O documentário “Garden, Zoological” (동물,원), que estreia nos cinemas sul-coreanos dia 5 de setembro, apresenta os dois lados de um zoológico – a crueldade da cativação e a necessidade de cuidados e conservação das espécies.

Existem dois lados nas histórias sobre zoológicos. Todos nós temos boas lembranças de ir ao zoológico quando éramos jovens. Mas quando você olha para trás, à medida que cresce, passa a ter pensamentos mais profundos e a ter uma visão mais lamentável do zoológico“, disse o diretor Wang Min-cheol na conferência de imprensa do filme, realizada na quinta-feira em Yongsan CGV, em Seul.

Conferência de Imprensa

Os zoológicos são lugares bem controversos. O assassinato de um puma que escapou do zoológico de Daejeon, morto pela polícia em setembro do ano passado, provocou uma polêmica sobre um suposto abuso de direitos dos animais. Alguns apresentaram uma petição presidencial para proibir zoológicos após esse incidente.

No zoológico, os animais são confinados e constantemente expostos à anestesia e ao manuseio humano, que levam esses animais a perderem sua natureza selvagem. No entanto, o filme também lança luz sobre a função positiva dos jardins zoológicos – eles são santuários de animais vulneráveis que não podem sobreviver na natureza.

Eu não pretendia fazer este filme para promover ou reivindicar os direitos dos animais. E eu senti que as equipes de produção e eu éramos contra a ideia de zoológicos por termos pensamentos e imagens superficiais de animais, e o documentário me ajudou a ter uma posição objetiva sobre isso. E, mostrando os animais exatamente como são, o filme pode ajudar o público a sentir empatia ou a ver os problemas “.

Este documentário de observação começa com um zoológico lotado em Cheongju em um dia ensolarado – crianças gritando e grandes multidões aguardando para ver os animais selvagens nas gaiolas.

Ao longo do filme, o diretor acompanha de perto o cotidiano de tratadores e veterinários no zoológico de Cheongju, um dos três zoológicos da Coreia do Sul a serem designados como locais de conservação ex situ, juntamente com o Seoul Grand Park e o Everland.

*A conservação ex situ é um local para manter e criar plantas e animais ameaçados até que seus habitats sejam restaurados ou totalmente preservados.

Imagem: Pôster do documentário (Korea Times)

Kim Jung-ho, veterinário do zoológico do filme, explicou que nem todos os animais podem se adaptar e sobreviver na natureza, acrescentando que o zoológico precisa funcionar como um abrigo para animais que precisam de cuidados. Ele disse que espera que os jardins zoológicos na Coreia funcionem principalmente como locais de conservação, preparando animais selvagens para serem liberados em seus próprios habitats. Ele espera que a instituição se torne o meio entre os animais e a natureza e “atue como parte de um ecossistema ao se comunicar verdadeiramente com a natureza“.

O diretor disse que não tinha uma imagem tão positiva das pessoas que trabalhavam no zoológico quando começou a filmar. “Mas alguns dias depois das filmagens, comecei a pensar que ‘essa aversão vem da ignorância. Porque eu percebi o quanto eles amam e se preocupam com os animais. “

O filme lança luz sobre os aspectos menos conhecidos das pessoas no zoológico – como suas tentativas de procriar espécies protegidas.

Muitos dos animais nasceram no zoológico, e não há lugar na natureza para os animais nascidos no zoológico”, disse o diretor. Ele também apontou que alguns são resgatados do comércio ilegal de animais silvestres ou da agricultura. Então, eles geralmente são deixados no zoológico.

Eu acho que algum tipo de zoológico é necessário. Talvez este momento seja o momento dos zoológicos na Coreia encontrarem maneiras alternativas ou melhores (de cuidar dos animais).”

A observação das vidas girando em torno dos recintos apertados e das pessoas comprometidas em cuidar dos animais diz muito sobre a existência do zoológico.

Eu estava preocupado com a forma que este filme será visto. O zoológico será retratado de forma encantadora ou de forma miserável”, observou o diretor. “Tentei fazer com que não parecesse divertido, mas, ao mesmo tempo, não queria passar 90 minutos mostrando a vida dura e deprimente dos animais, embora seja verdade que eles são colocados na miséria 24 horas, 365 dias. Mas não achei que isso causaria um grande impacto nas pessoas que deveriam sentir a necessidade de melhorias. “

O filme, em geral, não é tendencioso. No entanto, ele deixa que o público questione as circunstâncias atuais dos jardins zoológicos, mostrando o paradoxo de humanos lidando com animais selvagens – os benefícios e efeitos prejudiciais da interferência humana.

O filme já foi exibido em vários festivais, incluindo o Hot Docs no Canadá, e estará disponível para exibição nos cinemas sul-coreanos em 5 de setembro.


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