Você pode supor que, se um estilista continuar ganhando prêmios internacionais e administrando sua marca com sucesso por anos na indústria cruel, a pessoa se tornaria egocêntrica e exigente em tudo, como “um diabo vestindo Prada”.

No entanto, Kim Min-ju, designer da “Minju Kim” e vencedora da mais recente série de concursos de moda da Netflix “Next in Fashion” (que possui o objetivo de estabelecer um designer para liderar a próxima geração do cenário internacional da moda), reverteu completamente esta norma.

Confira todos os looks ganhadores desta temporada da série:

Kim venceu ao lançar 10 peças de tirar o fôlego na rodada final da competição e acabou recebendo 250 mil dólares como prêmio, com a chance de lançar sua marca no shopping on-line de alta costura Net-a-Porter.

Durante a competição, os designs de Kim receberam notas altas por suas volumosas silhuetas e detalhes femininos em padrões lúdicos – identidade de Kim e sua marca. Sua última coleção está disponível online e alguns itens já se esgotaram.

Além de suas realizações na série do Netflix, Kim já mostrava um desempenho sem precedentes como designer emergente. Em 2013, ela ganhou o Prêmio de Design da H&M como estudante, trabalhando em uma coleção cápsula com a marca e foi selecionada para o Prêmio LVMH de jovens designers de moda em 2014.

Ela também administra com sucesso sua própria marca, a “Minju Kim” desde 2015, lançando coleções todos os anos no mercado global e trabalhando com os principais grupos de K-pop, como BTS e Red Velvet.

Kim Min-ju, designer ganhadora da série “Next in Fashion” do Netflix. Foto: Koreatimes

Foi ela quem desenhou os figurinos da turnê mundial do BTS para as músicas “DNA” e “I Need You”, enquanto vestia o Red Velvet no videoclipe de sua música “One of These Nights”.

No entanto, independentemente de seus projetos triunfantes, como muitos testemunharam na série, ela permaneceu humilde, sabendo o significado de trabalhar com outras pessoas e o poder de fazer perguntas. Tal atitude pode ter desempenhado um papel significativo em sua vitória na competição e resultou em um trabalho semelhante à personalidade da designer.

“Adoro feedback. Fico muito feliz quando alguém me responde… Não consigo criar designs de moda sozinha. Eu sempre tenho o apoio da minha equipe. Pergunto a minhas costureiras e equipe todos os dias se estou bem em fazer o design de certas maneiras”, disse Kim aos 33 anos.

“Estou extremamente feliz por vencer a competição… Mas sou uma pessoa de muita sorte. Eu tenho realmente boas lembranças e experiências na minha vida… Farei o meu melhor no meu trabalho para entregar uma escolha de moda para as pessoas e compartilhar coisas boas com elas. É nisso que acredito e continuo tentando me tornar uma pessoa melhor … que é para sempre o meu objetivo.”

Peça da coleção Primavera/Verão 2020 da marca “Minju Kim”. Foto: Koreatimes/Kim Min-ju

Garota sem intenção de seguir a moda

Nascida e criada na cidade de Gwangju, no sudoeste, Kim estudou na Nova Zelândia na adolescência, na esperança de se tornar professora de arte, mas depois começou a estudar moda no Instituto de Arte e Design Samsung (SADI), em Seul, após se formar, seguindo o conselho de seus pais.

“Adorava pintar e queria me tornar cartunista desde jovem. Eu estava planejando entrar em uma escola de arte na Nova Zelândia, mas meus pais me deram conselhos para estudar moda em Seul e esse foi o começo de minha carreira na moda… eu não era uma pessoa que nasceu para se tornar estilista. Eu estava longe de seguir tendências ou invejando meus colegas que usavam roupas da moda na escola de design. Essa é uma das razões pelas quais demorei tanto tempo estudando moda e me assegurando que eu realmente amava moda”.

Mais tarde, ela foi para a Bélgica para continuar sua carreira na prestigiada Royal Academy of Fine Arts Antwerp, onde aprendeu a alegria de ser estilista e o amor pela moda, cercada por personalidades renomadas, incluindo o designer-professor Walter Van Beirendonck, ela recorda. Na escola, Kim aprendeu como transformar arte e design em moda, o que a ajudou a lançar sua própria marca em vez de trabalhar como funcionária de uma empresa de moda.

Kim pretendia fazer seu próprio caminho no cenário internacional com sua marca, com base em sua experiência internacional. No entanto, ela achou difícil continuar trabalhando remotamente com clientes no exterior sem uma base local. Foi quando ela decidiu estabelecer uma base em Seul, onde há muitas fábricas de roupas com cortadores e costureiros qualificados.

“Quando comecei minha coleção, continuei tentando lançá-las para mercados estrangeiros. No entanto, apesar de trabalhar com estilistas de renome, não funcionou bem, pois estava longe (do cliente) e não podia usar minha língua materna, o coreano. Então, voltei para a Coreia para poder me comunicar com as pessoas pessoalmente e controlar diretamente a qualidade dos produtos”.

Ela também seguiu o conselho de Jung Ku-ho, diretor criativo da KUHO e um dos designers locais mais renomados, incentivando a promover sua marca na Coreia, uma das principais razões pelas quais ela aceitou a proposta da Netflix de participar do reality de moda.

“Eu conheci Jung, o diretor artístico da Seoul Fashion Week, e me disseram que um designer coreano precisa ser amado pelo povo coreano, pois isso torna a marca de moda sustentável. O conselho me ajudou a decidir sobre expandir os negócios aqui”.

Inspirações da vida cotidiana na Coreia

As obras de Kim são conhecidas por serem volumosas, usáveis e por suas cores sofisticadas, que são exclusivamente femininas. Seus trabalhos parecem um pouco com a roupas tradicional coreana, o “hanbok”.

Ela disse que não pretendia criar roupas no estilo hanbok, mas saiu naturalmente ao mesmo tempo em que foi inspirada por sua vida cotidiana e pelas coisas ao seu redor.

“Quando eu libero meus padrões e desenhos, as pessoas costumam dizer que são muito coreanas. Minhas experiências aqui surgem naturalmente em projetos… Minha cidade natal é Gwangju. Foi por isso que eu disse no episódio de criação de estampas que a forsítia é bonita na primavera. Eu me inspiro quando descanso sozinha. Eu jogo muito, assisto filmes, vou a museus e compro livros de design”.

Ela autoproclama sua marca como “estilo conto de fadas” e sua coleção é um diário, pois contém muitas coisas internas, que podem ser inter-relacionadas de várias maneiras e tocar os corações de todos.

“Minhas coleções são como meu diário. Tento transformar meus pensamentos e momentos bonitos ou tristes em parte da minha coleção. Por exemplo, na minha terceira coleção, que inclui estampas de gatos, eu queria me lembrar do momento em que adotei meu gatinho. Quando tive pesadelos depois de terminar com pessoas de quem gostei, coloquei as lembranças em minha coleção”.

Kim Min-ju ao lado de Aleza Chung e Tan France, apresentadores da série “Next in Fashion”. Foto: Koreatimes/Minju

Objetivo como aspirante a designer

Kim agora está trabalhando em sua coleção outono/inverno 2020, a ser apresentada nas semanas de moda de Paris e Seul (que estão previstas para a última semana de fevereiro e o início de março, respectivamente), enquanto também colaborava com empresas de moda coreanas. Ela planeja expandir sua linha de roupas, da qual os vestidos tem sido o foco principal. Kim não trabalha apenas como designer, mas também leciona na Universidade Kookmin, nutrindo os designers de amanhã.

A razão de poder trabalhar como designer e palestrante é simplesmente porque ela gosta de seus trabalhos anteriores e não quer se arrepender de estar ociosa com suas obras de arte. “Não desisti porque amo o que fiz. Algumas pessoas dizem que os designers não devem olhar para trás. Mas acho que meus trabalhos anteriores podem criar o próximo eu, meu novo trabalho. É por isso que quero fazer o meu melhor e ser mais honesta comigo mesma”.

Ela disse que continuará fazendo o que faz e continuará trabalhando duro para ajudar as pessoas a se inspirarem em seu trabalho.

“Estou tão feliz que posso ensinar a forma como me inspiro e transformar ideias em obras de arte ilustradas … Eu continuaria o mesmo com minha marca. Existem tantas marcas no mundo. Eu não tenho noção de quantas. Mas, simplesmente quero ficar perto dos clientes. Quero fazer da minha marca uma das opções que dão às pessoas a chance de identificarem seus sentimentos e estilos que foram facilmente esquecidos”.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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