A ascensão de influenciadores digitais na Coreia

Não são apenas homens e mulheres comuns. Influenciadores surgem como uma superpotência no marketing guiando as mudanças das tendências.

Han, um estudante universitário de 23 anos, tem um parceiro de estudo que ele nunca conheceu. Ele assiste aos vídeos de Cho Chan-hui, um influenciador e youtuber  coreano também conhecido como Nojambot, quando estuda para as provas. Cho abandonou o ensino médio e estuda para se tornar um policial, ele transmite e publica vídeos de si mesmo estudando por horas. Ele possui  mais de 152.000 seguidores no Instagram e 400.000 inscritos no YouTube. Cho  ganhou fama da noite para o dia em 2017, quando um vídeo dele estudando se tornou viral.

Sim, Nojambot é bonito, mas não é por isso que eu o sigo [..] (Me sinto menos sozinho porque) parece que estou estudando com ele“, disse Han. 

Lee Eun-ju, uma funcionária administrativa na casa dos 20 anos, é uma seguidora fervorosa de Pony, uma maquiadora e influenciadora de beleza com 5,9 milhões de inscritos no YouTube. Antes de Lee encontrar  os vídeos de Pony no YouTube, ela tinha dificuldade em encontrar um estilo de maquiagem que combinasse com ela. Depois de assistir aos tutoriais de maquiagem de Pony, Lee comprou vários kits de maquiagem da marca de cosméticos da youtuber, Pony Effect.

Geralmente não temos a oportunidade de aprender maquiagem com artistas profissionais, mas os tutoriais de maquiagem no YouTube são todos gratuitos, e é por isso que comecei a  assistir a Pony. Confio nas recomendações dela sobre cosméticos, pois ela explica os prós e os contras dos produtos”, disse Lee. 

Lee e Han estão entre muitos sul-coreanos atraídos por influenciadores que construíram uma reputação online em um nicho específico, como moda, beleza e viagens. Eles não têm necessariamente os mesmos talentos que os cantores ou atores, mas os jovens dizem que é o estilo de vida que buscam, geralmente único ou glamoroso, que os chama a atenção.

Com o boom de influenciadores  causado pelo  YouTube, Instagram e TikTok, um número crescente de empresas está  lutando para capitalizar a fama deles.  

O poder dos influenciadores no marketing está muito além da imaginação”, disse um funcionário de relações públicas que trabalha em uma agência coreana. 

A maioria das empresas opta por influenciadores em vez de atores ou cantores, pois é uma estratégia de publicidade mais eficaz. “Usar influenciadores que se encaixam melhor com os consumidores-alvo das empresas leva a um grande aumento nas vendas”, disse o funcionário que pediu anonimato.

Os  mega  influenciadores, que possuem mais de 1 milhão de seguidores, recebem cerca de 50 milhões a 70 milhões de won (US$ 38.500 a US$ 53.800) em comissão, disse o funcionário. As empresas precisam  contratá-los pelo menos seis meses antes do lançamento dos anúncios. 

A ascensão de influenciadores digitais na Coreia
Fotos compiladas pelo Korea herald, diretamente das redes dos influenciadores. Foto: Korea Herald

Os principais influenciadores tendem a seguir uma dieta rigorosa ou fazer exercícios antes de filmar anúncios. De boa fé, eles evitam aceitar anúncios semelhantes de outras empresas dentro do período do contrato para manter um alto perfil no negócio de marketing”, acrescentou o executivo.  “Por exemplo, se uma influenciadora postar um vídeo de batom no YouTube, ela não fará um vídeo patrocinado  de  outro batom por um mês ou dois”.

Além de Pony e Cho, outros influenciadores famosos aqui incluem Jung Ji-woo, uma influenciadora de moda com 11,6 milhões de seguidores no Instagram. Ela é conhecida como a irmã mais velha do integrante J-Hope, do BTS. Jung conquistou 1 milhão de  inscritos no YouTube depois de postar dois vídeos em 2020. Ela assinou um contrato com a Cube Entertainment, a força motriz  do K-pop por trás de (G)I-dle e Pentagon,  ano passado. Jung administra três negócios – a empresa de moda AJ Look, a plataforma de comércio eletrônico Mejiwoo e a marca de óculos Fun the Mental. 

Neste vídeo ela vai a um local para descobrir as cores que mais lhe favorecem, algo que muitas pessoas estão fazendo hoje em dia.

Jeon Chang-ha, um dos maiores influenciadores musicais do país, tem mais de 3,3 milhões de seguidores no Instagram e 22,1 milhões de seguidores no TikTok. Jeon publica conteúdo sobre beleza, moda e viagens. Antes de entrar no mundo do TikTok, Jeon era um estudante universitário que morava na cidade de Daegu. Ele se tornou um  influenciador ganhando fama no TikTok  quando seus vídeos viralizaram no exterior. Depois de atrair a atenção da mídia, Jeon também desempenhou o papel principal no drama da web “First Love Again”, que foi ao ar no início deste ano. 

Especialistas dizem que o crescimento rápido do interesse em influenciadores é particularmente impulsionado pelos millennials e pela Geração Z (aqueles nascidos entre os anos 1980 e 2010) que desejam se manter atualizados com as  tendências.

A geração jovem tende a comprar o que os influenciadores vestem ou visitar os lugares que  eles frequentam, para ser tão legal quanto eles e ter um sentimento de pertencer aos chamados líderes de tendências”, disse Lee Eun-hee, professor de ciência do consumo da Inha University.  “Muitas vezes, é inspirado por um desejo de não querer ser deixado para trás, em em meio às mudanças  rápidas e tendências“.

Alguns reclamaram sobre como os influenciadores estão ganhando dinheiro fácil. Kim Woo-kyung, funcionário de uma empresa de moda de 42 anos, disse: “É frustrante ver influenciadores que ganham o valor de um salário anual apenas vestindo  as  roupas da nossa  marca. Eu até sinto que não faz sentido estudar muito e frequentar as melhores universidades porque você pode ganhar muito mais se nascer bonita, bonito ou alto como eles“.

Mas o preço da fama tem um  custo alto, já que os influenciadores,  assim como as celebridades, estão sob rigoroso olhar crítico do  público. Song Ji-ah, uma youtuber e participante do reality show de sucesso da Netflix, “Single’s Inferno”, despertou a ira do público por usar itens de luxo falsificados no YouTube. Song apagou todas as postagens no início deste ano e disse no Instagram que lamentava ter cometido violação de direitos autorais. Após seis meses, Song  retornou recentemente com um novo vídeo no YouTube. A última contagem mostra que Song tem 1,8 milhão de inscritos. 

Noze, líder do grupo de dança WayB e membro do elenco do programa de TV de sucesso da Mnet “Street Woman Fighter”, também esteve envolvida em uma polêmica recentemente. Noze teria publicado postagem de  itens patrocinados em seu Instagram após a  data contratual, embora ela tenha recebido dezenas de milhões de won em comissão. Ela foi condenada por deletar postagens que anunciavam itens de pequenas empresas, deixando apenas fotos de bolsas patrocinadas e outros produtos de marcas de luxo.

As polêmicas com  influenciadores são notícias ruins para as empresas que os contratam para serem o rosto de suas marcas. Ao contrário de atores, cantores ou outras celebridades, a maioria dos contratos não envolve uma cláusula exigindo que os influenciadores que prejudicaram a imagem ou a reputação da empresa compensem a empresa. 

O marketing de influenciadores é eficaz, mas também traz grandes riscos. As empresas não devem apenas ter  um processo de verificação adequado antes de contratar os influenciadores, mas também devem fazer esforços para aumentar a conscientização de que eles  são responsáveis ​​​​por promover a imagem da marca  para dar confiança aos consumidores”, afirmou  Lee.

De acordo com a agência fiscal, influenciadores, incluindo YouTubers e streamers, foram classificados como “ pessoa criadora de mídia” em 2020 e estão sujeitos a tributação. Porém as autoridades ainda têm dificuldades em tributá-los, pois alguns estão tentando evitar o pagamento de impostos entregando declarações fiscais falsas. Cerca de 1% dos principais homens criadores de conteúdo na Coreia ganharam uma média de 671 milhões de won em 2019, de acordo com um relatório de 2021 de Yang Kyung-sook, do Partido Democrata, citando os dados do Serviço Nacional de Impostos.

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