As mulheres mais velhas nos filmes são frequentemente retratadas de maneiras estereotipadas – elas se sacrificam pelas suas famílias ou permanecem passivas, vitimizadas e assexuadas. Seus desejos e ambições raramente são abordados em filmes e, portanto, poucos filmes têm uma mulher mais velha no papel principal.

Mas esse padrão está mudando. Filmes sul-coreanos lançados recentemente retratam mulheres idosas como figuras independentes, que falam por si mesmas.

Tanto os filmes quanto o documentário lançados recentemente centram-se nas histórias de mulheres idosas.

Um dos filmes é “Oh! My Gran” (“Oh! Munhee” em coreano) – uma história sobre a busca pelo motorista responsável pelo acidente que deixou a neta da protagonista, Bo-mi, ferida.

O filme retrata a investigação realizada por Oh, a personagem principal que passou a ser a única testemunha do acidente, mas que está sofrendo de Alzheimer, e Du-won – seu filho e pai de Bo-mi – com abundantes cenas de ação e comoventes momentos em família. A condição médica de Oh adiciona mais drama ao filme. Mas o principal ingrediente que atrai o público não é a tragédia de sua doença, mas sim o tratamento cômico e sensível do problema.

Mesmo não sendo um filme de ação do tipo James Bond, é bem raro mostrar uma personagem feminina mais velha em performances de ação ativa, como em perseguições de carro e até mesmo escalar uma árvore, que é a primeira cena de ação da atriz de 78 anos em toda a sua carreira. A personagem feminina é vocal e muito dedicada em encontrar pistas para o caso – o que resulta na descoberta das principais evidências do crime.

Journey to Kailash” é um documentário que mostra a jornada de Lee Chun-suk, uma mãe de 84 anos, e Jung Hyung-min, seu filho e o diretor – foram três meses; 20 mil Km; da Mongólia à Montanha Kailash (China).

Imagem: Journey to Kailash (카일라스 가는 길) (HANCINEMA)

Eles terminam a viagem via rota terrestre e foi a primeira viagem de Lee ao exterior. Mesmo quando ela precisou rastejar montanha acima, ela nunca desistiu e alcançou o topo. “Eu estava curioso sobre como minha mãe vê o mundo … Gostaria de mostrar a todas as mães do mundo que minha mãe nunca desistiu da viagem, apesar das dificuldades da vida“, disse Chung à Yonhap.

An Old Lady” (“Age 69” em coreano), retrata uma mulher de 69 anos tentando encontrar justiça depois de ser estuprada por um auxiliar de enfermagem de 29 anos. Ela é constantemente desafiada pelo preconceito de que uma idosa não pode ser vítima de estupro. Mostra como uma mulher sofre com a indiferença da sociedade, mas que nunca desiste de se expressar porque ainda está “viva”. Veja a crítica completa aqui.

Imagem: “An old lady” (HANCINEMA)

Personagens de mulheres idosas são muito agressivas ou insultadas sexualmente nos filmes. Mas eu quero mostrar um indivíduo além de todos esses preconceitos“, disse Lim Sun-ae, a diretora, ao Kyunghyang Shinmun.


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