Existem situações e sentimentos que devem ser evitados, como a fome, a ansiedade de um futuro incerto e os pesares sentimentais em relação aos familiares. Mas um ator experimenta tudo isso quando está de frente ao público. Quando um ator está no palco, o foco é somente no persongem ao qual ele está dando vida.

O filme “The Great Actor” (O Grande Ator, em português), fala da vida de um ator chamado Jang Sung-pil, interpretado por Oh Dal-su. Por mais de vinte anos, Jang interpretou o cão Patrasche na peça “O Cachorro de Flandres”, onde não tinha diálogos e nem ação dinâmica. Na história, Jang não passa de um autor desconhecido que dá o seu melhor por si mesmo e por sua família. Durante o filme, é possível sentir as alegrias e tristezas dos atores. No filme há cenas cômicas juntamente com cenas tocantes, retratando a vida dentro e fora do ambiente profissional.

Para o cineasta Seok Min-U, de 39 anos, “O Grande Ator” é sua estreia na carreira como o diretor principal, e ele escolheu justamente se concentrar nos atores. A decisão está relacionada com a sua carreira anterior como assistente de direção de cineastas bem conhecidos, tais como Park Chan-Wook e Kim Jee-Woon.

Seok Min-U. No filme “O Grande Ator”, o diretor Seok Min-U retrata a vida real dos atores, repleta de alegrias e tristezas. (STUDIO 706)

Como ele já sonhava em se tornar um diretor famoso, quando trabalhava como assistente, Seok queria que o filme fosse uma homenagem à década de 2000, quando foi o auge da indústria cinematográfica coreana. Ele também queria que o filme fosse uma espécie de “ode” aos três atores que ao longo do tempo foram considerados como os pilares da indústria do cinema na Coreia do Sul: Kyung-gu, Song Kang-ho e Choi Min-sik, que estão representados na personagem principal do filme, Seol Gong-sik (Yoon Je-mun), cujo nome é composto de uma sílaba de cada um dos nomes destes grandes atores.

Além disso, no filme, Jang atua em filmes que marcaram época para estes atores como: “A Peppermint Candy” (2000) para Sul, “Memories of Murder” (2003) para Song e “Old Boy” (2003) para Choi. E no início do filme, Seol aparece em um Western, bem semelhante ao filme “The Good, the Bad, the Weird” (2008). Há também um personagem extra que se parece muito ao diretor do filme, Kim Jee-woon.

Topo: No filme, Oh Dal-Su interpreta o personagem principal, Jang Sung-Pil, que por sua vez tem brinca com um cão em jogo infantil; Jang tem sido um ator desconhecido por mais de 20 anos; Yoon Je-mun (à esquerda) interpreta um ator famoso, Seol Gang-Sik

Mas este não é o fim das homenagens. Mais tarde no filme, Jang é finalmente lançado em um filme do diretor ficcional Cannes Park, intitulado “The Boold of the Devil” que parece se espelhar no filme “Thirst” (2009) de Park Chan-wook.

Além destas , o público poderá se divertir à beça com as aparições notáveis de Yoo Ji-Tae, Kim Myung-Min e Kim Sae-Ron, bem como o diretor Lee Joon-Ik. Eles surgem em lugares inesperados, arrancando sorrisos da plateia.

“Todas as conexões pessoais são minhas, e até mesmo alguns de meus conhecidos, foram chamados para criar tais cenas memoráveis,” Seok disse com um sorriso.

A abundância de participações especiais, a peça infantil e as homenagens  são todas abordagens novas e criativas do diretor em seu filme de estreia. “Eu senti que foi muito divertido dirigir as cenas da maneira que eu queria“, disse Seok. “Eu acho que é uma coisa de diretores novatos”.

 

 

 

Abaixo, segue a entrevista do Diretor ao jornal Joongang Daily:

De onde surgiu a ideia de se concentrar nas alegrias e tristezas dos atores desconhecidos?

Trabalhei durante oito anos com diretores, como assistente de direção. Já assisti inúmeras entrevistas e conheci vários atores. Eu também sei o quão preciosas são as oportunidades para os atores, especialmente aqueles que não são muito conhecidos. Assim, eu queria entregar uma mensagem sincera de incentivo e consolo para eles. Na verdade, minha situação não é tão diferente da deles, uma vez que eu também estou desesperado pela minha chance.

Oh (um dos atores) disse que ficou surpreso ao ver os detalhes meticulosos do filme. O que você fez para reunir essas informações?

Bem, quando você está nas fases de testes, você não apenas assiste a maneira que cada ator faz a interpretação do personagem, mas acaba ouvindo as histórias de vida deles também. E também ouvi muitas piadas deles também, que aproveitei e inclui em meu roteiro, naturalmente. O papel de Nello na peça “O Cachorro de Flandres” foi interpretado por Gu Yong-Wan. Ele é o meu hoobe no departamento de filmes e peças teatrais da Universidade de Cheongju, mas na verdade ele é um ator experiente em peças infantis. Ele me ajudou bastante.

Foi difícil elaborar um final feliz para Jang?

R: Não, eu não consegui nem me convencer a encerrar sua história, com alguma mensagem do tipo “então é assim que você pode ser bem-sucedido”. Qualquer um pode falhar em sua carreira, independentemente dos nossos esforços e talentos. No entanto, eu não queria que o personagem deixasse de ser um bom pai e marido. É muito possível ser um bom pai e marido, basta querê-lo

O que você pode dizer a respeito do conflito e reconciliação da estereotipada família de Jang?

Isso era o que eu realmente queria mostrar. Eu queria que a história da família fosse tão normal quanto possível, de modo que qualquer um que assista o filme se sinta menos distanciado do personagem e sua situação.

Você acredita que para o filme ter sucesso, deve-se harmonizar aspectos comoventes e cômicos no mesmo?

Na verdade, estive mais focado na comedia, pois não queria que o filme tivesse um clima pesado. Durante o projeto, Oh e eu discutimos muito sobre o fluxo do filme, para não enfatizar o lado emocional. As pessoas já têm ciência sobre o sofrimento de atores desconhecidos, e assim preferi de não repetir isso no filme. Minha intensão foi que as pessoas pudessem lembrar do filme como uma comédia ou um conto divertido.

Como você conseguiu ter o ator Oh Dal-Su em seu filme, sendo que ele já estreou em filmes que venderão milhões de ingressos?

Para mim, primeiramente, é uma grande honra tê-lo como personagem principal. Mas, antes desse filme eu soube que Oh recebeu inúmeros convites para papéis principais. Em 2009, enquanto filmava “Thirst” eu pedi a ele para atuar em um papel principal para mim mais tarde. Ele não se esqueceu da sua promessa e atendeu meu pedido. Além disso, ele gostou muito de meu roteiro também.

Como foi ter Yoon no papel de Seol Gong-Sik e Lee Kyung-Young no papel de Cannes Park?

Os três atores estavam no topo da minha lista para estrelar esse filme. Pensei até em cancelar meu filme caso Oh não aceitasse o papel. Eu realmente gosto de Yoon. Eu acho que ele se parece com o ator japonês chamado Toshiro Mifune, que frequentemente aparece nos filmes de Akira Kurosawa. Eu não conhecia Yoon pessoalmente, mas eu tinha confiança de que ele iria aceitar o papel. Mas não de um cara ruim, e sim de um personagem incrível.

Quanto à Lee, eu levei o panfleto de seu filme de estréia, “You Know What? It’s a Secret “(1990), a fim de obter seu autógrafo. Quando nos conhecemos, Lee pediu-me para apontar uma cena que eu achasse marcante no roteiro, então eu mostrei a ele a cena quando Cannes Park tem a primeira reunião com Jang. Ele gostou e aceitou o papel.

Os atores impressionaram-se o tema?

Todos os atores do filme disseram que a história era como a história de si mesmos. Alguns me agradeceram por contar essa história. Eu me sinto ótimo sendo diretor.

Como começou sua carreira na indústria cinematográfica?

Após a formatura na universidade, eu estava com 26 anos  e tinha muitas preocupações sobre a minha carreira. Eu também tive medo quando escolhi a carreira de diretor pois você não tem certeza se vai ganhar dinheiro, mas faz parte enfrentar todos os tipos de dificuldades no caminho. Eu decidi experimentar algumas vezes antes de desistir, então eu fui participar de entrevistas. Com algumas conexões de amigos, eu consegui um trabalho em “Save the Green Planet!” (2003). Depois fui o mais jovem no staff de direção do filme “Old Boy” (2003).

Depois disso você se tornou assistente de direção de “Sympathy for Lady Vengeance” (2005). Essa foi uma promoção rápida, não?

Sim, certamente foi, e foi totalmente por acaso. Naquele tempo, os mais antigos foram todos promovidos a diretores, então o cargo de diretor assistente estava vago. Infelizmente, eu acho que fui muito mal. Todos os dias, eu achava que ia ser o meu último dia de trabalho, e eu não teria nada a dizer, se eu fosse demitido. No campo, há muitas coisas para cuidar, e esse é o meu trabalho. Mas sempre que o problema surgia, eu não conseguia pensar em como poder resolvê-lo, então ia ao diretor para obter alguma ajuda. Quando penso nesse tempo, ainda sinto pena do diretor Park. Ele foi meu salvador. Se Park realmente tivesse me demitido, eu teria desistido de tudo.

Você pediu a permissão de Park e Kim quando fez personagens baseados neles para seu filme?

Ambos aceitaram de bom coração quando sugeri os personagens baseados neles. Park leu o roteiro e achou interessante. E quando eu lhe disse que tinha conseguido investimento para o filme, ele gostou, como se fosse o fruto de seu próprio trabalho. Kim também veio ao campo para fotografar. Quando eu disse a ele que, na semana seguinte, eu iria fazer uma paródia de “The Good, the Bad, the Weird”, ele me disse para escolher um belo ator para o papel. A homenagem é fruto do puro respeito que tenho por eles. O que aprendi sobre filmes com eles nunca será esquecido. Tentei imitar filmes pesados como estes dois diretores fizeram, mas percebi que não tinha a profundidade suficiente. Então eu decidi filmar aquilo no que me considero bom.

Então o propósito é fazer os espectadores sentir a sua sinceridade no filme?

Sim, porque o filme foi feito com honestidade. Antes de “O Grande Ator”, eu estava trabalhando em outros dois filmes, mas foram cancelados. Se eu não tivesse experimentado tais fracassos, eu teria feito apenas filmes elegantes. Por ter concluído meu objetivo principal nesse filme, sinto-me mais preparado para filmes mais desafiadores.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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