No passado, poucos tiveram a oportunidade de conhecer o continente antártico e os que lá estiveram, na sua maioria, foram cientistas homens. Contudo, hoje cresce o número de mulheres que almejam construir uma carreira no mundo do conhecimento e tornarem-se líderes em missões e projetos de pesquisa que visam trazer novos horizontes e descobertas às futuras gerações. Ingrid Christensen, uma exploradora norueguesa, foi uma das primeiras mulheres a ver a Antártida em 1930. Já a geóloga soviética Maria Klenova foi a primeira a realizar um trabalho científico no continente em 1956.

In-Young Ahn é a primeira mulher sul-coreana a visitar o continente e a primeira asiática a se tornar líder da estação King Sejong, local que serve ao Programa de Pesquisa Antártica da Coreia, que leva o nome do Rei Sejong, o Grande de Joseon (1397–1450). Fundada em 17 de fevereiro de 1988, ela consiste em 11 instalações e dois observatórios, e está localizada na Península de Barton (Ilha King George), onde desfruta de um clima mais ameno, atraindo muitos animais para reprodução no verão e, consequentemente, biólogos.

In-Young  é uma ecologista bentônica, um campo científico que estuda organismos que vivem no fundo de ambientes aquáticos. Estes se distribuem dentro ou sobre os sedimentos fixos sobre rochas e demais tipos de substratos, como por exemplo corais, crustáceos e poliquetas. Os animais desta região rastejam, prendem-se ou vivem enterrados na areia ou no lodo. In-Young Ahn tem interesses especiais em invertebrados bentônicos e o monitoramento dos ecossistemas marinhos costeiros locais. Ela estudou o molusco antártico Laternula elliptica, um bivalve marinho (seres que se caracterizam pela presença de uma concha carbonatada formada por duas valvas) dominante em torno do continente. Sua pesquisa atual inclui estudos sobre os impactos do recuo das geleiras em comunidades bentônicas marinhas próximas à costa ao redor da estação.

Ahn In-Young. Foto: Wikipedia
Ahn in-young. Foto: wikipedia

Atualmente, a cientista trabalha como pesquisadora principal do Instituto de Pesquisa Polar da Coreia. Formou-se na Universidade Nacional de Seul em 1982 (especializando-se em Oceanografia Biológica) e tornou-se doutora em Oceanografia Costeira pela Universidade Estadual de Nova York em Stony Brook em 1990. Em julho de 1991, Ahn iniciou sua pesquisa no Instituto de Pesquisa Polar Coreano (KOPRI). Entre 1996 a 2011, foi encarregada do programa de monitoramento ambiental na estação sul-coreana e realizou pesquisas de campo para obter dados científicos necessários para a designação da Área Especialmente Protegida da Antártida.

A doutora também atuou como representante do Comitê de Proteção Ambiental (CEP) nas Reuniões Consultivas do Tratado da Antártida, de 1997 a 2014, até que foi designada como oficial encarregada do inverno. Serviu como vice-presidente do Instituto de Pesquisa Polar da Coreia (KOPRI) de maio de 2010 a junho de 2012, foi vice-presidente da Sociedade Coreana de Oceanografia de 2010-2011 e na Federação Coreana Feminina da Ciência e Tecnologia. Ahn ainda foi líder de expedição da 28ª equipe de invernagem (2015) da estação sul-coreana, servindo como chefe por cerca de um ano. Atualmente é professora adjunta da Universidade de Ciência e Tecnologia (UST) e uma das principais pesquisadoras do Instituto Polar Coreano (KOPRI), que faz parte do Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia Oceânica (KIOST).

Em 2011, o governo da Coreia do Sul concedeu-lhe a Medalha de Mérito de Ciência e Tecnologia por excelente desempenho na Pesquisa Antártica em abril de 2001. A pesquisadora ainda recebeu uma condecoração do Ministério do Meio Ambiente da Coreia do Sul, em junho de 2008, por sua contribuição na designação da Área Especialmente Protegida da Antártica (ASPA # 171). Em 2016, ela ainda recebeu o prêmio do Primeiro Ministro da Coreia do Sul em reconhecimento por sua conquista como líder na estação King Sejong.

A Estação Rei Sejong. Foto: Wikipedia
A estação rei sejong. Foto: wikipedia

As conquistas de In-Young Ahn estão além do âmbito pessoal. Elas fortalecem uma luta que vem de décadas, já que no passado, as mulheres foram impedidas, ou encontraram grande dificuldades de explorar o polo sul do planeta, necessitando contar com o apoio de colegas homens para seguirem com suas pesquisas.

Porém, atualmente este cenário vem mudando significativamente. Em entrevista à correspondente da TV ABC australiana Brietta Hague, em uma reportagem que visou saber mais sobre os casos de assédio sexual no continente antártico, Ahn salientou que hoje um terço de sua equipe de pesquisa é do sexo feminino. Contudo, no início dos anos 90, ela era a única mulher, cercada por 20, às vezes 40 cientistas do sexo masculino. “O mais difícil para mim foi dividir o banheiro com os homens“. Nos dias de hoje, há uma demanda forte para uma reestruturação das bases, no intuito de levar em conta as necessidades das mulheres, como ter banheiros separados. No entanto, a premiada pesquisadora diz que há um longo caminho a percorrer ainda nesta importante questão.


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