As mulheres coreanas já evoluíram muito. Sua posição social e política melhorou muito em um país tradicionalmente dominado por homens, o que pode ser comprovado pela maior autoridade local, a presidente.

No mundo corporativo, entretanto, pouco mudou. É raro vermos mulheres nas salas de reuniões, ou com títulos importantes.

Lee Haeng-Hee é uma dessas mulheres raras de se ver.

Presidente Da Corning Korea, Lee Haenghee. Foto: Corning Korea
Presidente da corning korea, lee haenghee. Foto: corning korea

Aos 52 anos, Lee Haeng-Hee é presidente da Corning Korea, unidade local da firma americana de materiais Corning, e a personificação de como o trabalho duro, a paixão e a persistência de uma mulher podem quebrar preconceitos.

Ela começou a trabalhar na Corning Korea em 1988 na área de serviços ao cliente e, passo a passo, finalmente chegou ao topo em 2004. “Olhando para trás, sinto-me agradecida de ter um local para trabalhar e ter meu valor individual reconhecido na mesma medida em que me esforço”, conta Haeng-Hee. “Um dos sete valores-chave da Corning é o respeito ao indivíduo e foi isso que me motivou”.

Apesar de estar na posição mais alta há 12 anos, a presidente ainda demonstra paixão no que faz. Também é modesta e tem os pés no chão, o que se opõe à imagem estereotipada de que uma mulher bem-sucedida seja fria e apenas carismática.

No começo, Haeng-Hee teve dificuldades para se familiarizar aos termos técnicos e jargões da indústria de materiais. Ela é graduada em história e tem PhD em negócios.

A única solução seria se esforçar continuamente para se acostumar com o espaço. Aos fins de semana e em algumas manhãs, ela ia ao trabalho estudar os produtos. “Eu digo que me formei na ‘Universidade de engenharia da Corning’”, afirma. “Mas estudar apenas os produtos da Corning não foi suficiente. Eu tive que estudar os produtos das empresas dos clientes para convencê-los de por que iriam precisar dos produtos da Corning. Eu não aguentava não conhecer os jargões e os produtos”.

Mesmo com todo esse conhecimento, o negócio de materiais era um lugar difícil para uma mulher. A Corning Korea fornece vidro, cerâmica e outros materiais para empresas locais. “Alguns homens me ignoravam e nunca olhavam para mim durante as reuniões. Não havia nada que eu pudesse fazer além de pacientemente continuar a falar e esperar até que eles se sentissem confortáveis em conversar comigo”.

Até mesmo hoje, depois de quase três décadas, a indústria não mudou muito. Ainda é um campo dominado por homens no qual a discriminação sexual prevalece. “Eu apenas me acostumei ao meio difícil”, diz HaengHee.

Uma coisa que a manteve forte por todos esses anos foi ironicamente a percepção tradicional de sua mãe, ela lembra. “Minha mãe era uma daquelas mulheres tradicionais coreanas que favorecia os homens, e enfatizava os papeis de cada gênero. Ela sempre tratou meu irmão melhor e nunca me elogiava. A falta de elogios me levou a estudar mais. Eu acho que isso também me ajudou a ser disciplinada e a sobreviver no mundo real. Mas ela nunca deixou de me encorajar quando eu me sentia mal”.

Para sobreviver como uma líder feminina nessa sociedade dominada pelos homens, ela reforçou a importância de seus mentores. “Ter mentores homens é crucial. As mulheres precisam entender o modo de pensar e agir dos homens com a mente aberta. Isso com certeza ajuda a ter um entendimento mais amplo”.

Mas, desenvolver seus próprios talentos é o mais importante para sobreviver em qualquer indústria. “Independente do sexo, todos devem ser profissionais capacitados. Para isso, desenvolver a si mesmo é essencial. Assim, as pessoas poderão aguentar qualquer desafio, até a discriminação invisível contra as mulheres”, completa Haeng-Hee.

Como presidente da empresa, ela acredita no empoderamento. Para aumentar a capacidade de trabalho de seus funcionários, um líder deve ser capaz de reconhecer os valores individuais de cada um.

Uma vez que um empregado percebe o quanto seu papel pode ser importante no trabalho, ele começa a se sentir confiante e orgulhoso de si mesmo, naturalmente melhorando seu desempenho”, afirma Haeng-Hee, que em 2005 entrou na lista dos “10 executivos a serem observados” do Wall Street Journal. “Os líderes devem ajudá-los a perceber esse valor individual, ao invés de apenas mandá-los fazer um monte de coisas”.

HaengHee é conselheira do Comitê Executivo de Educação da Associação de Gerenciamento Coreano desde 2006. Ela também é presidente da Associação de Presidentes Coreanos de Corporações Multinacionais, que conta com mais de 150 líderes de empresas como membros, desde 2010.


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