Embora a série dramática da SBSBackstreet Rookie” não tenha respondido às queixas dos telespectadores sobre sua objetificação sexual das mulheres, o drama foi envolvido em mais controvérsias, desta vez sobre a representação racista de um personagem estrangeiro.

Durante o quinto episódio do programa, um homem que se apresenta como nigeriano encontra um coreano com dreadlocks semelhantes ao dele em uma loja de conveniência e os dois se abraçam de repente porque “pertencem à mesma família jamaicana“. Cantando melodias incompreensíveis, os dois dançam juntos ao som de uma música instrumental.

O personagem do ator Eum Moon-suk e seus “dreadlocks”. Foto: SBS

A cena provocou indignação dos espectadores estrangeiros do drama.

Os comentários nas mídias sociais incluíram: “Diga-me por que isso acontece em um K-drama popular nos dias de hoje. Por mais que eu goste de Ji Chang-wook, essa novela precisa terminar”e “Isso é tão estereotipado. Eles realmente pensam que toda pessoa africana é a mesma. Estou tão enojado com o fato de esse drama ser feito em 2020“.

O drama da SBS, estrelado por Kim You-jung e Ji Chang-wook, estava em maus lençóis mesmo antes de seu primeiro episódio ser exibido, porque o webtoon em que se baseia tem muitas cenas sexualmente sugestivas – A história, de mesmo título, contem objetificação sexual de uma menina menor de idade e mostra o romance entre uma funcionária menor de idade e um adulto, gerente da loja de conveniência.

Em resposta aos protestos de preocupação, o diretor da série, Lee Myung-woo, explicou que a série é um programa que toda a família pode assistir juntos: “Tomando apenas a energia positiva dos dois personagens principais nos quadrinhos originais“.

No entanto, quando estreou, a série recebeu críticas dos espectadores devido a várias cenas, incluindo uma que mostra uma garota do ensino médio flertando com um homem adulto e beijando-o nos lábios e outra retratando a prostituição – não retratada nos quadrinhos originais – que é proibida por lei na Coreia.

Alguns dias após a exibição do primeiro episódio, mais de 6.000 reclamações foram feitas na página da Comissão de Padrões de Comunicação da Coreia (Korea Communication Standards Commission), algumas até pedindo que o programa fosse interrompido, enquanto outros reclamaram direto no site da emissora e nas mídias sociais.

De acordo com a explicação feita por um funcionário do KCSC, na quarta-feira, um subcomitê deve deliberar sobre os episódios em relação ao Artigo 27 (deveres de integridade) e ao Artigo 51 (uso da linguagem para transmissão) do regulamento do órgão.

Parece que o produtor acreditava que ele poderia sublimar elementos tão problemáticos dos quadrinhos originais – sejam os aspectos sexuais ou discriminatórios – por meio de um humor exagerado, que também foi mostrado na série anterior do produtor ‘The Fiery Priest‘, disse o crítico de teatro Yun Suk-jin ao The Korea Herald.

O pensamento de que ele poderia adaptar o conteúdo original ao drama negligenciando tais elementos foi um erro“.

Imagem: The Korea Post

Enquanto isso, o drama de retorno do galã Kim Soo-hyun, “It’s Okay to Not Be Okay” da tvN, também recebeu mais de 50 reclamações no site da KCSC sobre suas cenas de assédio sexual.

No terceiro episódio do programa, que foi ao ar em 27 de junho, a personagem principal Mun-young, interpretada por Seo Ye-ji, entra no vestuário masculino e olha descaradamente para Gang-tae, interpretado por Kim, enquanto ele troca de roupa, toca seu corpo nu contra sua vontade e faz comentários sexualmente ofensivos.

Mun-young, que é retratada como tendo um distúrbio de personalidade, continua a fazer comentários de julgamento sobre a aparência de Gang-tae e tratando-o como sua posse.

Um funcionário da KCSC acrescentou que a deliberação sobre “It’s Okay to Not Be Okay” ainda não foi decidida.

Yun, também professor de literatura coreana na Universidade de Chungnam, explicou que a discordância entre os produtores de TV e os telespectadores mais jovens em sua sensibilidade às questões de gênero pode ser a razão fundamental por trás das contínuas controvérsias.

“A expressão ‘sensibilidade ao gênero’ em si não é familiar para muitos em nossa sociedade e, embora as ideias sobre igualdade de gênero tenham evoluído rapidamente recentemente, isso não é retratado nas produções de drama televisivo. Essas atitudes ociosas (em relação ao gênero) mantidas pelos produtores, impulsionadas por sua batalha pela audiência, acabam na criação de cenas inadequadas”.


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