O estudioso Bak Ji-won (1737-1805), da dinastia de Joseon, era um acadêmico a frente de seu tempo.

Ao contrário de seus contemporâneos, que estavam contentes com o modo de pensar confucionista e fizeram pouco esforço para evoluir, Bak era criativo, curioso e aberto a novas ideias e modos de pensar.

Sua personalidade forte e seu modo de pensar pragmático são refletidos em seu famoso diário de viagem, “O Diário de Jehol” (열하일기), um livro com vários volumes que detalha suas experiências e descobertas durante sua viagem de cinco meses à China, em 1780.

O autor fez parte da delegação de Joseon enviado à China para prestar homenagem ao imperador Qianglong da dinastia Qing por ocasião de seu 70º aniversário.

Imagem: Filósofo e romancista Bak Ji-won (Wikipedia)

Park Soo-mil, um especialista que pesquisa Bak e suas obras há 25 anos, revisou o diário de viagem em seu novo livro, “Primeiro passo em direção ao diário de Jehol: conheça a melhor peça literária de Joseon“, publicado pela editora Dolbegae.

Em cada capítulo, o autor cita partes do diário de viagem, que foram escritos no chinês clássico e explica o que elas significam com informações detalhadas.

O autor diz que “O Diário de Jehol” foi um verdadeiro “best-seller” em 1780.

As notícias sobre o diário de viagem se espalharam rapidamente pelo boca a boca, enquanto seus leitores discutiam as experiências divertidas que o autor descrevia.

As reações ao diário foram polarizadas – Alguns gostaram porque era divertido. Mas alguns, particularmente a classe alta conservadora, acharam desagradável porque pensavam que Bak havia tentado agradar a dinastia Qing, governada por Manchus, um grupo étnico que eles consideravam bárbaros.

Naquela época, a classe dominante e os altos oficiais do reino Joseon consideravam a dinastia Qing um regime ilegítimo que tomou o poder depois de derrubar a dinastia Ming“, escreveu Park.

Naquela época, os estudiosos de Joseon viam a dinastia Ming como um governo legítimo e não retiraram seu endosso mesmo depois que a dinastia foi encerrada. Portanto, a classe dominante de Joseon se sentiu ofendida ao ler o diário de viagem de Bak, que elogiou a China governada pela dinastia Qing“.

Imagem: 클래식 클라우드 (Naver)

As descobertas e as lições que Bak aprendeu com os chineses também incomodaram a classe dominante de Joseon.

Park disse que Bak era um escritor incomparável e talvez o maior de todos os estudiosos da era Joseon, em concordância com um especialista que argumentou que as obras de Bak são um dos três melhores legados da era Joseon.

Os dois outros legados, disse ele, são as táticas militares do almirante Yi Sun-sin e as realizações acadêmicas alcançadas por dois estudiosos confucionistas, Yi Hwang e Yi I, cuja rivalidade acadêmica elevou o nível do debate filosófico, também durante a dinastia Joseon.

“O Diário de Jehol”

Imagem: Namuwiki

O diário é o relato de Bak sobre a China, com base em suas experiências durante sua longa expedição ao país – de 25 de maio a 27 de outubro de 1780.

A viagem significou uma mudança de vida para Bak. Foi sua primeira vez fora do país e o destino era um lugar que os coreanos estavam ansiosos para visitar. Os laços da família do autor com Bak Myong-won, que foi apontado como principal emissário da delegação, o ajudaram a aproveitar a rara oportunidade.

Bak tinha 44 anos quando embarcou na viagem à China.

Embora a viagem da delegação tenha começado em maio, o diário de viagem começa em 24 de junho quando sua equipe chegou ao rio Amrok, ou Yalu, na fronteira de Joseon com a China.

O diário oferece uma descrição detalhada dos deveres dos funcionários de controle de fronteiras, por exemplo. Os viajantes não tinham passaporte, por isso os oficiais de imigração registravam detalhes sobre as pessoas que chegavam ao país, como nome, endereço, altura e se tinham cicatrizes visíveis no rosto ou no corpo. A cor da crina de seus cavalos também era registrada.

Ouro e pérola eram alguns dos produtos proibidos que os viajantes não podiam levar durante a viagem ao exterior.

O choque cultural de Bak começou quando ele chegou à cidade fronteiriça chinesa conhecida pelos coreanos como Chaekmun. Antes da viagem, ele foi informado de que era uma das cidades chinesas mais marginalizadas. Ele ficou surpreso ao descobrir que a cidade fronteiriça era sofisticada, limpa e próspera. Bak imaginou quão extravagante seria o coração da China já que a cidade fronteiriça mais marginalizada era tão sofisticada quanto aquela.

Imagem: 예장뉴스

A viagem de Bak à China o iluminou. Ao visitar Shenyang, Pequim e Jehol (Chengde), o estudioso percebeu que seu país de origem estava indo na direção errada. Ele escreveu que Joseon precisava reforçar suas capacidades de defesa e impulsionar o comércio para fortalecer o país.

Suas palavras foram consideradas sensacionalistas na época porque Joseon era uma sociedade fechada que condenava o materialismo.

Os valores morais e a ética eram tidos como normas sociais dominantes e o comércio era considerado um setor para cidadãos de classe baixa. Na classe alta, estudiosos desempregados eram comuns. Eles liam livros e escreviam o dia todo, sem ganhar nenhum dinheiro.

Estudiosos desempregados que viviam na pobreza eram considerados frugais e não eram repreendidos por isso. Poucas pessoas os culpavam por sua falta de vontade de encontrar emprego porque o materialismo era retratado como um mal.

O livro de Park Soo-mil acusa a dinastia Joseon de não ouvir as propostas inovadoras de Bak.


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