PERGUNTA – Nos fale de você.
RESPOSTA – Meu nome é Lucas Jötten, tenho 21 anos. Trabalho como gestor cultural e produtor de eventos. Sou estudante da Lazer e Turismo da USP. Trabalho com eventos desde 2012, realizei desde flashmobs a shows internacionais.

Lucas Jotten
Laura torelli, jacklin pae e o lucas, no seminário pró-hallyu.

PERGUNTA – Fale sobre a sua empresa K.Ö. Entertaiment.
RESPOSTA – A K.Ö. surgiu com a necessidade que tive de “profissionalizar” os eventos que realizava relacionados à cultura coreana e ao K-Pop. Na época em que comecei a fazer esses tipos de eventos, o público brasileiro era muito carente de alguém que trabalhasse com o objetivo de atender a eles, e não só aos coreanos. Por isso, a demanda e a resposta que tive com todos os projetos da K.Ö. foram enormes e super positivos desde o início.

A empresa tem como objetivo divulgar a cultura coreana no Brasil e dar oportunidade aos fãs de mostrar seu amor pela mesma. Também visamos iniciar trabalhos em prol da divulgação da própria cultura brasileira em breve. Alguns dos objetivos paralelos e mais atuais de empresa são trazer informações para os amantes do kpop de uma forma diferente e criar experiências de trabalho para pessoas que desejam ingressar no mercado de eventos, comunicação, cultura e etc.

Para isso, estamos criando diversos quadros de vídeos onde falamos a respeito do kpop, culinária coreana, novelas coreanas e diversos outros tópicos de uma forma que não é possível nas plataformas “tradicionais”. Nesse processo e em todas as outras atividades da K.Ö., jovens da equipe têm seus primeiros contatos com áreas que os interessam na vida profissional (audiovisual, design, jornalismo, gestão de eventos, relações públicas e etc). Isso torna a K.Ö. uma espécie de ponto de inicio para todos estes que anseiam entrar no mercado de trabalho.

PERGUNTA – Como conheceu o Kpop e como iniciou os eventos de Kpop?
RESPOSTA – Conheci K-pop pelo Youtube, por um clip fanmade da cantora Pixie Lott em que usaram imagens do SNSD. Daí pra frente foi uma bola de neve e me apaixonei cada vez mais pelo estilo. Comecei a organizar eventos de kpop quando alguns amigos resolveram realizar um flashmob na paulista e desistiram no meio, aí eu assumi.

K.ö. Entertaiment - Lucas Jötten [Entrevista]
Primeiro flashmob de kpop da música gangnam style no parque do ibirapuera em 2012.

PERGUNTA – Soubemos q está organizando um grande evento. Pode falar sobre?
RESPOSTA – No momento, estou organizando a quinta edição do K-pop Dance Tournament, um evento realizado em parceira com a secretaria da cultura que já contou com a presença de jurados convidados como o cantor Kim Bum Soo e a dupla Obroject. A grande diferença da quinta edição para as demais é que agora o KDT está se tornando uma liga nacional de covers de kpop. Ocorreram seletivas em outros estados do Brasil (além do que normalmente fazemos em SP) para que pudéssemos envolver os covers de todos os lugares. Nosso objetivo é, com o tempo, conseguir ter um representante de cada parte do país e incluir todos os fãs brasileiros de kpop no evento (seja pessoalmente ou pela internet). Além disso, a competição tomou tamanha proporção que fomos obrigados a procurar um local maior para realizar a grande final, onde os covers de todo o país estarão disputando pelo título do torneio.

Ko Entertaiment - Kdt
Público do kdt iv no centro cultural são paulo – vergueiro

PERGUNTA – Apresente-nos o High Hill. Fale sobre o estilo de música que vão apresentar, em que fase de treinamento estão e etc.
RESPOSTA – O projeto High Hill surgiu pelo desejo de criar no Brasil novamente um mercado expressivo de música Pop. O país já teve grandes nomes nesse gênero, como o grupo Rouge, mas atualmente não existe nada muito representativo nesse segmento. Acreditamos que o mercado K-Pop conseguiu unir perfeitamente os estilos de produção e venda do Pop americano/europeu com o japonês, e por isso utilizamos o mesmo como inspiração para o nosso empreendimento com as meninas.

O objetivo do High Hill é trazer toda essa “vendabilidade” e produção do Kpop para o Brasil, adaptando o estilo para o nosso país e misturando a nossa rica cultura às musicas que serão produzidas. O projeto teve inicio há um ano e contou com a participação de por volta 20 meninas. Todas foram sendo avaliadas durante os ensaios, apresentações e etc. Essa fase foi importante para consolidar o nome do grupo e selecionar quais integrantes seriam ideais para o High Hill.

Atualmente, o grupo conta com 5 meninas como integrantes definitivas. Todas já tem um ampla experiência artística por já terem participado de empresas que produziam artistas antes ou por já terem ingressado em algum momento na carreira de cantora. O tempo total de treinamento delas nas mais diversas áreas, entre canto, dança, teatro; varia de 7 anos da líder até 2 anos da menos experiente. Cada uma apresenta características únicas que compõem o grupo de uma forma incrível.

High Hill
Integrantes atuais do high hill

PERGUNTA – Fale sobre outros eventos que está planejando.
RESPOSTA – Estou planejando alguns festivais voltados a divulgar a cultura coreana para o Kpoppers de forma que eles se interessem pelo conteúdo assim como pelo Kpop e mais algumas outras intervenções culturais utilizando os equipamentos de lazer da cidade.

PERGUNTA – Na organização dos eventos deve ter passado por várias situações. Conte-nos uma.
RESPOSTA – Uma situação bem complicada que passo com frequência, é o choque de cultura. Nos eventos onde havia atrações vindas da coreia, tive alguns problemas de comunicação por ser muito novo e a produção coreana não me levar muito a sério. Já chegaram a chamar uma pessoa mais velha achando que era minha superior, e a mesma ressaltou que era eu quem decidia as coisas referente aquele assunto. Apesar de algumas vezes ocasionar situações inconvenientes, às vezes já passei por momentos engraçados e muito gratificantes onde era elogiado por ser tão jovem e ter tantas responsabilidades, me apelidando de mini CEO.

PERGUNTA – Fale sobre outros trabalhos que está fazendo, utilizando mídias.
RESPOSTA – Como mencionado anteriormente, a K.Ö. está iniciando projetos para trazer informações em um formato diferente. Estamos focando nesse momento no Youtube, lá criamos quadros com conteúdos direcionados. Temos desde o KOnews, onde contamos as noticias do kpop do último mês de uma forma descontraída e comentada, até o Going To Korea, onde damos dicas de como um brasileiro pode ir estudar na Coreia do Sul. Ensinamos a história de pratos tradicionais como o topokki e como cozinha-lo no Kororoba e passamos tutorias das coreografias mais populares no Step by Step. Tem ainda resenhas de novelas coreanas no korama e muito mais que ainda está por vir! Tudo sempre relatado e apresentado de uma terceira maneira nos posts do site Koreapost.

Equipe Da Ko No Youtube Space.
Equipe da ko no youtube space.

PERGUNTA – Sabemos que pretende ir estudar na Coreia. Conte-nos sobre os seus planos.
RESPOSTA – Estou acabando minha graduação este ano e tenho interesse em realizar o meu mestrado na Coreia. Como trabalho de conclusão da graduação vou estudar os reflexos da Hallyu em São Paulo sob a óptica do lazer e comportamento social dos fãs jovens dessa cultura. Ainda não defini com certeza o tema do meu mestrado, mas com esse grande crescimento do interesse internacional pelo kpop, estou pensando em estudar como as empresas coreanas de entretenimento conciliam suas ações para o público internacional ocidental, para o coreano e para os outros países asiáticos por se tratarem de culturas e nichos tão diferentes. Como planejam essa questão das relações públicas, se o público nacional (coreano) é sempre a prioridade sob os demais ou não, se existe uma preocupação em conversar de forma direcionada pra cada público e etc.

Lucas Em Palestra Sobre A Cultura Hallyu No Brasil.
Lucas em palestra sobre a cultura hallyu no brasil.

PERGUNTA – Qual é o futuro que você vê no kpop?
RESPOSTA – Acredito que as atividades relacionadas ao kpop, como shows, aulas de dança, eventos culturais; se forem bem planejados esse segmento pode se consolidar como um nicho de mercado relevante pelo mundo (assim como os fãs de animes ainda são um público numeroso apesar do termino do Boom da expansão da cultura pop japonesa). É necessário um plano para que essa onda não passe e leve junto com ela o interesse das pessoas pelo Kpop e pela Coreia. Um bom planejamento regional das pessoas que trabalham com isso, e até talvez do governo coreano em uma escala global, pode perpetuar esse público e evitar que seja só mais uma fase efêmera na vida desses jovens.

PERGUNTA – Qual é o ponto negativo ou o que você acha que falta no kpop?
RESPOSTA – Como muitos mercados bem sucedidos e competitivos, o kpop acabou objetificando demais os artistas e os fãs que às vezes são vistos como coisas facilmente descartáveis. É um ponto que não eu gosto muito… A falta de diálogo e preocupação com o público internacional às vezes também me decepciona porque muitas empresas não veem o tamanho do público em potencial que elas têm em outras nações. Ao mesmo tempo, tem algumas que focam demais para esse universo global e acabam perdendo a “essência do Kpop”. Mas no geral, acho que dentro da proposta em que o Kpop é apresentado, ele é muito eficiente apesar de algumas falhas.

Lucass Jotten 1
Lucas entre as amigas e companheiras de trabalho nos eventos, karina reis e desi nunes.

PERGUNTA – Quais são as estrelas do hallyu que os brasileiros mais gostam?
RESPOSTA – Alguns grupos muito famosos no Brasil são o BTS, o BAP, Got7, Wassup, SISTAR, AOA… Mas no momento, BTS é o mais famoso por aqui.

PERGUNTA – Conte-nos sobre os seus projetos futuros.
RESPOSTA – Tenho intenção de me tornar referência no que diz respeito à organização de eventos para cultura coreana na America Latina e logo começar a trabalhar na divulgação da cultura do meu país também. Além disso, espero poder produzir muitos outros grupos com a mesma proposta que o High Hill, mostrar a influencia da Hallyu no Brasil e como nosso estilo musical também é contagiante. Por último, produzir um show de kpop com o selo da K.Ö. Apesar de já ter trabalhado em muitos como produtor de eventos, nunca realizei um show de kpop pela K.Ö., e isso é umas das coisas que mais anseio atualmente.

Fonte: Jornal da Comunidade Coreana “Mundo Feliz”

Fotos: Facebook da K.Ö. Entertainment e Koreapost.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

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