Foto: Soompi

No recente sucesso de bilheteria coreano “Extreme Job”, o traficante Lee Moo-bae (interpretado por Shin Ha-Kyun) tem uma guarda-costas chamada Sun-hee. Alta, de poucas palavras, usando um terno preto e com os cabelos puxados para cima em um rabo de cavalo, ela se livra de todos os capangas do cartel de drogas rival com eficiência. Ela não diz uma palavra nem demonstra qualquer emoção em seu rosto. Seu único objetivo é defender seu chefe de todos os perigos possíveis.

Assim como o ator Lee Jung-jae atraiu o público feminino com seu carismático guarda-costas no famoso drama “Sandglass”, transmitido pela emissora SBS em 1995, Sun-hee cumpre fielmente cada tarefa designada por seu chefe e as faz com perfeição.

Na televisão, a protagonista do drama “My Lawyer, Mr. Jo 2: Crime and Punishment”, em exibição pela KBS, tem uma mulher como secretária e braço-direito. Cheia de habilidades físicas, a secretária acompanha sua chefe a todo momento e a protege lealmente.

Especialistas explicam que os dramas e filmes coreanos estão progressivamente apresentando personagens femininas mais fortes, refletindo uma mudança de perspectiva sobre as mulheres.

À medida que a sensibilidade das pessoas para questões como igualdade de gênero crescia, existia um desequilíbrio em termos de proporção entre heróis e heroínas no Universo Marvel. Comparando com a quantidade de heróis, existiam pouquíssimas heroínas” afirma o crítico cultural Jung Duk-hyun. “Eu gosto de pensar que, atualmente, o mundo está mudando em busca desse equilíbrio. Ao que parece, a Coreia está em sintonia com essa tendência mundial, como acontece em Hollywood.”

O Universo Cinematográfico Marvel lançou seu primeiro filme com uma heroína solo, “Capitã Marvel.” De caráter abertamente feminista e sob ataque de misóginos, o longa da super-heroína está quebrando bilheterias ao redor do mundo. Nele, Carol Danvers, vivida por Brie Larson, que foi constantemente orientada a controlar seus poderes pelo seu mentor, quebra esse domínio e liberta sua força. Na última cena, Danvers, que redescobriu sua identidade e sua força, voa alto para o céu aberto.

Capitã Marvel – Foto: The Hollywood Reporter

Na mesma linha, a ciborgue Alita em “Alita: Anjo de Combate” reformula o papel tradicional da mulher no filme. Alita, aparentemente frágil, é uma guerreira que encara uma missão perigosa para resgatar seu amado, cuja vida está em risco.

O que Capitã Marvel e Alita têm em comum são seus enredos: duas heroínas com poderes inatos que tanto recuperam suas memórias e suas identidades, como rompem com as rédeas de uma sociedade patriarcal e opressora.

Foto: The Korea Times

Angela Lee, crítica de cinema, explica que “Capitã Marvel” é diferente de “Mulher-Maravilha”. “O traje da Mulher-Maravilha foi feito, visualmente, para agradar aos espectadores do sexo oposto. Além disso, ela luta ao lado dos homens para proteger uma sociedade que não prioriza as mulheres. Já Capitã Marvel não projeta as mulheres como objetos do prazer masculino. Ela é uma personagem completamente diferente“, esclarece.

Jung relata que o atual clima de diversidade de Hollywood está relacionado à expansão do seu mercado. “A temática atual dos Estados Unidos, centrado no homem branco, atingiu o seu limite. Para atrair mais consumidores, é preciso diversificar seu foco para raças, gêneros e minorias menos exploradas. E, com isso, é natural a criação de personagens que representem essas pessoas“, explica. “Capitã Marvel é sobre a reconquista dos direitos das mulheres, mas também é sobre a solidariedade entre pessoas marginalizadas. Ela luta com refugiados para dar fim a um genocídio cósmico“.

De acordo com Jung, personagens femininas de filmes e dramas coreanos estão sendo reinventadas nessa mesma direção. “Apesar de persistirem algumas falhas em termos de questões de gênero, a forma como as personagens femininas são representadas reflete as necessidades de uma época. Por exemplo, nas décadas de 70 e 80, quando dramas familiares e melodramas eram o auge, as mulheres continuavam a ser representadas como nora ou como uma simples integrante da família. Hoje em dia, fala-se no fim desses formatos, pois esses papéis estereotipados não ecoam nas pessoas contemporâneas. Os formatos atuais respondem melhor às necessidades do público, que conseguem se identificar com protagonistas que enfatizam mais seu profissionalismo do que sua feminilidade, como Kim Hye-soo em Signal, que interpreta uma detetive veterana, e a inspetora policial vivida por Doona Bae em Stranger.

Até dramas românticos tentam equilibrar os papéis de ambos os gêneros, abrindo mão da ideia conservadora de relacionamento, na qual a mulher é submissa ao homem. Caso contrário, as pessoas não se identificarão com eles.”


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