Gosto muito de um programa coreano chamado “Kim Jae-Dong Talk to You”. É um programa que ouve preocupações das pessoas que estão platéia e que não de artistas, como normalmente fazem em programas de auditório coreanos. E um dos temas mais citados é “trabalho” e vou aproveitar para falar do assunto na minha coluna de hoje.

Na Coreia, muitos jovens e suas famílias preocupam-se com o futuro desde a adolescência. “A cada dia, preocupo-me mais com o futuro da minha filha”, diz uma mãe que está no programa. “Gostaria que a minha filha se formasse em faculdade e arrumasse um bom emprego”, completa. “Se eu não conseguir passar no vestibular na primeira tentativa e tiver que fazer um cursinho, sou discriminada. E terei que casar com um homem comum, ter filhos e viver uma vida comum trabalhando em uma micro-empresa” diz a filha que estava também estava na platéia.

kim jae dong - talk to you

“Eu fiz uma pós-graduação durante 11 anos”, disse o apresentador do programa Kim Jae-Dong. E outro homem da platéia comenta “eu vim ao programa depois de uma entrevista, será que vou conseguir satisfazer os requisitos da empresa”, desabafou.

Essas colocações me fizeram pensar… A pessoas nem foi aceita na empresa e já está se preocupando. Mesmo fazendo o melhor sempre haverão frustrações e decepções. Mas, no momento que está fazendo todo o possível para realizar o seu sonho, será que não se sente feliz pensando no que poderá conquistar? E quanto à menina citada anteriormente, qual é o problema de se viver como uma pessoa comum?

Trabalhar em uma micro-empresa, casar, ter filhos… Será que tudo isso é realmente viver uma vida comum? Há muitas pessoas que não podem ter essa “vida comum” por vários motivos. Existem pessoas que o maior sonho da vida delas é ter filhos ou que não conseguem ter um negócio próprio. Também existem pessoas que não podem viver com a pessoa amada.

 

rico
Imagem: Saff Asiae

Nascer em uma família rica, poder estudar em uma das melhores escolas, ter sucesso profissional… Mas será que essas pessoas que possuem tudo isso são realmente as mais felizes? No caminho da vida há muitos momentos em que temos que fazer escolhas. Mas, essas escolhas deverão ser feitas por nós mesmos. Os pais não podem decidir pelos filhos. Os que os pais podem e devem fazer é acreditar e dar a liberdade de escolha aos seus filhos e mesmo que a escolha do filho seja um caminho mais duro e sofrido, os pais devem confiar e esperar. Assim, darão a oportunidade de crescimento aos pequenos.

Vou contar uma história pessoa, foi uma situação que aconteceu há pouco tempo. Encontrei uma amiga (não descendente de coreanos) por acaso, mas não era para ela estar ali naquele momento pois era dia do vestibular dela. Mas ela dormiu às 3 horas da manhã estudando acabou perdendo a hora. E quando eu perguntei sobre a reação dos pais dela, respondeu “meus pais não falaram nada e ainda me consolaram dizendo que da próxima eu iria conseguir”, completou.

como assim

“Mas, como assim”, pensei. Eu sempre me esforço para mudar meu “pensamentos coreanos” mas senti que deveria me esforçar mais ainda porque eu estava de certa maneira com vontade de criticar ela.

No mesmo dia, meu filho foi prestar vestibulinho na ETEC. E ele não foi aprovado. Hoje entendo que isso ocorreu por que ele teve que fazer a prova contra a sua vontade, indo mais para obedecer a mim pois eu achei que isso fosse o melhor para ele. Acreditei que esse curso poderia ajudá-lo a desenvolver as suas habilidades nos programas de Photoshop e edição de vídeos que aprendera sozinho pela internet. eu e meu filhoE por um acaso um dia pedi a opinião de um amigo que trabalha no ramo de edições, “você não acha que meu filho deveria fazer um curso para desenvolver suas habilidades”, perguntei. “O curso existe para aprender, mas seu filho já sabe, para o desenvolvimento é necessário treino, acredito que ele não precise fazer um curso específico”, respondeu.

Naquele momento, lembrei dos pais da minha amiga que a consolaram quando souberam que ela havia perdido a prova do vestibular. E ainda, pensei o quanto meu filho estaria triste por ter me decepcionado. E assim, resolvi passar a acreditar nas decisões dele e não decidir mais por ele, dando apenas as minhas opiniões de mãe. O que fica de lição para mim? Não se decepcione pelas coisas que não resultam como queremos! Não fique frustrado quando as coisas não ocorreram como queríamos! A vida sem derrotas ou por caminhos que não desejamos trilhar faz com que não saibamos o quanto é gratificante quando obtemos o sucesso (desejado por nós mesmos)!


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