Festival queer de Seul retorna em meio a oposição de conservadores

Uma bandeira LGBT gigante estendida pela Praça de Seul durante o 23º Festival de Cultura Queer de Seul. O evento retornou depois de dois anos de pausa imposto pela pandemia do COVID-19.

O 23° Festival de Cultura Queer de Seul aconteceu no dia 16/07, no Seoul Plaza em frente ao City Hall,  buscando celebrar a identidade e a diversidade sexual de minorias em meio a oposição de manifestantes cristãos conservadores. O evento que ocorre anualmente desde 2000 teve uma pausa de dois anos devido a  pandemia de COVID-19. O slogan desse ano foi ” Vamos viver, unidos, seguindo em frente”. Segundo os organizadores o festival reuniu mais de 135.000 pessoas que fazem parte da comunidade LGBTQ (lésbicas, gay, bisexual, transgêneros, queer) e aliados.

A prefeitura autorizou o evento sob a condição de que nenhum objeto “obsceno” fosse exposto ou vendido e que os participantes não se expusessem excessivamente, alertando que qualquer violação poderia acarretar desvantagens futuras para o evento. O comitê solicitou que a prefeitura elaborasse a definição de “excessivamente exposto”, mas não recebeu nenhuma resposta. Os participantes estavam vestidos principalmente com camisetas e shorts, usando máscaras nas cores do arco-íris, pinturas no rosto  e agitavam bandeiras LGBT para celebrar suas identidades.

Várias organizações de defesa e solidariedade para com minorias sexuais – incluindo a Comissão Nacional de Direitos Humanos da Coreia, 13 embaixadas estrangeiras em Seul e empresas globais, como  a Ikea e Google Korea,  organizaram um total de 72 estandes para promover os direitos LGBTQ. Esses estandes ofereciam bebidas geladas, brincadeiras, sorteios de  brindes, como adesivos de tatuagem, acessórios, leques e bolsas nas cores do arco-íris. Enquanto isso, grandes grupos de cristãos conservadores realizaram uma outra manifestação em oposição ao evento do outro lado da rua, agitando as bandeiras nacionais da Coreia, dos EUA e de Israel.

Festival queer de Seul retorna em meio a oposição de conservadores
Pessoas se reúnem antes da manifestação contra o Festival de Cultura Queer de Seul, em Seul. AP-Yonhap

As pessoas que discursavam  na manifestação conservadora criticaram o prefeito de Seul, Oh Se-hoon, do Partido do Poder do Povo, por permitir que o festival acontecesse no Seoul Plaza e denunciaram a legislação do projeto de lei antidiscriminação. Alguns manifestantes protestantes realizaram campanhas de coleta de assinaturas “anti-homossexuais”.

Os ativistas, em sua maioria com idades entre 30 e 60 anos, disseram que as assinaturas serão usadas para enviar uma petição ao gabinete presidencial “para se opor à homossexualidade” e que os signatários serão contatados para futuros eventos “anti-homossexuais”.   Uma das manifestantes (50 anos, de Seul) disse ao The Korea Times sob condição de anonimato, que  a razão de se opor a homosexualidade é que  “a homossexualidade é um pecado que bagunça a mente das pessoas e fará nosso país desmoronar“. Ela teme que os grupos minoritários atrapalhem  a prosperidade do país por meio da reunificação liberal com sua “imoralidade”, e fez uma referência bíblica a Sodoma e Gomorra.

Festival queer de Seul retorna em meio a oposição de conservadores
Seoul Queer Festival. Foto: Paudal

Outro manifestante  (50 anos, da província de Gyeonggi),  que também se recusou a dar seu nome, expressou preocupação de que a população do país diminuirá se o casamento entre pessoas do mesmo sexo for legalizado. Os manifestantes também discordaram do recém-chegado embaixador dos EUA, Philip Goldberg, que se tornou o primeiro embaixador americano na Coreia a discursar em um evento do Festival Queer. “Condenamos a Embaixada Americana por destruir a aliança de ambos os países!” estava escrito em uma placa. Uma faixa dizia: “Não deixe que a sodomia desagradável destrua a sagrada aliança EUA-Coreia“. 

Às 16h30, grupos religiosos pró-LGBTQ dentro do Seoul Plaza lideraram uma parada do orgulho, o destaque do festival,  falando contra a discriminação. Uma coalizão, denominada “Rainbow Jesus”, de líderes religiosos e crentes em solidariedade com a comunidade LGBTQ, andou no primeiro dos oitos caminhões com alto-falantes gigantes liderando o desfile. Os membros do grupo cantaram música cristã contemporânea e dançaram junto com os manifestantes.

Sem se deixar abater pela chuva e pela oposição, o desfile foi seguido por grupos de artistas drag, grupos universitários LGBTQ e milhares de participantes. Eles dançaram músicas de K-pop como “Into the New World”, do Girls’ Generation, que tem sido o hino icônico do orgulho do país desde antes da pandemia. “Isso é como um dos shows do Psy“, disse um participante gay de 30 anos, citando os shows encharcados de água do cantor que ocorreram no mesmo dia. “A chuva não pode nos parar“, acrescentou. 

Um casal de lésbicas na casa dos 20 anos que terminou o desfile de 3,8 quilômetros sob forte chuva disse: “Esperamos por esse dia por tanto tempo… É ótimo sentir que todas essas pessoas são pessoas como nós e que apoiamos umas às outras”.

Festival queer de Seul retorna em meio a oposição de conservadores
Participante do Festival de Cultura Queer de Seul. Yonhap
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