Park Jin-Young, o fundador da JYP Entertainment e super-produtor de grupos de Kpop que incluem Wonder Girls, GOT7 e mais recentemente Twice, deseja aumentar a popularidade do Kpop em solo americano. Para isso e seguindo a tendência de grupos americanos formados recentemente, ele pretende apostar na multiculturalidade.

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Grupo Wonder Girls. Foto: Pinterest.com

Não podemos continuar somente enviando estrelas coreanas para fazerem sucesso na América e achar que isso continuará acontecendo pra sempre.  É hora de construir algo juntos“, declarou Jin-Young numa entrevista para a CNBC lançada em 24 de outubro de 2016. E o entrevistador, Chery Kang, imediatamente perguntou: “Integração total com talento estrangeiro e coreano?”

E, JYP respondeu: “Sim! Temos de tentar entender o lado de cada um e fazer algo juntos. Sua cultura e nossa cultura juntas!”

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Park Jin Young. Foto: Goodmusic.net

Isso, de acordo com JY Park, é o “Futuro do K-pop”.

Mas isso não é realmente uma surpresa. O K-Pop já possui super-fãs ocidentais como Jason Ray, um garoto que fez uma audição para afro-americanos na Coreia do Sul e, através de seus covers incríveis, que acumulam mais de 13 milhões de visualizações no YouTube, angariou  fãs de K-pop em várias partes do mundo, que agora conhecem músicas das bandas BTS, Red Velvet e BlackPink.

Veja o cover Jason Ray, para Whistle da Black Pink:

Artigos sobre a música e a cultura coreana escritos nos veículos de comunicação americanos atraem comentários sinceros e, por vezes, de fãs não-coreanos ou não-asiáticos, quase implorando, e perguntando se é possível o K-Pop fazer parte da indústria do K-pop.

Como por exemplo, num artigo intitulado “SM Entertainment e JYP Entertainment anunciam novas audições – Globais e Locais” pode-se encontrar os seguinte comentários: “Olá, meu nome é Ndifreke Imoh, eu sou um artista da Nigéria e meu sonho é me transformar num ídolo de kpop. Por favor, você pode me dar algumas dicas em como começar?  Me incomoda o fato de eu não ser da Ásia e não saber como começar. E por favor, me aceitem embora eu seja da África. Obrigado“.

Oi, sou María del Mar Artigas Rodríguez. Eu amo k-pop, e eu quero fazer uma audição para JYP Entertainment. Eu sou da Espanha, então eu vou ter que fazer a audição via Internet. Mas, de qualquer forma, eu vou fazer o meu melhor. Tenho quinze anos e estou numa escola de música. Eu toco violoncelo, e já participei de vários corais e também atuei em musicais na minha academia inglesa. Eu fiz balé quando eu era pequena, então eu meio que me lembro de algumas coisas. Eu sei música porque eu estudo em uma escola de música, eu estudo lá desde que eu tinha 7 anos de idade, então você pode imaginar. Outra coisa que pode ser útil, eu falo espanhol, claro, eu tenho um nível B2 em Inglês, eu me arranho no francês, e eu sei apenas algumas palavras em japonês. Eu sei que os ídolos do k-pop têm uma vida dura, mas estou determinada a me tornar uma não importa o quê. Eu adoro cantar e k-pop. Vocês acham que eu tenho chances de me tornar uma artista?

Todos os anos vemos artistas como Allysse, se apresentarem na KCON nos palcos menores do lado de fora, recebendo amor da multidão. Allysse recentemente lançou um single coreano, bem como um cover inovador em inglês e coreano da musica da cantora Aaliyah, At It’s Best.

https://www.youtube.com/watch?v=oa6wH6hzUNE

E, claro, vimos as filas das audições globais, cheias de não-coreanos e não asiáticos esperançosos por uma oportunidade de alcançar seus sonhos e aspirações.

Finalmente, há os espetáculos inspiradores de estrangeiros no festival anual da KBS – Kpop Cover World Festival, que é basicamente a Copa do Mundo de Covers de Kpop, porque reúne talentos incríveis de todo o mundo para competir na Coreia com performances de cair o queixo e que são quase tão boas quanto as originais de K-pop.

No Kpop World Festival 2016, o prêmio de melhor desempenho foi ganho por uma equipe da Nigéria chamada Supreme Task. E, o grande prêmio foi ganho por uma cantora solo dos Estados Unidos, Britaney Chanel.

Vejam a apresentação de Fire do BTS pelo grupo de cover Nigeriano Supreme Task:

Depois dessas conquistas incríveis, o que se pode dizer a esses talentosos artistas? “Ok, é isso. Você já provou a glória e emoção, mas isso é tudo que temos para você. Você pode ir para casa agora.”

Isso deve doer. Se o K-pop permanecer estritamente coreano, se sobreviver às vicissitudes do tempo e da maré, criará um boulevard de sonhos frustrados. E, quanto tempo irá demorar para as lágrimas derivadas destes sonhos frustrados, lavem aquilo que tanto a indústria como os fãs estão tentando proteger?

Nesse ponto, a JYP está saindo na frente.

Estes chamados “estrangeiros” não estão pedindo para assumir o gênero, eles simplesmente gostariam de “se acrescentar” ao já crescente sucesso. E, de forma própria realmente fazer o K-pop ser levado mais a sério na América e fora da Ásia, em geral. Esses artistas estão usando seu talento e esforço para desenvolver o K-pop, e não miná-lo.

Há rumores, não confirmados, de que uma das razões ou barreiras para o K-pop ganhar terreno na América, é porque quando um executivo olha para grupos de K-pop que poderiam fazer o cross-over, eles são sempre uniformemente asiáticos, especificamente coreanos. Na América, existem muito poucos grupos que são de raça única.

Pense no grupo Little Mix. Sim, elas são do Reino Unido, mas elas estão entrando fortemente no mercado dos Estados Unidos. Outros exemplos são Fifth Harmony e All Saints. Em todos, as integrantes são de etnias variadas.

Fonte: Full HD Pictures
O Grupo Fifth Harmony. Foto: Full HD Pictures

Nem mesmo o One Direction era homogêneo. Os dias de grupos homogêneos como NSync e Black Street Boys estão basicamente acabados. Os grupos de pop de hoje tem que ter diversidade.

Esqueça o marketing – considere por um minuto que os executivos também têm filhas e filhos. Seus amigos e sua clientela também têm filhas e filhos. E, você está pedindo-lhes para promover algo que eles não são capazes de participar plenamente. Não é a maneira americana.

Então, levando a liderança do JYP, os fãs não-coreanos do K-pop devem abraçar a transição. Depois de assistir às apresentações do Kpop World Festiva 2016 e como o público local cantou para eles como se fosse a coisa real, pode-se dizer que os fãs coreanos estão prontos.


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