Em Junho de 2019, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump é saudado pelo grupo EXO. Na ocasião, os fãs demonstraram ter sentimentos controversos em relação à atitude do grupo, que havia sido convidado diretamente pelo Presidente da Coreia, Moon Jae-In

Nos últimos anos, o K-pop se tornou muito mais do que apenas um gênero de música. Sua influência não foi provada apenas pelos gráficos da Billboard ou nos programas televisivos norte-americanos, mas também vem sendo mais presente no campo da diplomacia.

Recentemente, a sensação global BTS enfrentou uma agitação após o grupo receber um prêmio da Sociedade Coreana, que celebra laços entre a Coreia e os Estados Unidos. Em um discurso de agradecimento, o líder do septeto, RM, mencionou “dor histórica” em referência à Guerra das Coreias de 1950-1953.

Seus comentários aparentemente inocentes enfureceram milhões de usuários nas redes sociais chinesas, que os criticaram  por negligenciar os sacrifícios da China — que lutou lutou ao lado da Coreia do Norte na guerra.

O Global Times, dirigido pelo Estado Chinês, estava à frente das acusações ao grupo, enquanto os grande anunciantes como a Samsung Electronics e Hyundai Motors foram forçados a retirar os produtos temáticos e anúncios do BTS de seus sites chineses.

Até mesmo em Seul, a questão foi mencionada durante uma audição parlamentar em andamento, com os partidos do governo e os de oposição se colocando uns contra os outros.

Parece inevitável que o K-pop continue estando sujeito a situações diplomaticamente complicadas, especialmente se considerar a posição geográfica da Coreia do Sul e sua história complicada com países vizinhos. Entretanto, especialistas dizem que cultura política devem se manter separados.

BTS em seu discurso de premiação pelo Van Fleet Award. Foto: Reprodução/The Korea Society

”Quando se trata de questões diplomáticas ou históricas, conflitos são inevitáveis, até mesmo sem solução — isso porque são uma questão de perspectiva. Acredito que o BTS fez o que poderia ter feito, dada a situação, e aqueles que devem ser culpabilizados são os que tentam moldá-la com nacionalismo”, disse o crítico de cultura Jung Duk-hyun ao The Korea Herald.

“O mais importante agora é deixar a cultura desempenhar o seu maior propósito: possibilitar a comunicação entre as culturas e superar barreiras linguísticas e históricas”.

Lee Gyu-tg, professor na Universidade Coreana George Mason, prevê situações similares no futuro, conforme o K-pop aumenta sua presença globalmente.

Um grande número de grupos de K-pop estão recebendo integrantes estrangeiros para um apelo melhor nos mercados globais. O problema é que, algumas vezes, os artistas são escolhidos para representarem seus países de nascimento.

“Integrantes estrangeiros continuarão sendo pressionados a expressarem suporte para suas próprias nações nessas circunstâncias. Nós sabemos o que grandes grupos com integrantes japoneses ou chineses passam quando questões diplomáticas de longa data reaparecem”,  disse Lee. “O cenário histórico da Asia Oriental é muito mais complicada do que muitos fãs de k-pop podem imaginar”.

Então como esses artistas e suas agências devem agir nessas situações?

”A menos que sejam questões raciais, éticas ou de gênero, não acho que há necessidade de ficar inquieto pela polêmica em si. Acredito que seja melhor permitir que os grupos tenham liberdade de expressarem suas próprias opiniões e focarem em suas carreiras, ao invés de reagirem à algo que eles não podem regular”, disse.


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