Frank e o Amor – David Yoon – 2019
Editora Seguinte|Grupo Companhia das Letras

Resumo da Editora: Frank Li tem dois nomes. Frank Li, o nome americano dele. E Sung-Min Li, seu nome coreano. Ninguém usa o nome coreano, nem mesmo os pais. Frank mal fala coreano. Ele nasceu e foi criado no sul da Califórnia. Mesmo assim, seus pais ainda esperam que ele se case com uma boa garota coreana – o que é um problema, já que Frank finalmente está namorando a garota dos seus sonhos: Brit Means. Brit, que é engraçada e nerd como ele. Brit, que o faz rir como ninguém. Brit. . . que é branca!

Como Frank se apaixona pela primeira vez, ele é forçado a enfrentar o fato de que, embora seus pais tenham sacrificado tudo para criá-lo na terra da oportunidade, suas expectativas tradicionais não deixam muito espaço paraque ele seja um adolescente americano comum. Desesperado por estar com Brit sem que seus pais descubram, Frank se aproxima da filha  de uma família amiga de seus pais, Joy Song, que está em uma situação semelhante. Juntos, eles elaboram um plano para ajudar um ao outro e manter os pais longe da cola deles. Frank acha que encontrou a solução para todos os seus problemas, mas quando a vida lhe lança uma bola curva, ele fica se perguntando se ele realmente sabia alguma coisa sobre o amor – ou sobre si mesmo.

Frank E O Amor - Uma Busca Pela Identidade Cultural
Foto: penguin teen

Olá Pessoal!

Essa é a primeira (que eu espero de muitas) resenha que fazemos de um livro ofertado diretamente pela editora ao Koreapost. E as novidades não param por aí. Além de nos enviar um exemplar para leitura e resenha, a Companhia da Letras nos enviou um segundo livro para ofertarmos aos nossos leitores. Fiquem ligados nas instruções em como participar no Instagram do Koreapost.

O título original em inglês deste livro, cujo autor é coreano-americano, é um trocadilho que infelizmente no português não faria sentido – Frankly in Love, que na tradução literal seria “Francamente Apaixonado”, na verdade faz alusão ao nome do protagonista, o Frank. Então, na versão brasileira, a tradutora decidiu por Frank e o Amor.

O Frank é um menino americano de etnia coreana. Como ele existem milhares, não só nos Estados Unidos, mas em vários países do mundo. Após a Guerra da Coreia, que terminou em 1953 e até a década de 80, a Coreia não era a potência que é hoje. Pelo contrário. Era um país, no início arrasado pela guerra e depois com muita dificuldade em se reerguer.

O sucesso econômico atual do país veio de ações que começaram na década de 60, com a prática de reformas econômicas com ênfase na exportação e o desenvolvimento da indústria. O governo também promoveu uma reforma financeira, ajustando as instituições, e introduziu planos econômicos flexíveis. Porém, os resultados só começaram a aparecer na década de 90, razão pela qual nestas 3 décadas houve um grande êxodo de coreanos para os Estados Unidos, Canadá, Rússia, e até para o Brasil.

Mas o povo coreano, como quase todos os povos milenares, perpetuou sua cultura, mesmo vivendo em outros países. Assim como os pais de Frank nos Estados Unidos, que falam pouco inglês, aqui no Brasil, na comunidade coreana de São Paulo, ainda vemos pessoas de idade avançada que nunca aprenderam o português. Além disso os coreanos preservam outros aspectos de sua cultura como a culinária, a música, e posteriormente, graças à globalização, até no entretenimento.

Outro costume que era seguido fielmente até bem pouco tempo (e talvez ainda seja para algumas famílias) é o fato dos coreanos casarem sempre com outros coreanos. Talvez num instinto de preservação da identidade, tão machucada pelos anos de dominação japonesa.

A estória de Frank é a verdadeira história de muitos dos filhos destes imigrantes que nascem e crescem noutro país e de repente se veem nessa crise de identidade. Talvez a ficção se misture à realidade e muito do que o Frank enfrenta na história tenha sido realmente vivenciado pelo autor, David Yoon.

Frank E O Amor - Uma Busca Pela Identidade Cultural
O escritor david yoon. Foto: books & company

Frank é americano, e por isso fala inglês fluentemente e muito pouco coreano. Parece estranho, mas eu já conheci famílias de coreanos aqui no Brasil cujos filhos não falam o idioma. Mas também já conheci filhos de brasileiros no exterior que não falam português. Pessoalmente, eu acho muito estranho. Penso que se vivesse no exterior, em casa, falaríamos apenas português. Mas a gente nunca pode julgar a vida de outra pessoa, provavelmente, eles tem seus motivos. O livro fala de outras famílias da comunidade coreana onde vive Frank e há alguns filhos que dominam o idioma (como a Joy Song) e outros não.

Então é nesse cenário que se passa a estória. Frank vive somente com os pais (pois a irmã já foi para a faculdade), frequenta o ensino médio numa escola regular americana, tem amigos americanos, mas também tem contato com alguns jovens coreanos da comunidade (que se auto denominam de “limbos”, justamente por não saberem onde se encaixam) que seus pais frequentam.

Foi muito gostoso acompanhar a vida e as reflexões do Frank. Mesmo para mim, que sou mais velha. Eu estudei nos Estados Unidos na juventude, então, teve muita coisa com as quais eu consegui me relacionar. E mesmo quando a gente fica mais velha, a gente não esquece do que sentiu quando era adolescente, então, também não foi difícil se identificar com o Frank e a sua trajetória.

Como tem muita alusão à cultura coreana, eu creio que os leitores do Koreapost vão realmente AMAR este livro. E a galera mais jovem, vai perceber que o que ele passa, todo mundo passa nesta época, então, creio que Frank e o Amor, será uma unanimidade entre os leitores.

Aproveitem a quarentena e se deliciem com esta leitura. Na Amazon tem o livro físico e o e-book. Mas dá pra comprar também direto no site da Companhia das Letras.

Se você já leu ou depois de ler, diga pra gente nos comentários o que achou, tá bom?

Boa Leitura!!

P.S. No site da editora americana, descobri este book trailler fofinho…


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

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