O que significa viver? Levar uma vida para meramente sobreviver, para trazer significado a um momento de existência fugaz na Terra?

Yu Eun-jeong explora tal questão existencial em seu primeiro longa-metragem, o esperto e comovente Ghost Walk, através dos olhos de alguém que não está mais entre os vivos.

O filme apresenta Hye-jeong (Han Hae-in), uma trabalhadora de fábrica cuja vida provincial é desprovida de qualquer diversão, desafios ou estimulação emocional, fechando-se até mesmo para namorar.

Ela se vê abordada por uma menina pedindo ajuda (Gam So-hyun), que desaparece misteriosamente quando olha para trás, mas continua aparecendo perto de sua porta. Um dia, Hye-jeong acorda e descobre que se tornou um fantasma depois de um caso de assassinato que ela não lembra.

Ghost Walk. Foto: Korea Herald

Confusa, Hye-jeong encontra-se traçando seus passos para trás enquanto seu relógio avança dia após dia. Ela encontra a menininha Soo-yang e outra jovem Hyo-yeon (Jeon So-ni), que respectivamente enfrentam dificuldades em casa e com finanças.

Embora apresentado como um filme de mistério e terror, “Ghost Walk” é realmente um drama sobre o significado da vida. Ele veste a protagonista em roupas suaves, que se camufla nas ruas sombrias ao retratar uma alma perdida sem um propósito claro na vida, em uma cidade sem coração.

Hye-jeong apenas sobrevive, rejeitando uma proposta gentil de sua colega de trabalho de começar a namorar, com a desculpa de que “não tem tempo para nada além do trabalho“, sem saber o que realmente quer. Ironicamente, somente após ser reduzida a um mero espírito é que ela começa a se  interessar pelo significado e propósito da vida, arrependida das escolhas que fez e dos caminhos que não havia tomado.

Predominantemente feminino, o elenco funciona como mágica sob a direção de Yu, tanto individualmente quanto entre si. O desempenho de Han transmite uma luta emocional, juntamente com a dor e a sensação de perda, enquanto a atriz mirim Gam excede as expectativas para fornecer uma química e um arco de história que sirvam como um centro emocional para o filme.

Jeon, que foi o ponto mais brilhante no filme de ação “Jo Pil-ho: The Dawning Rage”, mais uma vez traz muita energia e vida para seu personagem.

A mensagem do filme ressoa entre os telespectadores, particularmente os jovens, porque é uma questão que aflige muito essa geração. Embora o progresso tenha levado a avanços tecnológicos e aparente abundância, mais jovens se sentem vazios nas vidas agitadas e saturadas que levam. Oprimidos pelos desafios que vivenciam, eles ficam satisfeitos em manter o status quo, sem desejar nada mais.

Ghost Walk, filme estreia dia 15 de agosto nos cinemas sul-coreanos. Foto: Korea Herald

Como membro dessa geração, Yu, de 33 anos, entende suas lutas e pergunta: Qual é a diferença entre viver e estar vivo? Uma vida pode ser dispensável?

Ao contar a história de uma mulher que nunca poderá voltar a ser como era, o filme traz essas questões e desafia os espectadores a refleti-las, tudo dito através de um belo relacionamento entre uma criança e uma mulher que encontram um propósito no estranho limbo em que ela se encontra.

É a história de um fantasma que viaja de volta no tempo, mas está firmemente ancorado na realidade.

O forte enredo, qualidade de atuação e direção inteligente faz com que seja um filme que vale a pena conferir. O público se verá perdido em pensamentos bem além do tempo de execução de 90 minutos. “Ghost Walk” estreou nos cinemas sul-coreanos no dia 15 de agosto.


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