Você com certeza já ouviu falar no programa Abnormal Summit não é mesmo? Aquele programa onde vários rapazes (geralmente lindos e inteligentes) discutem assuntos mundiais pela ótica de vários países, para a rede de TV JTBC da Coreia. Hoje, vamos conhecer um pouco mais sobre o americano Tyler Rasch. Acompanhe!

Nos conte um pouco sobre você e sua família, por favor.
Meu nome é Tyler, sou americano, sou da parte nordeste dos EUA (de um estado chamado Vermont) e tenho 28 anos. Minha família é composta por meu pai, minha mãe, minha irmã mais velha e eu. Bom, como minha irmã é casada, tenho também um cunhado e um sobrinho.

Desde quando você começou a ter interesse na cultura Coreana, ou na Coreia em si?
Eu comecei a me interessar pelo país, principalmente pelo seu idioma (coreano). Antes mesmo de entrar na faculdade, eu já tinha curiosidade em aprender sobre línguas estrangeiras. Quando estava no ensino médio, só aprendíamos o francês, e como na faculdade, apareceram oportunidades de aprender novas línguas, não pude perder a chance de me dedicar a estudar todas que eu queria ter conhecimento!

No primeiro ano da faculdade, me dediquei ainda um pouco ao francês, português e espanhol (eu tinha uma professora que me ensinava a língua portuguesa, que era de Fortaleza, no Brasil e me ajudou no meu primeiro ano na faculdade de Chicago). Enquanto eu estudava essas línguas, meu amigo comentou comigo, que era bacana aprendermos as línguas faladas pelos países da Ásia, pois enquanto eu estudasse apenas os idiomas europeus, estaria estudando apenas culturas semelhantes, ou seja, o centro da minha vida não saía da Europa, e minha mente e olhos estavam fechados para o resto do mundo.

Como eu queria encontrar novos desafios em minha vida, acabei buscando novos idiomas para estudar (essa busca ocorreu nas férias entre meu primeiro e segundo ano da faculdade). Fui até uma livraria nos EUA, mas, os americanos não costuma ter livros sobre outras culturas, o máximo que eles disponibilizam são livros que falam sobre turismo dos países, que nem sempre reforçam os aspectos culturais. Procurei por livros sobre a China, Japão, Coreia, Índia, Turquia e Líbano. No caso dos livros que falavam a respeito da China, Índia e Líbano, achei alguns que tratavam apenas do aprendizado de algumas palavras e suas pronúncias, mas nada sobre a escrita dessas culturas. Já os livros sobre a Coreia e Turquia, estava disponível o aprendizado das palavras, pronúncias, até mesmo como aprender a escrever o idioma! Não apenas por toda essa disponibilidade, mas com o passar da busca, cheguei a conclusão de que essas duas línguas eram as mais exóticas dentre as citadas anteriormente, e achei que elas pudessem satisfazer o meu objetivo de encontrar novos caminhos e desafios em minha vida.

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Comprei os livros, e então comecei a estudar o coreano. Durante as férias, estudei fortemente, e comecei a tentar decorar palavras e seus significados, para tentar ir me familiarizando com a nova língua. Nessa época, eu estava estudando Relações Internacionais na faculdade, em 2007, quando o Youtube começou a criar popularidade. As pessoas da época estavam mais interessadas em conhecer essa nova forma de comunicação do que dar atenção às eleições que estavam para acontecer. Eu, em minha curiosidade, acessei o famoso site do Youtube, e busquei por “Coreia do Norte”, e o que me apareceu, foram informações e documentários a respeito dos campos de concentração e sobre os problemas quanto a questão dos direitos humanos do país.

Apesar de eu estar estudando sobre as relações internacionais, não haviam ainda nos ensinado nada sobre o lado obscuro de alguns países, então foi um grande choque para mim, talvez um pouco assustador demais. Daí, pesquisando, fiquei sabendo mais sobre a história de Ruanda, sobre os fatos e acontecimentos durante a Segunda Guerra Mundial e fiquei indignado em como tínhamos conseguido viver até ali sem saber sobre todas essas coisas que acontecia, por exemplo, na Coreia do Norte. E foi exatamente ela, a Coreia do Norte, que mudou o meu olhar e pensamento quanto a novos mundos.

Descobri coisas novas, então imaginei que se eu aprendesse a fundo o idioma coreano, até o nivel que um verdadeiro coreano sabe falar, eu, sendo estrangeiro que sabe a língua, pensei que pudesse descobrir cada vez mais novas informações e possibilitar a abertura de novas portas na minha jornada! Então comecei a procurar mais coisas sobre o península, e me aprofundei de vez na cultura coreana e tudo o que pudesse estar ligada a ela. Todos esses acontecimentos me chamaram a atenção e me levaram a buscar mais e mais a respeito, e acredito que esse estudo e interesse continuará para sempre.

Existe algum motivo em especial, para que você tenha tanto interesse pelo idioma coreano?
Meu pai é australiano e minha mãe é americana. Então em automático, desde criança era normal eu ouvir o idioma alemão, mas nunca tive a oportunidade de aprender mesmo a língua. O fato de eu ouvir falarem e eu não entender o que estavam dizendo, me deixava frustrado, irritado e obsessivo! Como Vermont era próximo a Quebec, onde se fala  francês, a única coisa que eu buscava entender, era o “por que não compreendo o que eles estão dizendo?”. O fato de não entender o idioma num espaço onde eu morava, trouxe essa curiosidade e me fez aprender e estudar muito para aprender novas linguas e não passar por situações onde eu não entendesse o que as pessoas dizem.

Há quanto tempo você está na Coreia?
Eu vim para cá, no ano de 2008, fazer um curso de 3 meses. Voltei para os EUA, e em agosto de 2011 retornei para a Coreia, para entrar na faculdade. Desde então, permaneço aqui, a quase 5 anos.

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Como você ingressou no programa “Abnormal Summit”?
Minha entrada no programa foi muito “por acaso”. Para viver na faculdade, temos que conseguir dinheiro para nos sustentar, certo? Como eu era americano e sabia inglês fluente, me chamaram para ensinar inglês a alguns alunos, mas como eu vim para a Coreia aprender o coreano, não queria que outra língua atrapalhasse o meu aprendizado, então teimei em recusar a oferta. Então procurei outros tipos de emprego em sites específicos para estudantes que procuravam trabalho e “por acaso”, encontrei um anúncio da JTBC que dizia: “Procuramos estudantes estrangeiros. Envie seu currículo e foto por gentileza. Obrigada.” Não fazia ideia do que se tratava, e como não assistia televisão, não sabia nem que JTBC era um canal famoso, mas como eles procuravam por estrangeiros que soubessem o coreano, e eu não precisaria falar inglês, mas sim, coreano, preparei rapidamente meu curriculum e foto, e enviei sem pensar duas vezes. Alguns dias depois, recebi um telefonema do canal porque eles queriam confirmar se eu sabia mesmo falar coreano. Eles perguntaram se eu poderia fazer uma entrevista na empresa e eu aceitei.

Quando cheguei na empresa, na sala de candidatos à entrevista, estavam eu e mais umas treze pessoas (era o pessoal da produção: pds, câmeras, diretor, etc). Só então fiquei sabendo que eles queriam fazer um programa de televisão com estrangeiros. Eles ofereceram trabalho, e eu apenas aceitei.

Nos EUA, eles costumam fazer programas por temporadas, então,  imaginei que na Coreia fosse o mesmo. Eu aceitei achando que era um trabalho temporário, mas não era bem isso. Era um programa contínuo, e cada vez mais, o pessoal me chamava para participar das gravações, até que a partir de algum momento, eu acabei me tornando um integrante fixo.

O que você cursava na faculdade?
Meu curso era de Relações Internacionais e/ou Politica Internacional. Fiz pós e tenho mestrado em diplomacia. Como já estou formado, agora aplico minhas teses em cursos que estudam o ensino superior da língua estrangeira. Estou analisando a forma de ensino do ensino médio na Coreia e Malásia. No Brasil, existe o programa “Ciência sem Fronteiras”, certo? Pois bem, existe um programa semelhante na Coreia e na Malásia. A análise feita é sobre como o estudo está relacionado com o Estado, como é a forma de sistematização do estudo nesses países.

Qual é o seu sonho? No que você gostaria de trabalhar futuramente?
Sonho?! Por estranho que pareça, não tenho um sonho agora! Existem milhares de coisas que quero fazer, está difícil escolher por qual começar. Tenho vontade de aprender mandarim (idioma chinês), o idioma vietnamita. Gostaria de trabalhar com negócios do tipo “Eco-Friendly”, escrever (ser autor de livros), quero aprender a programar computadores, e dar uma volta ao mundo todo (viajar); Meu objetivo agora, é realizar todos esses desejos um a um, de acordo com seu tempo.

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Você poderia comentar sobre a diferença da vida na Coreia e nos EUA?
Não sei por onde começar a falar, pois a vida entre os dois países é extremamente diferente. Mas, uma coisa que tenho percebido, é que a Coreia tem seu transito organizado, tecnologia extremamente avançada e designs incríveis! Existem estrangeiros sim, mas como a maior parte dos habitantes são coreanos mesmo, é um país mais “fácil” de morar. Se tem algo que me incomoda um pouco ainda, é que a Coreia é um país de sociedade muito conservadora e tradicional, o que traz conflitos entre as gerações, por falta de liberdade de expressão em ambos os lados.

Os EUA, é mais avançado no quesito da liberdade de expressão, o que deixa as pessoas mais confortáveis em se expressar. Por outro lado, a infraestrutura tecnológica ainda é ruim, pois existem muitas falhas em conexões e/ou sinal para o uso de celular. Não é sempre que acontecem essas falhas, mas é uma coisa que me deixa um pouco irritado.

Basicamente, para mim é assim: a Coreia é um país mais fácil para viver, mas as vezes é complicada por causa destes conflitos de geração. Já nos EUA tem-se a liberdade, mas é “complicado” de se viver por outras razões.


Entrevistado e traduzido por Pedro Barbosa.

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