“Eu sou um cão. Os humanos me chamam de ‘Guseul'”.

Essa é a linha de abertura no mais novo livro ilustrado da amada escritora e ilustradora de livros infantis, Baek Hee Na, lançado em meados de abril.

Um conto de um cão que não é tão especial, que vive em casa, cuja vida é praticamente toda sobre a espera dos companheiros de duas patas para retornar e levá-lo para uma caminhada, “I Am a Dog” é um livro típico de Baek: espirituoso, divertido de ler e visualmente cativante. E como em seus livros anteriores, não deixa de dar aos leitores essa sensação de calor em seus corações.

Foto: The Korea Herald – Baek Hee-na, autora e ilustradora de “Magic Candies” e “Cloud Bread”, com o personagem principal de seu último livro “I Am a Dog”. (Foto fornecida pelo autor)

“A parte mais difícil foi pensar do ponto de vista de um cachorro”, disse Baek, em uma entrevista. Construir um personagem de cachorro que é saudável e consistente, tanto na narrativa quanto no visual, foi mais difícil do que se imaginava, explicou ela.

O resultado, no entanto, é uma história brilhante de um cão de estimação contada através da voz daquele cachorro – como por que não pode deixar de responder a outro cão uivando, ou a perplexidade do cão com a forma como um menino de 5 anos ainda tropeça .

Foto: The Korea Herald, capa de “I Am a Dog”

Sobre os uivos, a narrativa de Guseul é assim: Como nasceu de uma mãe muito produtiva que deu à luz muitos filhotes a cada ano, há uma grande chance de muitos cachorros da vizinhança serem seus irmãos. Então tem que dizer olá para eles uivando, “porque podemos ser família”.

Baek, uma amante de cães, cuidou de três cães de estimação em sua vida. Os personagens de Guseul e sua mãe são todos extraídos de suas próprias memórias deles, com o livro agindo como um tributo.

Pensar na vida de um cão de companhia ajudou-a nos momentos difíceis de uma forma inesperada.

“Em janeiro do ano passado, a decisão do tribunal de primeira instância foi tomada, o que foi devastador para mim. Eu ainda não tenho direitos sobre o meu livro de estréia ‘Cloud Bread’, disse Baek, referindo-se a sua batalha judicial muito divulgada com o editor de seu trabalho de 2004.

Fora do mundo dos livros ilustrados, ela é mais conhecida como vítima de um contrato de publicação injusta, tendo recebido apenas 18,5 milhões de won (US $ 15.600) pelo seu trabalho. O livro provou ser um sucesso fenomenal, produzindo uma grande franquia de dinheiro de uma produção musical aberta, animação de TV e até mesmo um “cloud bread” (pão de nuvem) em uma linha de padaria. A mídia local estimou o valor dessa franquia em 440 bilhões de won.

O tribunal considerou válido o contrato de Baek com a editora e anulou seu pedido de devolução dos direitos autorais.

A briga, ela sempre disse, era uma que ela não podia desistir por causa de todos os escritores que, antes de fazerem um nome para si mesmos, estão freqüentemente sujeitos a tratamento injusto nas mãos da indústria editorial.

No entanto, a perda foi um golpe em um nível pessoal. No Twitter, ela confessou ter sido profundamente afetada, a ponto de questionar por que ela trabalha tanto para lançar um livro.

“A maneira como Guseul aceita sua vida como é e dá amor incondicional a seus companheiros me fez continuar com o meu trabalho através das dificuldades”, disse ela, acrescentando que espera que seu livro faça o mesmo com os leitores.

Trabalho de Amor

A visualização é uma parte importante de sua narrativa.

Para “I Am a Dog”, ela escolheu um processo criativo parecido com o making of de um filme de Claymation (massinha), visto em suas publicações recentes como “Magic Candies”, “The Strange Visitor”, “The Bath Fairy” e “The Strange Mum”.

Primeiro ela tem um storyboard com esboços das cenas. Ela cria esculturas de cada personagem com fios, papel alumínio e barro, acrescenta cor e os veste. Ela então os organiza em um conjunto em miniatura feito de todos os materiais imagináveis. Com efeitos de luz, ela os fotografa centenas de vezes até obter a foto perfeita. Cada cena passa pelo mesmo processo tedioso e trabalhoso. No total, o processo de visualização de um livro requer de sete a oito meses em média.

Ainda assim, é um trabalho de amor.

“Há esse momento, que só posso descrever como sendo mágico, quando tudo está certo, as esculturas ganham vida e se tornam personagens vivas com todas as emoções”, explica. “Eu sinto uma sensação de catarse”.

Foto: The Korea Herald

Ao crescer, Baek adorava desenhar e brincar com bonecas. “É um trabalho baseado em um passatempo de longa data”, disse ela.

Embora ela tenha lidado com esculturas de argila com frequência recentemente, Baek evita confinar seu estilo a um certo tipo. Em seus trabalhos anteriores, ela às vezes apenas desenhava, recortava papel ou fazia bonecos de pelúcia.

“Depende da história que quero contar. Eu procuro a melhor maneira de ilustra-la”, explicou ela.

Para ela, a linha de base é que ela quer aproveitar o processo de fazer um livro.

“Só então, o resultado é agradável para os leitores”.

Baek estudou tecnologia educacional na Ewha Womans University e animação no California Institute of the Arts nos EUA. Seu primeiro livro, “Cloud Bread”, foi um best-seller instantâneo após seu lançamento em 2004, trazendo sua fama e reconhecimento. Ela foi nomeada ilustradora do ano no Prêmio de Literatura Infantil de Bolonha em 2005 pelo livro.

Sua obra mais popular, além de “Cloud Bread”, é “Magic Candies”, lançada em 2017. Ela vendeu mais de 170.000 cópias. O livro recebeu ótimas críticas de leitores e editores no Japão, ganhando uma série de prêmios.

“I Am a Dog” detalha uma história anterior a “Magic Candies”, que conta a comovente história de um menino solitário que, com a ajuda de doces mágicos, ouve as vozes não ditas de um sofá, Guseul e outros.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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