Nick Farewell nasceu na Coreia do Sul, mudou-se para o Brasil aos 14 de idade. Seu nome coreano é Lee Gyu Suk. Costuma dizer que aprendeu a falar português jogando futebol com os amigos da escola.

Cursou engenharia mecânica na POLI-USP mas se formou em publicidade e propaganda na ECA-USP.

Nick Farewell, Um &Quot;Idol&Quot; Coreano Bem Brasileiro! [Entrevista]
Nick farewell. Foto: marcos finotti

Tem publicados 7 livros, sendo o primeiro GO, escolhido pelo MEC e presente nas bibliotecas de colégios do Brasil todo, tornando-se um grande sucesso entre os jovens a ponto de leitores fazerem inúmeras tatuagens do título do livro.

Nick Farewell, Um &Quot;Idol&Quot; Coreano Bem Brasileiro! [Entrevista]
Todos os livros do autor cronológica. Go 1ª ed (2007), go pnbe (mec, 2009), go 2ª ed (2010), manual de sobrevivência para suicidas (2010), mr. Blues & lady jazz (2011), 4 versões de uma vida imaginária (2012), reversíveis (2013), go edição coreana (2013), não existem super-heróis na vida real (2017) e valdisnei um dois três quatro da silva (2017). Foto: acervo pessoal

Hoje, Nick conta com exclusividade para o Koreapost que seus planos futuros incluem o roteiro do primeiro “drama brasileiro” nos mesmos moldes dos dramas coreanos.

Confiram a entrevista abaixo!

Se você pudesse definir o sucesso do livro “GO” em uma palavra qual seria?
Realização.

“GO” consegue falar diretamente com o leitor trazendo, podemos dizer, uma nova perspectiva sobre a vida. Quando você escreveu o livro pela primeira vez, chegou a pensar neste aspecto?
Sim. Eu queria escrever um livro que levasse o leitor à ação. A ação de viver, sonhar, amar e nunca desistir. Toda estrutura e as histórias foram pensadas para atingir esse objetivo. Espero ter conseguido!

Nick, quais foram suas inspirações, referências e sentimentos ao escrever o livro?
Os meus escritores favoritos foram minhas inspirações e referências, além da vida, claro. Eu costumo dizer que os escritores foram meus heróis e médicos. Eles me salvaram e curaram. É uma imensa satisfação que eu consiga ser isso para outras pessoas. Meu sentimento persistente ao escrever o livro e da minha vida é a esperança. Queria que as pessoas nunca perdessem a esperança e perseguissem os seus sonhos. Viver a vida. Não há nada mais importante do que viver a sua própria vida. Era isso que eu queria e me concentrei em realizar isso. Creio que os leitores sentiram e sentem isso.

Quais são suas maiores expectativas em relação a essa 3ª edição de “GO”?
Que consiga alcançar mais e mais leitores. Que mais e mais pessoas tenham vontade de viver. Espero também conseguir o que o protagonista queria no fim do livro. Se você quer saber qual era, vai ter que ler o livro (rs). Seria também um símbolo. O símbolo de uma realização. Também seria de certa forma a minha liberdade. De que nessa vida, não dependemos de ninguém. Só de nós mesmos.

Nick Farewell, Um &Quot;Idol&Quot; Coreano Bem Brasileiro! [Entrevista]
A nova edição de go. Foto: acervo pessoal.

Você tem um relacionamento bem próximo com os leitores dos seus livros, em especial os de “GO”. O que você sente ao ler as mensagens dessas pessoas que após lerem e se identificarem com suas obras acabam tendo suas vidas transformadas?
É um sentimento de gratidão, agradecimento e de felicidade. Fico muito contente e feliz quando recebo mensagens de carinho, amor e incentivo. Que escritor não gostaria de receber mensagens dizendo que o seu livro salvou a vida da pessoa? Nem se fala quando recebo fotos de tatuagens. Quando a Folha de São Paulo me entrevistou, eu respondi na época que não sabia bem o que sentia. Hoje eu sei. Me sinto o melhor escritor do mundo.

Qual seu maior propósito de vida como autor?
Pergunta difícil. Eu começo a escrever quando tenho um problema filosófico ou metafísico para resolver. Como essas questões são universais, sei que os leitores também querem ver respondidas. É nisso que eu me concentro. Responder perguntas sobre a vida. Ou melhor, fazer a pergunta certa. É muito bom ter leitores. Principalmente como são os meus, amáveis, dedicados e sensíveis. No fundo, eu penso nos leitores. Quero que eles gostem. Mas muitas vezes são tapas na cara deles (rs). Porém, não é isso a vida? Evoluir, melhorar e sair transformado? É isso que quero proporcionar aos leitores. De certa forma, isso não é só meu propósito como escritor, mas como pessoa.

Você participou do processo criativo de construção da capa dos seus livros? Quais foram suas inspirações e expectativas para elas?
Sim. Fui redator publicitário por muito tempo. Foi natural participar na criação de capas. E posso dizer: Todas são fantásticas. E tem uma curiosidade. Todas as capas foram feitas por vencedores do Festival de Cannes. Todas as capas são emblemáticas e impactantes. Eu costumava brincar que quando o livro é ruim, a capa tem que ser a melhor (rs). Sem brincadeira, para mim a capa tem uma importância muito grande. Quero que as pessoas julguem meu livro pela capa. Quero escrever um livro bonito por dentro e por fora.

Você está escrevendo um roteiro de um drama ambientado no Bom Retiro. Os brasileiros vêm consumindo muitas produções coreanas, quais são seus anseios e expectativas ao inserir o Brasil nessas temáticas que tanto vêm conquistando os brasileiros?
Na verdade, eu uso personagens coreanos. E brasileiros também, claro. Se K-Drama ficou famoso…. Ah, aqui quero fazer um adendo – Vejo muita gente falando que é K-Dorama. Não. É K-Drama. Drama e não dorama. Dorama é denominação japonesa. É J-Dorama, K-Drama. Então, o que eu estou tentando fazer é B-Drama. Mostrar os conflitos dos imigrantes que moram no Brasil e também falar sobre o conflito de gerações. Quero falar também de culinária, K-Pop, língua e cultura coreana. Que serão mostrados naturalmente através de acontecimentos e interação entre os personagens. A princípio é para o público jovem, mas tenho certeza de que todos irão gostar. Além de tudo, é uma comédia. Talvez uma dramédia. Eu quero emocionar as pessoas e que levem as pessoas a entenderem melhor a cultura coreana e fazer refletir sobre o que é a vida.

Nick Farewell, Um &Quot;Idol&Quot; Coreano Bem Brasileiro! [Entrevista]
Em 2019, nick farewell foi convidado para um evento literário na coreia. Além de fazer o discurso de encerramento ele ainda “discotecou” para os convidados! Foto: acervo pessoal

Como está sendo escrever esse drama? Há um sentimento de familiaridade entre o cotidiano brasileiro e o coreano?
O sentimento é universal. Mas evidentemente, eu me baseei na minha vida. Os conflitos com os meus pais, a diferença cultural que existe entre coreanos e brasileiros, e seus sentimentos em relação à vida. Apesar de terem sido severos (como sabem, a educação coreana é bastante rígida), eles só queriam o melhor para mim. Mas muitas vezes, o melhor é o que nós queremos para as nossas vidas. Seguir os nossos sonhos e anseios. My Way (o título do meu B-Drama) é sobre ir de encontro à sua própria vida. Se realizar. Se amar e ser você mesmo. Eu espero que todos gostem. Eu acho que vão gostar (rs).

O seu processo criativo ao escrever um roteiro de drama é o mesmo que ao escrever um livro? Como é transitar entre diferentes estruturas textuais?
Na verdade, eu não transito. Eu acredito que cada história tem uma forma certa de ser escrita, contada. Algumas são romance, poesia, filme. Então, eu escolho a melhor forma de uma história ser contada. A minha bibliografia prova isso. Tenho romance, poesia, teatro, até histórias em quadrinhos. O processo de criação é o mesmo. De encontrar a melhor história e a melhor maneira de contar. O que muda é o formato. Para mim é muito natural qualquer forma de narrativa. Eu me preparei, estudei e pratiquei para fazer isso. Hoje sinto que posso escrever qualquer história em qualquer formato.

Por último, o que você diria aos seus fãs brasileiros?
Tenho coreanos também, porque GO foi lançado na Coreia (rs). É estranho pensar que tudo que você queria eram leitores e hoje, eu posso dizer que tenho fãs. Fãs são mais passionais, né? Mas ainda é estranho. Toda essa devoção e sentimento em torno dos meus livros. Porém, como disse, eu fico imensamente feliz. É um sentimento único. Creio que poucos escritores tenham esse fervor e troca. Me sinto abençoado por isso. Preciso dizer que eu amo os meus leitores.

E o que eu quero dizer a eles é que nunca desista dos seus sonhos. Jamais. Que eles vivam suas vidas da melhor maneira possível. Que sejam fortes para acreditar em seus sonhos e tenham coragem para seguí-los. O meu pedido é único: Viva. Viva intensamente. Viva tudo que puder. Viva a sua vida. Mais de ninguém. Se ame. E depois ame tudo e todos. Esse é o único objetivo de nossas vidas.

Nick Farewell é muito ativo nas redes sociais e sempre nos brinda com textos inteligentes e reflexivos. Siga o autor no Instagram e Facebook.

Entrevista realizada pela Equipe de Jornalismo do Koreapost: Aguida Carvalho e Lisliane Pereira.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

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