Mães adolescentes sul coreanas não tem recebido a atenção médica suficiente e tendem a ter bebês prematuros três vezes mais do que mães em outras faixas etárias. Isso se deve parcialmente ao estigma que ronda a gestação na adolescência e as mães solteiras, como mostra um estudo realizado em agosto.


A pesquisa, compilada por um time de médicos do Centro Médico SMG-SNU Boramae em Seul, analisou dados do governo sobre 463.847 mulheres que sofreram abortos ou deram à luz em 2010.

De acordo com os resultados da pesquisa, 42% de todas as mães adolescentes fizeram quatro ou menos visitas a clínicas hospitalares durante a gravidez. Além disso, 14,4% delas nunca receberam check-ups de gravidez.

Os números foram significantemente diferentes para mães entre 20 anos ou mais velhas. Apenas 11,6% delas fizeram quatro ou menos visitas pré-natal, enquanto apenas 3% não visitaram clínicas médicas.

Um total de 3,7% de todas as gestantes adolescentes passaram por nascimentos prematuros, que foram muito mais elevados do que a proporção de mães entre 20 anos ou mais que passaram pela mesma experiência – que foi de 1,3%.

Na Coreia do Sul, grávidas em geral recebem recomendações de fazerem de 13 a 15 visitas para check-ups durante a gravidez.

Seung-Mi Lee, uma das pesquisadoras do estudo, escreveu que não passar pelos check-ups de pré-natal aumenta os riscos de diversas complicações, incluindo partos prematuros.

Pelo menos 50% dos nascimentos prematuros podem ser prevenidos se a mulher receber cuidados pré-natal, ela adicionou.

Visitas de pré-natal são importantes porque são a principal forma das gestantes receberem diagnósticos de complicações durante a gravidez, como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional.

Partos prematuros também são comuns em mães adolescentes em outros países.

Em 2010 um estudo publicado em um jornal científico britânico descobriu que grávidas entre 14 e 17 anos possuem maiores riscos de partos prematuros e de dar à luz a bebês abaixo do peso – especialmente se estiverem tendo o segundo filho ainda na adolescência.

É possível que o risco elevado de complicações na gravidez seja relacionado a imaturidade biológica”, de acordo com uma citação da revista Science Daily do Professor Louise Kenny, obstetra e ginecologista consultor da Cork University Maternity Hospital.

Também é possível que o risco elevado desses resultados na segunda gravidez adolescente seja relacionado a inúmeros fatores complicadores como maior privação social e menos cuidados pré-natal”.

Isso se deve ao fato de mães solteiras e gravidezes na adolescência ainda serem consideradas um tabu na Coreia.

De acordo com registros, a taxa de nascimentos fora do casamento em 2010 foi de 2,1%, significantemente menor do que em países como Noruega (55 por cento) e Irlanda (64,1 por cento).

GRAVIDEZ TEXTO

Seung-Mi afirma que muitas mães adolescentes são mães solteiras, e aquelas que nunca receberam tratamento pré-natal são as mesmas que foram forçadas a esconder sua gravidez.

Uma ONG que luta pelos direitos dos jovens reportou que o número de violações dos direitos humanos contra mães adolescentes, incluindo entrega forçada a adoção, deserção pelos pais, bem como procedimentos abortivos forçados.

Um estudo de 2009 feito pela Studies on Korean Youth, que consultou um total de 15 mães adolescentes solteiras, também mostrou que mais da metade das mulheres estavam pensando ou já haviam enviado seus filhos para adoção, porque não possuíam suporte social e financeiro suficiente. Além disso, 86% delas haviam fugido de casa, e todas foram criadas por famílias de baixa renda.

Seung-Mi afirma que todas as mães merecem receber os cuidados pré-natal apropriado independente de sua idade e status matrimoniais.

Complicações durante a gravidez pode levar a resultados fatais sem os cuidados e diagnóstico apropriados“ ela escreveu. “É extremamente importante fornecer tanto educação quanto cuidados às jovens grávidas que estão em risco”.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



1 COMENTÁRIO

  1. Esse é um assunto que devia receber mais atenção, e oi importante saber como esse “tabu” é tratado na Coreia, muito obrigada por trazer informações assim!!!

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