O BTS abriu o caminho. Agora mais esforços precisam ser feitos para superar as barreiras da língua.

O “The Tonight Show”, programa de auditório da NBC apresentado por Jimmy Fallon fez um esforço sem precedentes para a primeira apresentação do grupo BTS do seu mais novo single, “On”, no mês passado.

A produção do programa reservou a Estação Grand Central em Nova York, um dos terminais ferroviários e metroviários mais movimentados da cidade. A estação foi fechada para que as filmagens pudessem ocorrer de forma ultrassecreta.

Foi uma preparação que levou mais de dois meses só para cinco minutos de apresentação. Esse foi o maior projeto conjunto entre o BTS e um programa de TV americano, e também uma demonstração de como o K-pop está sendo acolhido no maior mercado pop mundial.

BTS com o apresentador Jimmy Fallon, na Grand Central Station em New York. Foto: News Monkey

Agora é fácil ver o K-pop aparecendo nos programas de TV mais importantes dos Estados Unidos como “The Ellen DeGeneres Show” “Good Morning America” e “Jimmy Kimmel ao vivo!” Mas foi só depois que o BTS abriu o caminho que os limites do do K-pop começaram a se expandir nos estados Unidos.

O BTS começou a divulgar nos Estados Unidos em 2017 em parceria com a distribuidora The Orchard (Sony Music). O grupo já estava ganhando muitos seguidores nas redes sociais, mas programas de TV eram o palco perfeito para aparecer para uma audiência mais ampla e um público diferente.

No passado, era difícil para um grupo de K-pop aparecer em um programa de TV dos Estados Unidos. Mesmo quando era feita um negociação, a equipe da emissora mantinha o comando de tudo. Mas depois do grande sucesso do BTS o jogo virou” disse William Koo, que trabalha na distribuidora The Orchard.

Suas apresentações poderosas e estilosas, acompanhadas de um coro expressivo de fãs a cantar suas músicas, realmente impressionaram promotores de eventos e diretores, que passaram a medir a comerciabilidade do BTS e outros artistas de K-pop.

Nos últimos anos, o BTS se tornou uma fixação constante nos programas de auditório dos EUA. O BTS foi o primeiro grupo de K-pop a se apresentar na famosa transmissão especial de ano novo Dick Clark’s New Year’s Rockin’ Eve em 2017. Em abril do ano passado eles foram os artistas convidados do desejado Saturday Night Life, um programa de auditório ao vivo conhecido por ser difícil até para artistas pop nacionais.

A divulgação do seu último trabalho “Map of the Soul: 7”, também foi acompanhada por numerosos compromissos de filmagem nos EUA. No dia do lançamento do álbum, em 21 de Fevereiro, BTS apareceu em dois programas de TV: “Today” e “MTV Fresh Out”. Apenas um dia depois da apresentação exclusiva no “Tonight Show”, transmitido em 24 de fevereiro, o grupo fez sua estréia no quadro “Carpool Karaoke” de James Corden.

O BTS criou um certo tipo de procura e aceitação do K-pop nas emissoras dos EUA. Agora a pergunta que fica é: “Quem virá depois do BTS?” Há uma versão feminina do BTS?” acrescenta Koo.

O grupo Super M no Ellen Show. Foto: vlive

Seguindo os passos do BTS, vários outros artistas K-pop começaram a inundar os programas de TV. Super M e NCT 127 por exemplo, fizeram uma parceria com a Capitol Records, subsidiária da Universal Music, e apareceram em programas como “Ellen”, “Today” e “Jimmy Kimmel Live”. O Blackpink, em parceria com a subsidiária da Universal Intercope Records, apareceu no “Good Morning America”.

Black Pink, no Good Morning America. Foto: Celeb Mafia

Com contrato assinado com a Epic Records, da Sony Music, o Monsta X já gravou para o “The Kelly Clarkson Show”. Itzy, um grupo iniciante da agência JYP Entertainment, se tornou o primeiro grupo feminino de K-pop a aparecer no “Good Day New York”, ao mesmo tempo que Stray Kids, outro grupo iniciante da JYP, também estreou em programas como “Live with Kelly and Ryan”.

Monsta X, no The Kelly Clarkson Show. Foto: Hello Kpop

A chamada ‘cota do K-pop’ está diminuindo” disse uma pessoa que trabalha nesse ramo pedindo anonimato. De acordo com essa pessoa, os programas de TV dos EUA tem um espaço limitado para artista de K-pop, em meio à recente onda de aparições na TV.

Só que essa ‘cota’ não está mais sendo posta em prática. Os diretores estão competindo entre si para trazer artistas populares aos seus programas. O K-pop está se tornando popular, comum”.

O programa “Today” da NBC por exemplo convidou dois artistas de K-pop dois dias seguidos. Monsta X apresentou sua música em inglês “You Can’t Hold My Heart” no dia 20 de fevereiro, e no dia seguinte, o BTS deu uma entrevista ao vivo para divulgar seu novo álbum.

As agências de K-pop, auxiliadas por parcerias com editores americanos, estão cada vez mais se expressando livremente nos programas dos Estados Unidos. Os produtores americanos também tem entendido melhor o K-pop.

Barreiras do Idioma

Apesar das aparições frequentes ainda existem as barreiras do idioma e da cultura para que artistas K-pop possam se inserir no mercado norte-americano.

Os talk shows americanos precisam entreter espectadores dentro de um espaço de tempo limitado, ao passo que as agências de K-pop tentam controlar questões sensíveis. Então os apresentadores normalmente fazem apenas perguntas simples e divertidas sem os tradutores.

O GOT7 no Today Show. Foto: Knetizen

Quando há muitos integrantes no grupo e a maioria deles não fala inglês fica difícil para os apresentadores abordarem assuntos profundos”. “Eles não tem muito tempo para isso” diz Lee Gyu-tag, professor de artes e ciência da George Mason University Korea.

Em muitos casos há um ou dois integrantes que falam inglês e que respondem as perguntas, o que dá poucas oportunidades aos outros integrantes de mostrarem suas qualidades.

Mas Lee ressalta que os artistas K-pop devem aproveitar ao máximo as oportunidades (duramente conquistadas) de divulgar seus próprios nomes nos shows – ainda que seja por um tempo muito curto – porque isso os ajuda muito a se vender para o público de forma geral.

Algo tão importante quanto saber Inglês é saber mostrar suas próprias características, porque assim o público americano pode vê-los como músicos diferenciados, e não apenas como mais um ídolo K-pop” acrescenta Lee.


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