Nos últimos anos, a representação de personagens LGBTQIA+ nas novelas coreanas evoluiu, cada vez mais eles aparecem como personagens principais e secundários.

Em vez de evitar as minorias sexuais ou descrevê-las de forma cômica, como foi o caso no passado, os dramas coreanos começaram a retratar personagens LGBTQIA+ de maneiras que antes eram consideradas tabus na indústria de entretenimento coreana.

No passado, os personagens LGBTQIA+ raramente tinham partes importantes e apareciam por não mais que três episódios. A maioria dos personagens costumavam ter histórias de amor não correspondidas e desempenhavam o papel de apoiar os personagens principais nas buscas por amor.

Em alguns dramas, os homossexuais acabavam se tornavam héteros depois de um certo tempo. Além disso, personagens lésbicas apareciam com muito menos frequência enquanto que personagens bissexuais eram quase inexistentes.

No entanto, o retrato de minorias sexuais nos dramas coreanos tem melhorado ultimamente. Um dos momentos decisivos foi quando o ator, abertamente gay, Hong Seok-cheon voltou à atuar depois de não poder aparecer na TV por três anos porque nenhum produtor estava disposto a contratá-lo.

Imagem: 홍석천 (Viki)

No drama da SBSPerfect Love” (2003), Hong voltou à tela como uma personagem homossexual que era inteligente e cuidava de suas amigas. Desde então, muitos personagens gays são retratados como homens bonitos e inteligentes, um afastamento dos papéis efeminados e cômicos aos quais foram relegados anteriormente.

No drama da SBSLife is Beautiful” (2010), os personagens homossexuais interpretados pelos atores Song Chang-eui e Lee Sang-woo conseguiram um final feliz juntos, e desde então mais personagens da comunidade LGBTQIA+ foram representados.

Não acho que os problemas tenham sido resolvidos, mas sinto que há menos descrições cômicas das minorias sexuais. No entanto, isso pode ser causado pelo fato de a sociedade ser mais cautelosa em relação aos estereótipos de gênero, em vez de diminuir o ódio subjacente às minorias sexuais”, disse um ativista dos direitos dos gays.

Os dramas começaram a abordar problemas reais que a comunidade LGBTQIA+ enfrenta. Embora alguns dramas no passado os tenham retratados de maneira insensíveis, como forçando-os a se assumirem publicamente, as recentes séries de TV abordam a intensa pressão psicológica que as minorias sexuais experimentam na sociedade coreana.

Na série “My Unfamiliar Family“, da tvN, o ator Kim Tae-hoon interpreta o papel de um homem homossexual que esconde sua identidade e se casa com uma mulher. Quando a esposa descobre que seu marido é gay, o conflito emocional que se segue é mostrado em grandes detalhes.

Imagem: My Unfamiliar Family (Viki)

Em “Sweet Munchies” da JTBC, Lee Hak-joo, que interpreta o designer Kang Tae-hwan, é atraído por Park Jin-sung, interpretado pelo ator Jung Il-woo, que finge ser gay para aparecer em um programa de TV. O romance de três vias entre os dois e a amante de Park chamou a atenção dos espectadores.

O aumento da exposição da comunidade LGBTQIA+ através do cinema e da televisão “pode mudar preconceitos e atitudes tendenciosas em relação a eles“, de acordo com o relatório de Kim Chul-kwon, professor da Universidade Dong-a.

No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer.

Os atores geralmente sofrem com comentários negativos dos espectadores após interpretarem personagens LGBTQIA+ na tela.

Além disso, as interações físicas entre personagens do mesmo sexo raramente são mostradas, a menos que estejam em situações cômicas e com personagens heterossexuais, como a famosa cena de beijo entre Hyun Bin e Yoon Sang-hyun no drama da SBSSecret Garden“.

Imagem: “Seonam Girls High School Investigators” (The Korea Herald)

Quando a JTBC mostrou duas garotas do ensino médio se beijando em “Seonam Girls High School Investigators” (2014), a Comissão de Padrões de Comunicações da Coreia, em 2015, emitiu um aviso, dizendo que o drama quebrou os padrões morais da sociedade.

Acho que as minorias sofrem de doenças mentais diferentes da maioria“, disse um comissário na época, enquanto as comunidades LGBTQIA+ realizavam protestos em resposta ao alerta do KCSC.


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