BTS Foto: Astrid Stawiarz/ Getty Images

O sucesso do BTS hoje pode ser comparado aos dos Beatles nos anos 1960?

Os fãs de Beatles considerariam tal comparação uma desonra, mas para os ARMY, os integrantes do BTS são tão bons que nenhum outro músico se compara, independentemente do legado de décadas.

Apesar das opiniões distintas, alguns dizem existir um paralelo entre os dois. Eles afirmam que, o que o famoso grupo sul-coreano tem feito no cenário musical global lembra o fenômeno cultural iniciado pelos Beatles em 1960, apelidado de “Invasão Britânica”. Naquela época, uma onda de bandas britânicas hipnotizava jovens americanos.

Embora seja difícil responder se o BTS hoje é tão influente ou se será tão duradouro como os Beatles tem sido, existem muitos pontos que podem ser considerados ao se comparar esses grupos tão diferentes.

O que os Beatles tinham e o que o BTS não têm, e o que o BTS têm e os Beatles não tinham nos anos 1960 ― essas são questões que podem ser respondidas.

O Fandom

Antes do BTS, muitos grupos de K-pop lutaram por muitos anos para se tornarem tendência no mercado norte-americano, começando pelo Wonder Girls da JYP Entertainment e SHINEE, Girls’ Generation e EXO da SM Stertainment. PSY fez muito sucesso com seu divertido clipe de “Gangnam Style” em 2012, que fez dele uma estrela global, mas que durou pouco tempo.

O BTS virou o jogo na história do K-pop, alcançando o que nenhum outro grupo foi capaz.

Seu sucesso está em seu enorme fandom mundial. Enquanto os Beatles criaram o Beatlemania, o BTS tem o ARMY, um fandom verdadeiramente internacional

Mas não é exagero dizer que a mídia social aproximou o BTS de seus fãs. A história teria sido diferente se o Twitter existisse em 1960 quando os Beatles chegaram aos EUA.

BTS no Grammy. Foto: Michael Kovac/Getty Images

“Não se pode dizer que o sucesso do BTS aconteceu sem a presença dos ARMY”. escreveu Mimyo, uma colunista. “O que tornou possível a presença do BTS no American Music Awards foi o ARMY. Os membros do fandom estão desarticuladamente unidos , mas como um grupo eles são apaixonados e solidários com os idols do BTS. Eles compartilham da mesma plataforma online chamada Twitter”, ela acrescentou.

De acordo com o Next Big Sound, os fãs do BTS no Twitter superaram o número atual de seguidores dos Beatles, com 36,79 milhões de tweets mencionando o BTS, enquanto os Beatles tinham 23 milhões.

Entretanto, a quantidade de seguidores no Twitter não significa necessariamente que eles estejam consagrados como artistas. Popularidade é um dos fatores que podem avaliar o impacto cultural de um artista em outros países. Mas também é igualmente importante avaliar como um estilo de música impacta a cultura de outros países.

Se tratando de reconhecimento, o BTS ainda tem um longo caminho a percorrer se comparado com os Beatles. A banda britânica teve 21 músicas no topo do Billboard Chart, enquanto o BTS colocou apenas um pé na escada.

BTS no MMA, 2013. Foto: Amino App/ Sheree

Deve-se notar, contudo, que os Beatles conseguiram isso ao longo de seus 10 anos ativos como um grupo depois de começarem a se apresentar em locais pequenos e decadentes. Os integrantes do BTS tiveram anos de audição e treinamento antes do debut em 2013, e o tempo do grupo no mundo da música global – até agora – foi muito mais curto do que o dos Beatles.

Apenas nesta semana, as músicas dos Beatles foram escutadas 550,485,535 vezes, enquanto a música mais recente do BTS ficou com 1,426,773. Isso mostra que o BTS tem uma densa popularidade em integrantes específicos, enquanto os Beatles ― mesmo sem lançar novas músicas ― ainda desfrutam de uma duradoura popularidade.

As Músicas

O público também precisa considerar que, diferente de outros grupos de K-pop, o BTS começou como um grupo de hip-hop. Ao invés de elogiar ou lamentar o amor e relacionamentos, o BTS aborda questões sociais em suas letras, como problemas na escola, individualidade e até mesmo o tabu saúde mental.

“Por muito tempo, os grupos de K-pop não ofereciam tanto realismo como o BTS. De 2009 a 2015, eles geralmente cantavam sobre amor, tristeza, amizade e emoções do tipo. No entanto, o BTS também fala das dificuldades e lutas diárias ,que são mais realistas para os jovens”, disse Tamar Herman, um colunista da Billboard.

As letras do BTS atraem fãs no mundo todo porque eles estão se baseando em experiências pessoais.

Antes de se tornarem estrelas globais, havia pouco para distingui-los de outros grupos desconhecidos no K-pop. A sua agência, Big Hit, foi uma espécie de startup cuja influência e networks não se comparavam às 3 maiores empresas do ramo (BIG 3) ― chamadas SM, JYP e YG. Por causa de seu humilde começo, o BTS lutou muito para ganhar a atenção dos fãs.

“Na trilogia HYYH do BTS (em inglês, trilogia ‘The Most Bealtiful Moment in Life’), por exemplo, sua história reflete o que jovens ao redor do mundo estão passando. Eles assistiram outros cantores ganhando prêmios de seu estúdio de treinamento de 17 metros quadrados, em um prédio de três andares em Nonhyeon-dong. Eles estão sempre presos em um estúdio fedorento e sem fim, fugindo da realidade, porque não têm escolha diante das dificuldades “, disse Mimyo.

Isso é o que coloca BTS e Beatles em paralelo, cantando sobre aqueles que encaram a falta de sentido no mundo. Durante a metade dos anos 1960, os Beatles começaram a fazer letras mais controversas e provocantes, cantando sobre lugares no mundo, e condenando a Guerra do Vietnã e ações políticas.

Agora os assuntos mudaram para desemprego, discriminação, fracasso e identidade. As pessoas deste século podem se relacionar com as letras do BTS, ainda mais se escutarem sobre seus próprios esforços e em como eles emergiram do fundo do poço ao topo, nesse mundo competitivo dos negócios.

Um Grande Passo para o Kpop

No entanto, na maior parte do tempo, o legado dos grupos de K-pop e suas colaborações internacionais são mais elogiadas na Coreia do que globalmente. PSY ascendeu como uma “estrela mundial”, mas falhou em reproduzir o feito.

As pessoas devem perceber que o BTS não ganhou prêmios além do ‘Social Media’. Seus talentos artísticos ainda não chegaram ao ponto de serem notados pelos cidadãos norte-americanos. Se eles ganharem o prêmio de ‘melhores novos artistas’ no Grammy, esse seria um grande ponto para provar suas realizações”, pontuou Herman. (Obs. Quando este artigo foi orginalmente publicado, o BTS ainda não tinha ganho o prêmio de TOP GROUP OR DUO no Billboard 2019)

BTS ganhando prêmio de ‘Top Social Artist’ no BBMAs, em 2017. Foto: Billboard

Críticos pontuam o idioma como outro obstáculo para a fama, enquanto que para os Beatles não houve uma barreira linguística para entrar no mercado norte-americano.

“Públicos que consigam falar coreano nos EUA são imensamente restritos. RM é o integrante que melhor sabe falar inglês no BTS, mas como um grupo, acabam sendo redundantes nas entrevistas. A barreira linguística é um grande problema”, disse Herman.

O fato do K-pop poder se tornar um fenômeno como a ‘Invasão Britânica’ é incerto. Voltando ao questionamento do impacto cultural do BTS, os críticos concordam que ainda é cedo para decidir se eles podem se tornar o Beatles do século 21, sem considerar o K-pop a próxima ‘Invasão Britânica”.

“O público da K-Con, um evento de K-pop iniciado pelo CJ Group, aumentou de 20.000 para 80.000 pessoas após o BTS se tornar famoso nos EUA. A dinâmica do público é amplamente distribuída, diferindo em raça, nacionalidade e classificação socio-econômica”, disse Kim Young-dae, um crítico de música que assistiu a ascensão e queda do K-pop enquanto morou nos EUA por uma década. “Até as crianças brancas de classe média compram passagens de avião para ir a shows do BTS.”

No entando, Kim percebeu que os fãs do BTS deveriam ser separados dos fãs de K-pop no geral. “O número de participantes na K-Con aumentou porque as pessoas foram ver o BTS, não por amarem K-pop”, ele disse.

A indústria do K-pop se desenvolveu e chegou ao auge com “Boy With Love”, mas deve seguir em frente, sem ficar cega de amor.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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