Sung Shi-yeon, 43 anos, é uma das poucas maestrinas de música clássica mundial.

Trilhas flamejantes não são novidade para Sung, optando sempre por seguir sua própria paixão e felicidade ao preço das incertezas e medo, proporcionado uma vida cheia de desafios.

“Acho que gosto de aventuras. Se eu quero algo de verdade, tenho a persistência de tentar. Se funciona, é uma bênção e gratidão; e se não funciona, nunca me arrependo, porque ao menos sei que dei uma sincera tentativa”, disse ela.

 

Sung foi a primeira mulher a ganhar o 1º prêmio no prestigioso Concurso de Condutores Internacionais Sir George Solti em 2006 e venceu a Competição de Condução Gustav Mahler em 2007.

Naquele ano, ela também se tornou a primeira mulher a ser nomeada como regente assistente na Orquestra Sinfônica de Boston desde sua fundação, em 1881.

Maestrina Sung Shi-yeon. Foto: Koreatimes

Ela também foi a primeira maestrina chefe e diretora artística de uma orquestra pública coreana. Liderou a Orquestra Filarmônica de Gyeonggi de 2014 a 2017, período em que Sung ganhou reconhecimento internacional por sua capacidade de evoluir a orquestra ã um nível superior, com sucesso.

Sob a batuta de Sung, a Filarmônica de Gyeonggi tornou-se a primeira orquestra asiática a ser convidada para o Musikfest Berlin, um festival de música de renome internacional, em 2017. Sung e sua orquestra também gravaram a Sinfonia nº 5 de Mahler para a gravadora Decca.

Muitos fãs coreanos de música clássica ficaram surpresos quando Sung decidiu sair da Orquestra Filarmônica de Gyeonggi no final de 2017, deixando para trás suas conquistas estelares com a orquestra e voltar para Berlim em 2018, local de onde ia e voltava constantemente nos últimos 20 anos.

Sung não estava com medo das incertezas ao chegar ao estável pódio de condutora chefe em sua terra natal. “Eu queria crescer e ser mais madura, tanto musical quanto internamente, abraçando mais desafios”, disse ela.

Conduzindo a SPO após dois anos

Atualmente Sung está conduzindo grandes orquestras internacionais ao redor do mundo mas recentemente, visitou Seul para realizar um concerto com a Orquestra Filarmônica de Seul (SPO), com um repertório repleto de obras românticas alemãs de Mahler, Schumann e Strauss.

Sob o título “Poetas e Sonhadores” (Poets and Wanderers), o concerto no Centro de Artes de Seul apresentou os poemas e canções sinfônicas dos compositores alemães, com a soprano lírica alemã Anne Schwanewilms.

Foi sua primeira vez em quase 2 anos, realizar um concerto com a  SPO na temporada regular, desde a realização da Sinfonia nº 4 de Mahler em junho de 2017. Sung ficou profundamente comovida com a química da orquestra, onde atuou como regente assistente de 2009 a 2013.

“Senti uma conexão especial com a orquestra, pois eu e os imúsicos pudemos perceber que todos nós crescemos musicalmente nos últimos anos. Tal relacionamento humano desempenhou um papel essencial para criar o melhor som no concerto”, disse ela.

‘Boa música suaviza corações endurecidos’

Graças à sua experiência em liderar a Orquestra Filarmônica de Gyeonggi como regente principal durante quatro anos, agora, ela se sente mais relaxada.

“Ao ser regente-convidada, ensaios com a orquestra só acontecem uma ou duas vezes antes da apresentação. Eu ficava mais tensa devido ao estresse de trazer o melhor de uma orquestra da qual não estava familiarizada em poucos dias. Mas agora, essas manias desnecessárias foram removidas, pois percebi que conduzir orquestras é basicamente tudo sobre relações humanas no nível fundamental”.

“Nós nos comunicamos, conversamos e respiramos através da música, mas tudo é baseado em interações humanas. Os normais e simples movimentos humanos entre os integrantes da orquestra enchem a música”, disse ela.

Antes de assumir o bastão de maestrina, Sung era aspirante a pianista. Começou no piano aos 4 anos de idade, obtendo um mestrado na Universidade de Artes de Berlim. Mas ela teve o desejo de se aprofundar na música.

Enquanto assistia um vídeo do falecido maestro Furtwangler, ela sentiu um momento de tirar o fôlego ao perceber que também queria aprender a conduzir. Sung então estudou regência de orquestra com Rolf Reuter, na Escola de Música Hanns Eisler em Berlim.

“A musicalidade do falecido maestro Furtwangler reside no seu talento notável em atrair a paixão interior dos músicos. Ele também sabia como criar música fluída, transcendendo quaisquer barreiras ou obstáculos musicais. O falecido maestro Abbado tinha a habilidade de tornar qualquer som musical excepcionalmente estético, sem dizer muito. Ele também era um completo perfeccionista. É maravilhoso ver esses grandes talentos”, disse ela.

Sung foi humilde o suficiente para dizer que não nasceu com um talento enorme e que também está aprendendo com muitos maestros contemporâneos, pois todos eles podem ser ótimos professores.

“Meu sonho é fazer boa música. Para mim, boa música é definida pela habilidade de suavizar ou derreter corações endurecidos. Uma música que pode ressoar bem com os corações do público e movê-los profundamente. Quero fazer este estilo de música para compartilhar com o público”, disse Sung.

Ela irá conduzir a Orquestra Nacional da Ilha de França em abril, junto com outras grandes orquestras, incluindo a Royal Philharmonic em Londres, a Seattle Symphony e a LA Philharmonic, em um futuro próximo.


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