Quando a autora Gim Young-seo publicou seu livro em 2012, ela não teve coragem de revelar seu nome.

Como seu livro, “Even Tears Shine in the Light“, detalhou sua experiência de ser estuprada por seu pai biológico, a autora evitou toda publicidade associada à publicação do livro.

Em março deste ano, uma versão revisada do livro foi lançada, e desta vez ela decidiu revelar seu nome.

O perpetrador morreu no ano passado e eu senti um grande fardo ser retirado de mim. Então, pensei que poderia fazer isso (revelando meu nome)” ela disse durante uma entrevista recente ao The Korea Times.

Ela chamou seu pai de “o perpetrador” durante toda a entrevista.

Sua experiência horrenda começou quando ela estava no quinto ano. O livro, cuja versão em inglês e português ainda não está disponível nas livrarias, detalha estupros repetidos, como ela finalmente conseguiu escapar e como está se curando da experiência.

Em um capítulo, ela narra sobre sua suspeita de gravidez e como seu pai inventou uma história falsa para ela contar ao médico.

Se você estiver grávida, sim, digamos que no seu caminho para casa depois da competição de matemática, você foi estuprada por um estranho. Acho que seria seguro dizer que teria acontecido naquela época.

Em outro capítulo, a autora conta como o pai arranjou um ritual de casamento, pedindo a ela que pensasse na mãe como sua “cunhada” a partir de então.

Tudo isso aconteceu enquanto sua família, especialmente sua mãe doente, permaneceu sem nenhum conhecimento do caso por algum tempo. Mas os outros membros da família que sentiram que algo estava acontecendo, não fizeram nada a respeito.

Imagem: “Even Tears Shine in the Light” (The Korea Times)

Qualquer resistência de Gim em relação a seu pai foi recebida com espancamentos e confinamento. Em 1994, ao entrar na universidade, ela fez tentativas de fuga.

Ao começar a universidade, me senti adulta e capaz de fazer algo. E não poderia viver assim.”

Depois de várias tentativas fracassadas, ela finalmente conseguiu escapar dele em Namwon, para onde seu pai a levou em 1994.

Peguei o receptor do telefone no quarto do motel e sussurrei para o dono do motel: ‘Fui sequestrada. Por favor, ajude‘”, ela lembrou. “E o dono chamou a polícia imediatamente, em vez de ficar desconfiado e hesitante.”

Como seu pai estava lidando com o detetive que chegou ao quarto do motel, ela fugiu e pegou uma carona para uma delegacia de polícia próxima. Com a ajuda dos policiais de lá, ela conseguiu que seu pai fosse preso. Ele foi julgado e enviado para a prisão por sete anos.

Em retrospecto, não posso ser mais grata ao dono do motel. O que teria acontecido se o dono que era um homem, não chamasse a polícia?

Finalmente livre, ela continuou seus estudos para se tornar uma conselheira. Agora, ela é uma profissional dedicada, ajudando vítimas de crimes sexuais online e outras pessoas que precisam de apoio psicológico.

A última vez que viu o pai foi quando ele estava em coma em uma cama de hospital.
Ele sofreu um grave acidente de carro. A pedido do meu irmão, fui ver o criminoso. Ele estava impotente, mas senti que todas as células do meu corpo começaram a rejeitá-lo quando o vi.

Ela disse que teve sorte.

Tenho muita sorte. Conheci muitas pessoas legais que me ajudaram a fazer o que eu queria fazer. Levo uma vida normal, fiz terapia e sou capaz de ajudar os outros.”

Ela também disse que outro motivo para revelar seu nome foi para apoiar as vítimas que ela ajuda – “Queria ser um exemplo para eles, para que também pudessem seguir em frente e voltar a ter uma vida normal”.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

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