Uma boa tradução é a chave para globalizar a literatura Coreana e tradutores de qualidade vêm de diversas origens, de acordo com especialistas.

A romancista Han Kang ganhadora do Prêmio Internacional The Man Booker em maio passado com o livro “The Vegetarian” destacou a importância da tradução. Especialistas dizem que a tradutora britânica Deborah Smith mereceu igualmente o crédito por esta honraria.

O romance de Han Kang, “The Vegetarian” exposto em uma livraria em Londres. Fonte: Yonhap

Jung Ha Yun, professora de Estudos da Tradução na Ewha Womans University, disse que tradução literal é uma arte complicada, uma caminhada na corda bamba, por assim dizer, o que requer tanto precisão linguística quanto perspectiva estética.

Jung Ha-yun e outros professores. Fonte: Korea Times
Jung Ha-yun e outros professores.
Fonte: Korea Times

A tradução se torna mais difícil quando se trata da literatura coreana, que é menos vista, não reconhecida e não familiar no cenário da literatura mundial,” disse Ha Yun. “Existe uma pressão muito grande nos tradutores, especialmente no meio editorial, para que a tradução seja familiarizada aos idiomas ocidentais, o que é muito difícil, no caso da literatura oriental”.

Deborah, que estuda na Escola de Estudos Orientais e Africanos (SOAS em inglês) da Universidade de Londres, aprendeu coreano por mais de sete anos e agora faz traduções de trabalhos da literatura coreana para o Inglês.

A escritora sul-coreana foi premiada por The Vegetarian, um livro político sobre a revolta doméstica de uma mulher que se torna vegetariana para combater a rotina. Fonte: Korea Times

Foi Deborah que  trouxe as traduções dela para “The Vegetarian” à atenção da editora Portobello Books sugerindo que eles publicassem a versão para o inglês.

Ha Yun disse que a conquista mais importante de Deborah foi que ela insistiu com força para que o livro de Han Kang fosse traduzido e convenceu os editores para que prestassem atenção a uma escritora desconhecida, levando em conta a tradição literária, o que não acontece com bastante frequência na publicação de livros traduzidos para o inglês. Ha Yun também ressaltou que foi a tradução de Deborah que ganhou o prestigioso prêmio.

Apesar de ser uma tradutora muito nova para o idioma coreano e na tradição literária, Deborah focou em dar uma voz à narrativa em inglês, que é da mais alta prioridade na tradução de um romance em primeira pessoa. É por isso que a tradução é bem sucedida mesmo quando não se compara fielmente à versão original”, disse a professora.

Eu quero enfatizar, porém, que as infidelidades de sua tradução não comprometeram seu trabalho. Sua tradução é um grande feito para uma tradutora literária de primeira viagem, cujo trabalho eu acredito que só irá crescer mais forte e mais bonito com o tempo”.

mw-680

Quando a literatura coreana foi introduzida pela primeira vez internacionalmente na década de 90, a maioria dos tradutores eram coreanos fluentes em línguas estrangeiras e as traduções foram posteriormente supervisionadas e editadas por falantes nativos.

No começo dos anos 2000, os estrangeiros que estudaram a língua coreana, ou coreanos nascidos nos Estados Unidos se juntaram ao grupo de tradutores.

Recentemente, um grupo de jovens estrangeiros, como Deborah , que aprenderam sobre a Coreia, seu idioma e tornaram-se fascinados por sua cultura, espontaneamente começaram a traduzir suas obras favoritas em sua língua materna, houve um aumento no nível da tradução.

No entanto, a professora Jung Ha Yun é cautelosa sobre um determinado grupo de tradutores que são considerados a chave mestra para a globalização da literatura coreana, como a linguagem é apenas um fator, o tradutor ideal é aquele que se dedica mais à sua arte.

Estou preocupada que, em meio à emoção, o prêmio possa enviar uma mensagem de exclusão para tradutores iniciantes e tradutores de diferentes origens, que não beneficia a ninguém, nem a literatura coreana nem aos leitores de coreano em todo o mundo“, disse ela. “A diferença entre coreano e o inglês é tão grande, que levanta imensas dificuldades ao tradutor”.

Então, por que excluir ou priorizar certos tipos de tradutores com base em suas qualificações, especialmente suas origens? Há uma falta de tradutores já e eu absolutamente recomendaria que os tradutores de diferentes origens e línguas, trabalhassem em conjunto e colaborassem simplesmente lendo as traduções um dos outros ou se juntassem para discutirem sobre suas traduções“, disse Ha Yun.

A literatura coreana ainda está na periferia do mundo literário. Apenas cerca de 1.500 obras foram traduzidas e introduzidas fora da Coreia.

O governo criou o Instituto de Literatura e Tradução em Coreano (ILTC) para apoiar as traduções da literatura coreana e já ajudou com a tradução de 1.421 livros que foram traduzidos para 34 idiomas.

A Fundação Daesan, que promoveu a globalização da cultura coreana e é financiada pela Kyobo Life Insurance, é a outra organização que apóia a tradução da literatura coreana desde 1992.

Embora o número ainda seja pequeno em comparação aos outros países, editoras estrangeiras demonstraram interesse na literatura coreana nos últimos anos. De acordo com a ILTC, editoras internacionais financiaram e apoiaram a tradução de 58 romances coreanos e poemas em 2015, o que é um grande salto dos 13 livros de 2014.

Anteriormente, o ILTC ou a Fundação Daesan traduziam primeiramente os trabalhos e pediam para as empresas estrangeiras que publicassem o livro, mas mais editores estão se interessando em literatura coreana em sua essência.

A pesquisa encomendada pelo Prêmio Internacional The Man Booker também mostra que as vendas de ficção traduzidos no Reino Unido cresceram de 1,3 milhões de cópias em 2001 para 2,5 milhões em 2015 contra um mercado geral em queda. Entre eles, traduções de livros de ficção coreanos tiveram um aumento excepcional, dos 88 exemplares em 2001 para 10.191 em 2015.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns por abordar esse tema. Seria muito interessante se os brasileiros que se interessam pela Coreia também se interessassem por ler autores coreanos. Os índices de leitura no Brasil são alarmantes e não apenas a molecada, mas os adultos também estão cada vez mais lendo menos. Bom seria se todo interesse resultasse em algo frutífero como mais livros lidos durante o ano. Aproveito para recomendar o primeiro livro coreano que li, chamado “Por favor, cuide da mamãe”. Embora a narrativa possa parecer um pouco diferente pra quem não tem o hábito de ler muito, é sempre bom se arriscar em novos campos.

    • Obrigado Bianca, em nome de todos do Koreapost. Continue curtindo nossa pagina no Facebook e lendo as matérias do nosso site, sempre tem novidades. Abraço.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome.