Fonte: SBS

Os fãs de K-pop provavelmente já ouviram essa frase antes: “ah é a má sorte dos 7 anos”.

É um mito de longa data no K-pop no qual se acredita que a maioria dos grupos se desfaz quando chegam ao sétimo ano juntos. O caminho para o legado do K-pop está alinhado com grandes grupos que lutaram para sobreviver nos últimos sete anos, mas também existem nomes menos conhecidos que duraram muito mais tempo.

Então, quais são as origens da superstição dos 7 anos e isso tem realmente algum peso?

Aqui estão alguns dos fatores que explicam como a superstição se tornou algo real no K-pop.

Contratos

É do conhecimento geral que a maioria dos artistas assinam contratos de sete anos antes da estreia. A verdade é que a lei que restringe os contratos de integrantes a um máximo de sete anos é bastante recente.

Em 2008, o TVXQ! ganhou as manchetes quando três integrantes levaram a SM Entertainment ao tribunal ao longo de seu contrato de 13 anos, coloquialmente chamado de ‘contrato escravo’. Jae-joon, Yoo-chun e Jun-su (JYJ) deixaram a SM Entertainment, mas lutaram para se recuperar na indústria de entretenimento coreana, e grande parte de seu sucesso desde então ocorreu no Japão.

O grupo JYJ. Foto: Kpop Wiki

A consequência dessa controvérsia foi a reforma da lei. A Comissão Coreana de Comércio Justo criou uma regra em 2009 limitando os contratos de entretenimento a sete anos. Isso significa que a maioria dos integrantes de grupos da terceira e quarta geração ativos no momento estariam sob contratos de sete anos.

Então no caso, a má sorte dos sete anos seria apenas sobre grupos que decidem se renovam seus contratos ou não.

Rotatividade da indústria

Além das reformas legais, há algo significativamente diferente na indústria do K-pop de hoje – a rotatividade.

No K-pop do início dos anos 2000, havia talvez 10 grupos estreando por ano. Havia espaço nas paradas musicais e no coração dos fãs para as novas músicas e artistas sendo apresentados a eles. Os fãs formavam conexões e investiam tempo escolhendo entre um grupo menor de artistas.

Mas os debuts no K-pop dobraram, até mesmo triplicaram: em 2017, por volta de 38 grupos e sub-units debutaram. Com tantos artistas buscando atenção da mesma audiência, muitos são inevitavelmente perdidos neste meio. Se eles não causam impacto, o contrato de 7 anos passa em inatividade, e o grupo desaparece sem deixar rastros.

Contudo, o oposto também possa acontecer, veja o grupo NU’EST, por exemplo. Antes de 2017, muitos esperavam que eles fossem vítimas da superstição, mas sua aparição na segunda temporada do programa Produce 101 revitalizou sua carreira e eles lideraram as paradas como NU’EST W e recentemente com seu retorno ao OT5.

Nuest. Foto: Hello Kpop

Manter o ritmo também é mais difícil do que nunca para os artistas, com expectativas de dois ou três comebacks por ano, o que que provavelmente os desgastarão com o tempo. Embora os grupos recém estabelecidos sintam-se pressionados com lançamentos constantes de novas músicas, os grupos mais antigos, que trabalham duro há mais tempo provavelmente já estarão pensando em seguir novos caminhos na carreira.

Relacionado com a rápida introdução de novos rostos, está o fato de os grupos mais velhos lutarem para manter a popularidade devido ao simples fato de serem realmente mais velhos. O K-pop tem um público diversificado quando se trata de idade, sexo e etnia, mas a indústria ainda detém um valor especial em atrair as pessoas mais jovens e grande parte da música e do visual atendem a esse público.

À medida que os grupos envelhecem, como Super Junior ou TVXQ! cujos membros agora estão na casa dos trinta anos, eles se voltam para as águas internacionais. TVXQ! se tornou o grupo de K-pop de maior sucesso no Japão, graças à preferência do país por grupos pop masculinos mais velhos. Enquanto isso, o SuJu mantém um grande número de seguidores internacionais, especialmente na América do Sul e no Sudeste Asiático, onde eles realizam shows esgotados.

Então, quem foi realmente atingido pela má sorte dos 7 anos?

Há uma longa lista de grupos incrivelmente talentosos que não passaram de sete anos. O 2NE1 não renovou seu contrato após a saída de Minzy, o BEAST cortou laços com a Cube Entertainment e formou o HIGHLIGHT sem um integrante (e desde então perdeu outro); e o Girls’ Generation continuou, mas perdeu integrantes desde o sétimo ano.

A 2NE1 lançou até uma música de despedida, Goodbye:

Em 2018, o B.A.P anunciou o disband, o AOA perdeu uma integrante em seu período de renovação de contrato e o EXID anunciou que duas integrantes deixariam a agência, enquanto três permaneceriam e se concentrariam em projetos solo.

É realmente uma má sorte ?

Se você é supersticioso, talvez ainda esteja pensando no número sete e preocupado este ano, com todos os seus favoritos que estrearam em 2012. Mas não é algum tipo de maldição secreta que persegue os artistas, é apenas um fato. Enquanto muitos integrantes optaram por seguir novos caminhos depois de sete anos, muitos continuaram o curso. Basta olhar para SHINee, Shinhwa, Apink, BtoB, EXO e EpikHigh, entre outros.

O Shinhwa chegou a ter um hiato mas está na ativa desde 1998. Foto: Channel Korea

Desde que os artistas sejam felizes e saudáveis, é melhor aproveitar e apreciar o que eles compartilham conosco pelo tempo que quiserem (e puderem)!


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