Pouco antes do almoço, em 15 de junho, Kwak Hye-rim de 28 anos, que trabalha como secretária em uma pequena empresa em Gangnam no sul de Seul, saiu do escritório e se dirigiu para um internet café ao lado. Ela aqueceu os dedos e se assegurou de que o teclado e o mouse funcionassem adequadamente.

Assim que o relógio atingiu o meio dia, ela abriu o site febrilmente, com cuidado para não cometer o menor erro, de modo que pudesse garantir um ingresso para o show de Ed Sheeran no dia 29 de outubro no Olympic Park. É a primeira visita da estrela pop britânica à Coréia em quase três anos e Kwak precisava o ouvir tocar ao vivo.

Mas o destino não estava do seu lado.

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“Eu deveria ter ouvido os especialistas e selecionado o método de depósito em dinheiro e não o cartão de crédito”, disse Kwak. “Tudo deu errado depois disso. A página travou e eu tive que começar de novo e, obviamente, não havia mais assentos. Eu realmente planejei tudo como uma missão … Uma pena que eu não consegui a cumprir. Eu vou ter que pagar extra e procurar os ingressos ‘premi’ online.”

Kwak não foi a única que falhou nesta “missão” e passou a ser vítima dos chamados bilhetes “premi”, que se referem aos “ingressos premium” que são vendidos on-line a um preço mais elevado.

O ingresso de cambista não é um fenômeno novo. Já existe há décadas e a tentativa de erradicar os cambistas que ficam na frente de estádios de beisebol e casas de shows causam dores de cabeça no mundo todo. Mas graças ao aumento das redes sociais e dos serviços de revenda de ingresso, os cambistas se tornaram incontroláveis.

Com o recente aumento do número de estrelas mundialmente famosas que realizam shows na Coreia, a venda on-line de ingresso de cambistas, ou o que os coreanos chamam de “ingressos premi”, se tornou desenfreada, criando uma batalha entre os cambistas, clientes e órgãos regguladores.

Antes do Coldplay ter chegado a Seul para um show em abril, os ingressos foram vendidos em dois sites de ingressos, Interpark e Yes24. De acordo com os dois sites, cerca de 900 mil pessoas foram conectadas aos sites simultaneamente, causando uma grande desaceleração do sistema. Os ingressos do Coldplay foram vendidos em minutos e logo depois, os fãs começaram a procurar os ingressos ‘premi’, enquanto os cambistas se aproveitavam do seu desespero.

Os assentos mais caros foram vendidos por 154 mil won (US$ 134) nos sites oficiais de venda de ingressos, mas os ingressos ‘premi’ tinham um preço bem superior a 1 milhão de won.

Os fãs muitas vezes são vítimas de cambistas que vendem ingressos a preços que são muito maiores do que o original. Da esquerda: Coldplay, Ariana Grande, Produce 101, Cho Seong-jin e Ed Sheeran. [YONHAP, HYUNDAI CARD]
Os fãs muitas vezes são vítimas de cambistas que vendem ingressos a preços que são muito maiores do que o original. Da esquerda: Coldplay, Ariana Grande, Produce 101, Cho Seong-jin e Ed Sheeran. [YONHAP, HYUNDAI CARD]
Para o show do Sting em maio, realizado no Understage da Hyundai Card, que só tem capacidade para 400 pessoas, os ingressos de cambistas foram vendidos por cerca de 900 mil won.

Uma pesquisa do Twitter para ‘premi’ em 30 de junho apresentou posts intermináveis na busca de ingressos e oferecendo ingressos para próximos shows, incluindo Ed Sheeran em 29 de outubro e Ariana Grande em 15 de agosto.

Havia muitas jovens que procuravam desesperadamente ingressos de última hora para o show de estreia do Wanna One, o grupo vencedor do programa de audição de ídolos masculinos da Mnet, o “Produce 101”, que ocorreu no Olympic Park no sábado e domingo. O preço mais alto oferecido pelos cambistas para o ingresso de 70,000 won foi 1,2 milhão de won.

Os cambistas invadem até o reino dos concertos de música clássica, graças ao poder do brilhante pianista Cho Seong-jin. A Lotte Concert Hall abriu os ingressos para o concerto de aniversário de um ano em 20 de junho para seus membros, e em 21 de junho para o público. Os 1.400 ingressos para os membros da Lotte Concert Hall foram vendidos em cinco minutos e os 600 ingressos para o público em um minuto. Mas algumas horas depois, as postagens que ofereciam um ingresso de 150 mil won por mais de 1 milhão de won começaram a aparecer nas redes sociais.

Os organizadores dos shows e as empresas de venda de ingresso on-line estão trabalhando para regularizar os cambistas. No entanto, com opções limitadas, a indústria expressou a necessidade de uma solução adequada.

“Não é uma boa ideia proibir as negociações de ingressos individuais”, disse um membro da indústria que pediu para não ter seu nome divulgado. “O que precisamos é de um ‘mercado secundário oficial’ que possa supervisionar as transações”.

O mercado de ingressos on-line StubHub, um afiliado da eBay, realizou recentemente uma pesquisa com 2.000 coreanos de 20 a 40 anos. O estudo revelou que 61 por cento dos entrevistados compraram ingressos secundários para eventos de entretenimento ao vivo ou esportivos.

Para criar uma plataforma segura onde as pessoas possam revender e comprar ingressos secundários, o StubHub lançou recentemente um sistema chamado Fan Protect Guarantee. De acordo com a empresa, a plataforma liga compradores e vendedores enquanto banca o intermediário no procedimento de negociação entre as duas partes, para garantir que não sejam realizados golpes e transações injustas.

“A demanda por compra e venda ingressos on-line aumentou claramente entre os consumidores coreanos. Com as vendas de ingressos para grandes eventos ao vivo que agora são oferecidos com muitos meses e às vezes até um ano de antecedência, os consumidores querem o direito de vender seus ingressos quando não podem participar”, disse Kevin Cho, gerente da StubHub Korea.

“A emissão de ingressos secundários com segurança permite que os fãs comprem ingressos para experimentar eventos ao vivo memoráveis que de outra forma não conseguiriam comprar. É por isso que introduzimos esse sistema, que oferece aos compradores e vendedores garantia completa de que serão protegidos ao usar nossa plataforma.”


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