base da agricultura e a segunda geração estabilizou a agricultura no país. É a nossa vez de expandir o negócio”, disse Song.

Em março, Song começou a se preparar para o novo ciclo da agricultura. “Eu ainda não estou pronta, mas a primavera já chegou!” Song escreveu em seu post no Instagram no mês passado, compartilhando uma foto de brotos em sua fazenda. Este ano, o marido de Song, com quem se casou no ano passado, vai começar a trabalhar com cultivo também.

“No momento em que me sento no meio do campo, vejo minhas plantações crescerem e tomo uma xícara de café com meu marido, sinto que estou no topo do mundo”, diz Song com um grande sorriso.

A seguir,  trechos da entrevista:

Korea Herald: O que sua família e amigos disseram quando você contou que se tornaria agricultora?

Song: Meus pais discordaram totalmente. Minha mãe disse que se sentiu mal ao me ver seguindo seu caminho, pois ela passou toda a sua juventude no campo. Meu pai nem me deu atenção no início.

Meus amigos em Seul disseram que ficaram muito surpresos. Sempre que eles se estressam no trabalho, eles me perguntam brincando “Eu deveria ir para a área rural e trabalhar com agricultura?”, eu respondo: “Nem todo mundo consegue trabalhar com agricultura”.

KH: Qual safra você plantou primeiro na fazenda?

Song: Eu plantei tudo o que eu queria nos 990 m² de terra que aluguei do meu pai, incluindo feijão, abóbora e batata doce. Eu pensei que poderia fazer melhor do que o meu pai, como ele parece cultivar sem qualquer conhecimento científico ou experiência como eu faço.

A colheita, no entanto, já estava perdida no primeiro ano. A teoria e o conhecimento que aprendi no livro não funcionaram como eu esperava. A agricultura era, na verdade, muito mais complicada. Meu pai, então, corrigiu as técnicas erradas uma por uma. Agora eu me concentro em poucas colheitas.

KH: Onde você aprendeu as habilidades agrícolas e comerciais?

Song: Eu aprendi a maioria das minhas habilidades agrícolas com meu pai. Ele disse que todo produto agrícola tem características diferentes, o que significa que eu tenho que tratá-los de forma diferente. Ele me ensinou quando regar cada produto e como manter as condições perfeitas do solo para uma boa colheita.

Programas gratuitos oferecidos por centros de tecnologia agrícola também foram úteis, pois eu poderia adquirir as técnicas avançadas. Além disso, aprendi gestão de negócios agrícolas através de aulas, como de contabilidade e de marketing.

KH: O que motivou você a iniciar um negócio em Hwacheon?

Song: No começo, eu queria ajudar meus pais e antigos fazendeiros na cidade. Eles estavam lutando para vender seus produtos a um preço adequado na época. Eu pensei que conseguiria vender bem esses produtos anunciando nas mídias sociais ou em blogs.

KH: Quais são os obstáculos que os jovens agricultores enfrentam?

Song: Muitos jovens agricultores começam a trabalhar na fazenda de seus pais, em vez de começar do zero por conta própria. Muitas vezes é difícil se separar da mentoria dos pais ou de suas interferências. É mais como ajudar os pais enquanto trabalhador, e não como um agricultor independente. Eu vi muitos lutando para manter o relacionamento com seus pais. Uma renda estável também é importante. Às vezes, os agricultores não ganham nenhuma receita por causa de uma safra ruim.

KH: Quais são os pontos fortes dos jovens agricultores?

Song: Eu acho que os jovens agricultores têm ideias especiais sobre as maneiras de expandir os negócios agrícolas.

No passado, os agricultores se concentraram, principalmente, na produção de produtos de alta qualidade. Agricultores na faixa dos 20 e 30 anos, no entanto, tendem a prestar mais atenção em como vender esses produtos ou em como contar a história por trás do crescimento eficaz dos produtos para os seus consumidores. Os jovens agricultores continuamente pedem feedback aos consumidores ou até mesmo os convidam para suas fazendas quando realizam eventos culturais. As pessoas familiarizadas com as mídias sociais têm vantagem nesse aspecto.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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