Tudo indica que a Coreia não é uma sociedade feliz. O país teve a taxa mais alta de suicídio entre os países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) no ano passado. A taxa de suicídio da Coreia é de 29,1 pessoas em cada 100.000, mais que o dobro da média da OCDE de 11,9 pessoas. Uma pesquisa com 1.000 coreanos com idades entre 20 e 59 anos mostrou que 36 % dos entrevistados dizem estar descontentes com sua vida. Um terço dos entrevistados relatou ter sofrido estresse emocional e 56 % disseram suspeitar que tinham depressão.

No entanto, outra pesquisa de saúde recente nos países da OCDE, o Relatório Health at a Glance 2015 mostrou que a Coreia é o segundo menor consumidor de antidepressivos entre os 28 países pesquisados. A dose diária definida por 1.000 pessoas por dia para a Coreia situou-se em 20. O Chile foi o menor com 13, enquanto a média dos países da OCDE foi de 58. Os dados do consumo de antidepressivos mostram que algo está errado. Apesar de ter a maior taxa de suicídio e marcando mal em indicadores de felicidade e satisfação com a vida, os coreanos estão lá em baixo quando se trata de tomar medicação para tratar a depressão.

Há uma explicação simples para esse fenômeno: O estigma social ligado a condições de saúde emocional. A saúde emocional é um assunto tabu principalmente porque os portadores de doenças mentais sofrem um preconceito considerável na Coreia. O estado de saúde emocional de uma pessoa não é um assunto a ser comentado, nem mesmo entre familiares e as pessoas são extremamente relutantes em consultar médicos a respeito disso. Os pacientes e suas famílias escondem essas condições e não procuram ajuda médica até que a doença tenha progredido ao ponto em que não pode ser ignorada ou escondida. Só que, normalmente à esta altura, as doenças são muitas vezes mais difíceis de tratar.

A depressão, fator que pode levar a tentativas de suicídio em 15 % de pacientes, pode ser adequadamente controlada com medicação. Os médicos geralmente concordam que 90% dos casos de depressão melhoram dentro de quatro a oito semanas após o início do tratamento com antidepressivos. É lamentável que a maioria dos coreanos lutem para lidar com a depressão por conta própria quando a medicação pode melhorar muito suas vidas e pode impedi-las de pensarem em algo tão radical quanto o suícídio. Procurar ajuda médica numa fase precoce pode salvar muitas vidas. O país precisa trazer a saúde emocional à discussão pública e trabalhar para remover o estigma social que se coloca no caminho da busca de tratamento.

Na Coreia do Sul as pressões para um bom desempenho na escola e no trabalho estão levando a depressão. Além disso, as barreiras culturais enfrentadas pelos sul-coreanos muitas vezes desencorajam os indivíduos a buscar tratamentos de saúde emocional. Como a maioria das nações da Ásia, a Coreia do Sul não tem um conceito bem desenvolvido de doença mental, especialmente como uma doença tratável. Certamente, o modelo consumista baseado na recuperação que existe no Ocidente não foi implementado lá. Além disso, há muito preconceito ligado aos transtornos mentais, o que significa que as pessoas estão sofrendo muito, porque tem vergonha de procurar o tratamento de que necessitam, a fim de lidar e, eventualmente, recuperar-se daquelas sensações negativas.

Para reduzir o tempo médio de permanência em hospitais para tratamento de doenças mentais, mais instalações residenciais seriam necessárias. No entanto, novamente, o estigma social gera uma forte atitude de “não perto de mim” por parte de muitas comunidades residenciais na Coreia, o que dificulta a reintegração das pessoas com transtornos mentais na comunidade.

Como nação, a Coreia tende à homogeneidade e conservadorismo e isso se reflete em suas leis e costumes. As pessoas na rua olham e comentam sobre aqueles cujo comportamento desvia das normas sociais normalmente aceitas. O público em geral tende a evitar as pessoas com deficiência e a se distanciar de indivíduos que são, obviamente, ”diferentes”. Isso, é claro, acontece em outros países, mas talvez seja mais pronunciado na Coreia, devido principalmente às tradição Confucionista que vê a doença mental, como castigo imposto por espíritos sobrenaturais devido a erros cometidos pelos antepassados do individuo ou, em algumas vezes o depressivo é julgado como alguém que possui uma falha de caráter intencional. Do ponto de vista de Confúcio, qualquer tipo de desvio de uma norma representa uma dissonância do estado ideal de harmonia. Aqueles com doença mental são temidos porque seu comportamento é, na maioria das vezes, imprevisível. Famílias com um membro doente mental normalmente vivem em silêncio e tentam esconder o fato da comunidade.

Apesar de tecnológica e economicamente avançada, a sociedade coreana sofre a falta de inteligência emocional, o que a longo prazo pode afetar significativamente o crescimento do país.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



4 COMENTÁRIOS

  1. Poxa, ótimo post! Isso era uma dúvida que eu tinha faz tempo. Sempre me perguntei como funcionava o tratamento de doenças emocionais já que na Ásia a taxa de suicídio é tão alta. Me perguntava o que acontecia com pessoas surdas, cegas, cadeirantes etc. Que triste isso.

    Sabes dizer algo a respeito de violência doméstica, abuso infantil e estupro? Um país que sexualiza tanto suas crianças (pra mim aqueles idols são um bando de criança rebolante), me faz pensar o que realmente acontece na Coréia comum. Já ouvi falar que tem um filme do Gong Yoo sobre abuso infantil de pessoas surdas mas não tive coragem de assistir. 🙁

  2. A sensação que tenho é que esta é uma matéria paga por alguma empresa fabricante de antidepressivos. No primeiro parágrafo temos “tudo indica que a Coreia não é uma sociedade feliz” e logo no segundo temos “no entanto, outra pesquisa de saúde… mostrou que a Coreia é o segundo menor consumidor de antidepressivos entre os 28 países pesquisados”. Então, concluímos que um país que não tem uma política de oferecer antidepressivos aos seus cidadãos é um país infeliz? O suicídio é um problema na Coreia? Sim, é. Mas os motivos que levam alguém a se suicidar vão muito além do que foi superficialmente abordado no texto. Acaba misturando questões filosóficas com crendices, onde estão as fontes das informações? Dizer que a sociedade coreana sofre com falta de inteligência emocional? Em que base? Eu tenho um primo que vive na Coreia e tem problemas mentais severos. Garanto a todos que ele é tratado corretamente e não sofre nada do que foi relatado no texto. A Coreia não é nenhum paraíso. Mas o problema é que informações como estas fazem com que pessoas que desconhecem a cultura e a sociedade coreana tirem conclusões como a pessoa acima que diz “sabes dizer algo a respeito de violência doméstica, abuso infantil e estupro? Um país que sexualiza tanto suas crianças, me faz pensar o que realmente acontece na Coréia comum”. Ora, um país onde uma criança de cinco anos desce na boquinha da garrafa e a promiscuidade rola solta, tem problemas maiores. Desculpem se ofendo alguém, amo o Brasil e amo a Coreia, mas assuntos assim tem que ser tratados com maior seriedade.

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