Lá vem mais um 12 de Junho… Dia dos Namorados… para quem não tem um(a), sei o desconforto que a data pode causar. Já estive nessa situação e sei como é. Hoje estou tranquilo, indo para o meu décimo sexto ano com a namorada com quem desejo estar junto até estarmos bem velhinhos, para poder olhar para trás e ver que tudo valeu a pena!

Uma das gírias atuais que mais gosto é shippar. Olha, como brasileiro é criativo! Numa conversa entre amigos da minha idade que não tinham a mínima ideia do seu significado, pude até me gabar que sabia do que se tratava: “gente, vem da palavra relationship e trata-se da torcida para que duas pessoas fiquem juntas, oras”. Bom, quem está no mundo dos “capope” não tem como não saber, né? Baekhyun e Chanyeol, CL e G-Dragon e por aí vai. Lembram de mais algum? Ah, e também tem muitos shipps nos K-dramas, né?

Hoje, estou torcendo (e muito) por um shipp bastante improvável até pouco tempo atrás. É um shipp entre dois caras, para falar a verdade. Um é americano e o outro, coreano. Exatamente no Dia dos Namorados, se encontrarão em Singapura às 9:00 hrs (22:00 hrs do dia 11/06 pelo horário de Brasília) para tratar de um assunto que me interessa demais. Sim, estou falando do Donald Trump e do Kim Jung Un. Ou Trump-Kim. Sonho em ver uma foto deles dois abraçados e com as cabeças coladas, BFF’s desde criancinhas. Opa, olha outra gíria moderna aí!

Família mezzo Sul, mezzo Norte. (foto de 3 anos atrás)
Família mezzo Sul, mezzo Norte. (foto de 3 anos atrás)

Não vou entrar em detalhes históricos, mas quando a Guerra da Coreia estourou, muitas famílias que viviam no norte da península coreana fugiram para o sul. Dentre as milhões de pessoas que migraram estavam meus avós paternos, carregando meu pai no colo. Decidiram que era muito arriscado permanecer e deixaram para trás seus pais, alguns irmãos e parentes, fugindo de Pyeongyang para Seul quando a Coreia ainda era uma só. E duas décadas depois eles vieram para o Brasil, mas aí já é outra história.

Naengmyeon: quem nunca provou não sabe o que está perdendo!
Naengmyeon: quem nunca provou não sabe o que está perdendo!

Dos meus avós, herdei muitos costumes e mesmo um pouco do sotaque do que hoje é a Coreia do Norte. Meu avô era um baita cozinheiro, teve restaurante por quase 70 anos e a sua especialidade era o naengmyeon, um macarrão servido em sopa fria típico da culinária coreana. Dizem que o naengmyeon de Pyeongyang é o melhor de toda a Coreia! Por causa disso, sinto uma certa conexão com a Coreia do Norte, apesar de ter nascido na Coreia do Sul. Sei que a maioria dos jovens sul-coreanos não tem muito interesse na reunificação das Coreias, mas é um assunto que faz meus olhos brilharem! Antes de tudo, porque somos um povo só, oras. Separados por influências externas e não porque “o amor acabou”. Bom, poderia citar muitas outras razões mas ficaria muito longo.

Montanha Baekdu
Montanha Baekdu

E falando em amor, é o que mais desejo que haja dentro dos corações dos nossos dois pombinhos. É até um pouco egoísta falar assim, mas pessoalmente gostaria que a Coreia do Norte abrisse as suas fronteiras o mais rápido possível. Porque devo ter parentes (ainda que distantes) por lá. Porque quero conhecer o lugar onde meu pai nasceu. Porque quero visitar a Montanha Baekdu e ver se ele é tão bonito como o meu avô descreveu. E quem sabe assim, fechar um ciclo que se iniciou quando ele saiu de lá na década de 50.

Pô Trump… pega logo na mão do Kim! Que não é meu parente, digasedepassage! Estou torcendo por vocês, viu? Me ajudem a não ter que ficar me identificando como “do Sul” a todo momento. Agarra logo, bofe!


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