Ontem foi o Dia Internacional das Mulheres e não por coincidência, à noite participei de um evento organizado pela Kowin (Korean Women International Network), uma entidade diretamente ligada ao Ministério de Mulheres do Governo da Coreia do Sul e cujo grupo no Brasil é presidido pela Sra. Eun Kyung Hong e da qual a nossa editora-chefe Carol Lee é uma das membras associadas. Foi uma palestra proferida pela Profa. Sang Mi Lee, pedagoga e mestra em educação com especialização em aconselhamento psicológico pela Universidade Yonsei e conselheira pela Associação de Psicologia da Coreia. O título: “Pais Que Crescem Juntos Com os Filhos”.

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Presidente da Kowin Brasil, Sra. Eun Kyung Hong.
Profa. Sang Mi Lee, pedagoga e mestra em educação.
A palestrante Profa. Sang Mi Lee, pedagoga e mestra em educação.

Além de pai de duas crianças, sou membro fundador da ONG Inovar Educação, que trabalha na área educacional, então fui com grande interesse. Sei que na minha coluna geralmente falo sobre minha vida ou sobre experiências relacionadas à comunidade coreana, mas achei interessante e também relevante falar um pouco sobre as coisas que ouvi ontem. Ah… e antes de falar sobre o evento em si vale destacar que tivemos a ilustre presença do Cônsul Geral Sr. Young Jong Hong, que abriu o evento falando sobre a importância da educação e também do presidente da Associação Brasileira dos Coreanos, Sr. Yeo Jin Kim, do presidente da Associação Brasileira de Educação Coreana, Sr. Wilson Jikal e da diretora do Centro de Educação Coreana, Sra. So Yeon Kim.

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Da esquerda para a direita: Sr. Wilson Jikal, Sr. Young Jong Hong e Sr. Yeo Jin Kim.

E o evento foi: super bacana! A única chateação é que teve um pequeno coquetel com comida coreana, café, bolo e outros quitutes, e a minha esposa e eu tínhamos jantado antes de ir… enfim… Agora, a palestra… não desapontou! Não conseguirei falar sobre tudo que foi abordado, mas gostaria de ressaltar dois pontos que eu considerei importantes na minha visão pessoal: (1) a questão da identidade cultural na educação e (2) considerações sobre a educação dos filhos.

Primeiro, a questão da identidade cultural. “Quem sou eu?”, é uma pergunta que muitos jovens se fazem, mas isso traz um componente a mais para um descendente de coreanos. Porque mesmo que tenham nascido no Brasil e pensem que são brasileiros e que pensem como tal, na verdade não o são completamente, sempre haverá alguma influência das suas raízes, sem saberem. E isso influencia em maior ou menor grau no relacionamento com os pais e sua educação. E sabem, eu tive três grandes crises de identidade na minha vida, uma durante o colegial, uma na faculdade e uma por volta dos 30 anos. Porque nunca é fácil responder o que eu penso que sou, ficar imaginando o que os outros pensam de mim ou indo mais longe ainda, o que eu penso que os outros pensam que sou. Hoje tenho uma “cabeça mais tranquila”, mas durante um bom tempo isso acabou sendo um grilo para mim e fico feliz de viver no Brasil, um país que lida melhor com essa questão da multiculturalidade, apesar dos pesares.

Segundo, as considerações sobre a educação dos filhos. Claro que não vou conseguir condensar uma hora e meia de palestra em um parágrafo, mas o que eu aprendi é que precisamos ter um relacionamento honesto e sincero com os nossos filhos, fazer com que se sintam confortáveis em conversar conosco, pois disso depende em como eles irão agir fora de casa. Se são maltratados em casa, provavelmente farão o mesmo fora. E o dado triste é que a maioria dos pais acha que está fazendo o melhor para os filhos, mas na realidade não estão. Porque apesar de nascerem deles, os filhos não são propriedades dos pais e muitos agem como se fossem. Por outro lado, além de pai eu sou um filho também e nas muitas coisas que ouvi, coloquei-me sob o ponto de vista de um filho e a palestra me fez pensar em fatos passados. Posso dizer que foi uma experiência muito positiva!

Bruno Kim, ou seja, eu, fazendo uma pergunta sobre a questão da identidade cultural
Bruno Kim (ou seja, eu!) fazendo uma pergunta sobre a questão da identidade cultural.

Não sei quantos de vocês tem filhos e é claro que cada um tem ou terá a sua própria experiência que nunca será igual à experiência dos outros. Mas a mensagem que deixo a vocês (e que claro, vale para mim também) é que precisamos sempre amar, sermos pacientes e abertos a aprender e mudar para que possamos fazer o melhor pelos nossos filhos. E como filhos, respeitar e entender aqueles que nos colocaram neste mundo.

Diretoria da Kowin Brasil, em nome de quem parabenizo todas as mulheres pelo seu dia!
Diretoria da Kowin Brasil: mulheres coreanas-brasileiras super poderosas!

E para as mulheres que seguem a minha coluna, desejo um feliz Dia Internacional das Mulheres atrasado, mas de coração! Que todas vocês sejam felizes no seu dia e em todos os outros dias do ano! E continuemos nossos esforços para que as mulheres sejam tratadas justamente e com respeito, em qualquer idade e em qualquer lugar do mundo, porque sei que nem tudo são flores para muitas de vocês…

 

 


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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