O novo livro de Donghun Shin, “Personagens do Folclore” faz uma análise literária de fácil compreensão, comparando personagens do folclore coreano e de outras partes do mundo para fazer o contorno da sua fascinante (ainda que irrealista) natureza.

Esses fascinantes personagens são pessoas comuns que nasceram com habilidades extraordinárias, o que entretém os leitores cansados da pandemia do coronavírus e os leva a empolgantes aventuras.

Shin, professor de literatura coreana da Universidade de Konkuk em Seul, disse que espera que os personagens que ele revisitou em seu livro possam fazer os leitores, estressados em meio à prolongada pandemia, recuperar esperança e energia em suas vidas.

Shin também fez esse livro para si mesmo. No prefácio, o autor descreve a si mesmo como uma pessoa que viveu uma vida voltada para os outros enquanto esquecia coisas como alegria ou benefícios pessoais para viver uma vida ética.

Quando eu falo uma vida ética, eu não estou querendo dizer se eu sou ou não uma pessoa ética” diz ele. “Seria mais preciso dizer que eu vivi minha vida inteira sob a pressão de que eu precisava ser ético. Eu fui um bom filho para meus pais e tentava não desapontá-los. Eu era um bom estudante na escola e um responsável provedor para minha esposa e filhos. Como professor, eu também tinha que ser confiável.”

Por causa da pressão, ele diz, sua vida não era nem divertida nem alegre. Depois de três décadas de ensino na universidade, ele conta que queria encontrar uma vida que pudesse entretê-lo com experiências divertidas.

De acordo com Shin, personagens em “Mulan”, “O Rei Leão”, “Tom e Jerry” e “Aladdin” são todos de contos folclóricos.

Gravura de Hua Mulan. Fonte: Torre de Vigilância

Ele conta que essa sua jornada para descobrir as tradições orais ao redor de todo o mundo foi uma experiência realmente realizadora e revigorante.

O autor encontrou uma característica marcante nos personagens dos contos tradicionais em todo mundo que os distingue daqueles da mitologia ou dos romances. Os personagens dos contos folclóricos são “malandros”, enquanto a mitologia gira em torno dos heróis. Já nos romances, pessoas tímidas e que passam por sofrimentos são os personagens mais comuns.

Malandros normalmente nascem com um grande objetivo, ou grande intelecto ou um conhecimento secreto, saem pregando peças e frequentemente quebram as regras ou o padrão dos costumes para satisfazer suas vontades.

Malandros fazem acontecer. Malandros são pessoas simples e sem medo que fazem o que for necessário para atingir seus objetivos.

Ele compara o pequeno alfaiate do conto alemão “O Alfaiate Valente”, dos irmãos Grimm, e o personagem coreano Manseo Jung, do conto homônimo baseado em histórias reais, para mostrar sua natureza comum.

Ambos são inteligentes e singulares e suas histórias são surreais. Eles também são pessoas otimistas que seguem suas vidas sem serem limitados pela cultura da época ou lugar.

Gravura do conto “O Alfaiate Valente”. Fonte: Wikipedia

O pequeno alfaiate percebe que é um talentoso guerreiro depois de matar sete moscas com um único golpe de sua mão. Ele embarca em sua jornada se tornando um grande lutador e, finalmente, se tornando rei. Comparado ao personagem alemão, Manseo Jung, que se acredita ter sido um homem real que viveu na cidade de Gyeongju durante o reino Joseon no século 19, é mais propriamente um personagem que mostra o senso de humor coreano.

Jung é um explorador, um viajante andarilho que vem e vai de sua cidade natal para outras cidades. Ele é eloquente e amado pelos outros devido seus comentários sábios e oportunos, bem como por sua tendência extrovertida. Para um parente que estava triste por causa de uma doença, Jung o consola dizendo :“Não chore por mim”.

Ele nunca perdia o senso de humor nem mesmo diante da morte, dizendo que a morte estava perto dele mas ele não estava muito triste, porque ele não sabia como a morte era.

“Pessoas que estão paralisadas pela agonia e se lamentando de forma impotente, sem pensar em encontrar saída para o seu sofrimento prolongado, eu chamo pessoas assim personagens de romance porque nós podemos ver personalidades assim nos romances” diz o livro.

Eles se veem sem ajuda e sem esperança, diante da realidade brutal, cheia de insanidade e violência, e decidem desistir sem tentar fazer as coisas acontecerem. Eu sei que a realidade é mais parecida com os romances do que com os contos”.

Coisas ruins acontecem e, só às vezes, elas dão sinais de que vão acabar. De vez em quando, coisas boas acontecem também. Na maioria dos casos, entretanto, elas duram pouco. Mas esse desequilíbrio não acontece sempre. Há outras vezes em que nós nos tornamos como grandes combatentes. Algumas vezes, nós temos uma reviravolta e vencemos, como os personagens dos contos.”

Shin é autor do best-seller “Korean Mythology Alive” (Mitologia Corena Viva) um livro adaptado do mega-hit “Along with the Gods” (Junto com os Deuses). Ele coletou histórias dos últimos 30 anos e lançou muitos livros sobre contos coreanos.


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