Após o lançamento do hit “Gangnam Style”, que viria a definir sua carreira, PSY tinha grandes planos — ele iria se aposentar.

O cantor e rapper coreano não pensava em turnê mundial, em se mudar para os EUA ou assinar com um grande empresário do pop, mas o então jovem de 34 anos estava planejando iniciar um antigo sonho em sua carreira, o de “estabelecer a maior agência de entretenimento na Ásia”. Mas foi apenas agora em 2019 que PSY, com quase 20 anos no mercado e mais interessado do que nunca no K-pop, sente que pode finalmente ser a estrutura para a empresa que idealizou anos atrás.

PSY em evento de gala em Los Angeles. Foto: AP

No início deste ano, PSY usou as redes sociais para anunciar a criação da P NATION, uma nova agência e gravadora na qual atua como fundador e CEO. A empresa não irá apenas dar suporte à carreira artística do PSY, o qual irá lançar uma nova música em 2019, mas também traz artistas consolidados no K-pop como Jessi, HyunA, E’Dawn, e uma grande quantidade de novos talentos que estão sendo treinados.

Enquanto a maioria das agências são baseadas na luxuosa área de Gangnam, em Seul ― o mesmo nome usado no hit de PSY como homenagem ― a P NATION está temporariamente sediada no bairro de Itaewon, região conhecida por ser popular entre os turistas estrangeiros e por frequentemente ser visitada pelos militares da base dos EUA. A empresa irá se mudar no outono, mas por enquanto o ar internacional de Itaweon parece ser apropriado para a empresa em expansão, no qual PSY diz que irá basear as performances e o estilo hip-hop, buscando trazer grandes impactos nas tendências musicais.

“Como estamos falando, o K-pop é realmente enorme e não é mais nacional”, reflete PSY dentro de seu escritório no último andar, que ostenta não apenas sua mesa de trabalho e equipamento de gravação, mas também é um lembrete de suas realizações. No aconchegante apartamento completo com sofá, poltronas e varanda, PSY fala com calma e de pernas cruzadas, explicando seus planos para a P NATION em um espaço de trabalho que inclui várias estatuetas de premiações (seu MTV EMA, seu American Music Award), caras peças de arte (incluindo uma estátua do artista Sr. Brainwash, nascido na França, que ultrapassa sua varanda) e referências não tão sutis a si mesmo (como um travesseiro customizado com um desenho de gato imitando o seu famoso estilo “Gangnam Style”).

“Agora, várias crianças sonham em ser estrelas de K-pop”, ele diz. “Quando eu assino com jovens hoje em dia, acabo conhecendo seus pais e eles são muito diferentes dos meus. Eles dão apoio. O mundo está mudando: o K-pop tem feito um trabalho incrível ― e parabéns para o BTS, é claro ― eles são um dos motivos pelos quais os pais de hoje apoiam mais seus filhos a serem famosos no K-pop”

Filho único de uma família dona de um negócio de semi-condução, PSY (nascido como Park Jae-sang) lembra de entrar em conflito com seus pais no início de sua carreira (“Meu pai dizia: “Sério? Esse é o meu filho?’”) e precisar gerenciar a si mesmo como artista (cuidando de seus próprios negócios de 2003 a 2007), e então esse próximo passo é de certa forma um retorno para casa e também algo que ele aborda com um esperançoso sentido empresarial para ajudar artistas a se consolidarem num caminho que ele já atua há duas décadas.

PSY apresentando ‘Gangnam Style’. Foto: Chung Sung Jun/Getty Images

“Tentar ser diferente é realmente muito perigoso, eu penso, apenas quero me concentrar no fundamental ― a nossa prioridade é, claro, fazer boas músicas e fazer músicas voltadas para danças e vídeos excelentes”, diz ele sobre sua idealização. Ele centraliza isso em torno do objetivo de criar carreiras nas quais seus artistas tenham um sucesso duradouro semelhante aos concertos semi anuais, em estádios, que ele realiza na Coreia.

“Quando eu lancei a empresa, escrevi no Instagram que eu gostaria de compartilhar as coisas que aprendi. Entre essas coisas estava ter organizado eu mesmo os meus shows, por 19 anos. Eu penso em como fazer um show igualmente bom para Jessi, HyunA, E’Dawn, e para um boy group ou girl group (grupo masculino ou feminino). Se estamos falando do que a P NATION terá de especial, essa coisa será grandes shows e grandes performances”.

Nesta entrevista exclusiva, PSY compartilhou com a Billboard pela primeira vez seus planos para os artistas da P NATION, sua safra de novos talentos, quais são suas atuais inspirações e mais.

JESSI

Uma rapper Coreana-Americana, criada em New Jersey, Jessi tem mais de uma década na indústria de música coreana, com experiência como artista solo e com colaborações no hip-hop. Durante seu tempo na antiga empresa YMC Entertainment (uma empresa que lançou alguns cantores, bandas e atores coreanos), a fama de Jessi cresceu de reality shows televisivos e dos trabalhos solo que fez ― como seus single “Gucci”, de 2007, que tem mais de 15 milhões de viwes no YouTube. Jessi foi anunciada como a primeira a assinar com a P NATION quando PSY inicialmente revelou a companhia.

Seus primeiros passos na P NATION: Um grande sucesso comercial que não apenas mostre seus talentos como rapper, mas também suas habilidades cantando e dançando. “Ela tem muitos elementos urbanos e do hip-hop, mas ainda quero que ela desenvolva músicas pop mais comerciais”, disse PSY. “Claro que haverá alguns elementos do hip-hop ― todo pop tem hip-hop e hoje em dia hip-hop é pop ― mas eu quero que ela crie uma música pop. Eu estou convencendo ela a fazer alguns passos de dança porque ela é realmente uma boa dançarina ― muito boa!”.

Jessi e PSY. Foto: PSY/ Instagram

O futuro da Jessi: Músicas em inglês focadas no mercado norte-americano. “Embora na Coreia Jessi seja conhecida por muitos programas de TV, podemos ver em seu Instagram ou em suas atuações no exterior que ela tem uma base de fãs muito forte. Eu penso, ‘Ela tem tantas habilidades, se eu pudesse dar a ela uma música apropriada, esse seria meu primeiro e último trabalho’. É simples assim. Eu não terei que fazer nada, ela já tem tudo. Ela está pronta. Além disso ela faz raps em inglês muito bem. Não agora, mas num futuro próximo, eu estava pensando em também fazer algumas boas músicas em inglês”.

PSY sobre o conhecimento comercial de Jessi: “Ela está nessa indústria há muitos anos, ela é dos Estados Unidos e tem muitas ideias globais. De tempos em tempo, digo à ela ‘Ei Jess, você deveria trabalhar como A&R (Artistas e Repertório, responsável pela pesquisa de novos talentos e desenvolvimento artístico), eu quero te pagar’. As músicas que ela escuta e os vídeos que assiste, eles são realmente bons e ela os encontra quando tem apenas 1000 views no YouTube. Ela tem muitas ideias e bom gosto. Meu trabalho é escolher e reunir essas grandes ideias que a Jessi tem no melhor que elas possam vir a ser. Ela é uma ótima pessoa”.

HYUNA

Um dos rostos mais famosos do K-pop, HyunA passou pouco tempo como como integrante do grupo Wonder Girls, que debutou em 2007, antes de deixar sua marca nos palcos com seu grupo de longa data “4Minute” e como artista solo na empresa Cube Entertainment. A cantora e rapper co-estrelou o videoclipe de “Gangnam Style” de PSY, em 2012, levando sua carreira internacional a outro nível, e continua fazendo sucesso mesmo após o disband (separação) do 4Minute, em 2016.

Em 2018, Hyuna deixou a Cube após revelar um relacionamento com E’Dawn, um dos integrantes do grupo Pentagon da mesma empresa. Tanto ela quanto E’Dawn foram dispensados de suas obrigações, as decisões apenas foram reconsideradas pela empresa quando eventualmente ambos os artistas deixaram a Cube e mais tarde assinaram com a P NATION.

HyunA na P NATION. Foto: HyunA/ Instagram

Seus primeiros passos na P NATION: a estrela do K-pop está escrevendo músicas e PSY idealiza novas produções que foquem em seu forte estilo performático. “Nós estamos fazendo a coisa certa”, ele disse com humilde confiança. “Depois de ‘Gangnam Style’ nos tornamos amigos e se eu me junto com um amigo, tenho o hábito de pensar, “Como vou trabalhar com ele?’ Eu penso em vários projetos para a HyunA. Ela é uma ótima artista, excelente”.

Como ela ajudou E’Dawn: Hyuna e seu namorado E’Dawn assinaram contratos solo separados e foi apenas depois de se encontrar com o rapaz, que PSY considerou assinar com o antigo integrante da boy band. “Quando eu conheci E’Dawn pela primeira vez, eu não pensava em assinar um contrato, mas então eu escutei o que HyunA tinha a me dizer. Nós nos reunimos, conversamos, e então, quando eu falei com ele, pensei ‘Nossa, separadamente, ele é bom.’ Eles não são um time. Eles estão namorando, mas é só isso”.

Seu relacionamento competitivo: “Eu nunca vi um amor como esse”, PSY diz entre risadas. “Quando estamos saindo com alguém, nós saímos para lugares chiques, vamos a restaurantes. Mas esses dois? Eles dançam juntos, escrevem músicas juntos, e eles se completam. Isso é algo muito engraçado! Quero dizer, ‘Vocês dois são tão esquisitos’. E quando eles fazem uma boa música separadamente ― eles não compartilham ela um com o outro!. Eles me enviam músicas individualmente. Eles são muito competitivos. Eu os amo, amo o jeito que eles amam ― é muito criativo”.

E’DAWN

Após debutar no K-pop apenas em 2016, como integrante do Pentagon, E’Dawn ficou conhecido por ajudar a manter a identidade musical do grupo, co-escrevendo e co-produzindo diversos singles do grupo, incluindo o hit do debut “Shine”. E’Dawn se envolveu no conflito anteriormente citado quando começou a namorar HyunA e ambos saíram da companhia no final de 2018.

Seus primeiros passos na P NATION: Um hit focado em mostrar seu talento para tendências, hip-hop melódico. “Atualmente, muitos jovens artistas nos EUA estão fazendo melodias de rap ― é como o rap, mas com melodias e coisas do tipo. E’Dawn é muito bom nisso e eu sou um grande fã do que ele vem fazendo. Mas ele também está fazendo algumas músicas pop. Nós começamos com o pop primeiramente pela popularidade… Eu respeito muito o E’Dawn como um artista solo. Ele dança muito bem, ele faz um rap muito bem, ele canta muito bem, se veste muito bem e ele realmente sabe escrever música.”

HyunA, PSY e E’Dawn após assinarem contrato. Foto: PSY/ Instagram

Como ele se sente sobre o relacionamento de E’Dawn: PSY tem uma abordagem prática sobre o relacionamento que fez ambos serem demitidos de sua antiga gravadora. “Eles estavam apaixonados antes de me conhecerem, então…” ele se detém antes de rir e ficar sério novamente. “Essa é uma situação delicada. Eles são muito bonitos ― quero dizer, todos os Idols são muito bonitos. Eles são jovens, são tão talentosos e, você sabe, é a natureza humana. Se você é bonito, homens e mulheres talentosos, vocês inevitavelmente vão se sentir bem um com o outro.”

P NATION TRAINEES

A P NATION também é a casa de em torno de 20 trainees homens e mulheres que estão se preparando para debutar em um girl group ou boy band. Ainda não é claro qual virá primeiro, mas ele diz que como foi com Jessi, HyunA, E’Dawn e ele mesmo, o hip-hop será um componente principal na identidade desses futuros grupos.

A importância que ele coloca em si mesmo como CEO: “Como ser humano, eu tenho um sentimento forte sobre tocar a vida das pessoas”, ele diz ao observar o talento jovial de sua companhia. “Eu não quero deixar suas expectativas nem muito altas ou muito baixas. Eu tenho que tomar muito cuidado com minhas decisões porque elas não são decisões pequenas. Eu não digo nada para eles, porque eu não tenho nada a comentar no momento. Eles ainda tem muito o que aprender, mas eu vejo alguns bons artistas entre eles”.

Jessi, PSY, HyunA e E’Dawn. Foto: Allkpop

Sobre deixar seus artistas namorarem: “Eu vou dizer a todos eles que, se forem fazer alguma coisa, por favor apenas me falem primeiro”, ele explica diplomaticamente sobre sua política de namoros. “Se me falarem antes, então, talvez em alguns casos eu diga “Ei, eu acho melhor você focar no trabalho agora e talvez possa deixar o romance para mais tarde?” É mais por causa dos fãs. Eles estão conquistando alguns direitos, suporte e amor ao mesmo tempo que tem obrigações como artistas. Se os meus idols puderem continuar transmitindo que estão focados na música, se isso for possível, acredito que tudo flua melhor”.

E se um “escândalo do relacionamento” afetar a P NATION: “Eu não gosto da palavra ‘escândalo’, porque se um homem e uma mulher estão saindo, isso é apenas namoro. Não é um escândalo se eles falarem comigo. Pra mim um escândalo é quando você não sabe da existência… em todo o espaço e no universo inteiro, amor é algo poderoso. Alguém que seja mais velho ou CEO de uma companhia, pode dar alguns conselhos, mas se estiverem apaixonados, bem, eles têm que seguir em frente”.

PSY

A sensação viral e agora CEO diz estar criando um caminho para a aposentadoria, com planos de lançar ao menos mais dois álbuns completos.

Seu primeiro passo na PNATION: Terá pelo menos um single em 2019, mas ele não tem certeza se acompanhado de mais músicas. “Eu vou lançar uma nova música este ano”, ele explica. “O meu dilema é se será um single, um EP ou um álbum completo. Pessoalmente, eu prefiro um álbum completo. Mas antes de me aposentar, eu quero ter pelo menos 10 álbuns. O meu último [4X2=8, lançado em 2017] foi o meu oitavo, então ainda tenho mais dois pela frente! Então, se eu quiser completar a meta, terei que lançar álbuns completos. Mas atualmente, LPs são muito extensos. Se fizermos um álbum, pode haver um grande single, três ou quatro músicas que sejam populares e as outras seis ou sete músicas apenas se perdem, e eu sinto muito por isso”.

PSY e MC Hammer. Foto: Getty Images

O que ele vem lendo de comentários: “Quando eu revelei (as novidades) sobre a minha agência e meus artistas, muitos fãs de K-pop de todo o mundo deram muito suporte e estão me mostrando grandes expectativas e coisas do tipo, eu realmente aprecio isso”. Mas isso não significa que ele irá trazer todo artista para sua agência, e acrescenta “Eu apenas preciso de três ou quatro artistas para mostrar a vivacidade da nossa empresa e eu penso que isso é suficiente por hora”, enquanto descarta os rumores de estar planejando assinar com CL (ex- 2NE1) que colaborou com ele no hit “Daddy”.

O futuro de PSY: Ele está focado na consistência e na qualidade de seus lançamentos até que, eventualmente, decida se aposentar. “Ano que vem é o meu 20º aniversário de carreira. Quando eu debutei em 2000, primeiro as pessoas riram, depois elas estavam assistindo e no final elas estavam participando… Todo começo de janeiro, eu penso sobre anunciar a minha aposentadoria porque a palavra que eu mais gosto é ‘Adeus’. Não apenas ‘tchau’, mas ‘adeus’. Eu fiz a minhas aparições como um cantor muito feliz, cheio de energia e risonho. Eu quero terminar da mesma forma. Eu quero dar um ótimo ‘adeus’ eventualmente, e se eu quero dar adeus, então eu tenho que continuar sendo bom até eu dizer tchau. Esse é o meu objetivo ― é o único objetivo. Eu quero ser bom até dizer tchau.


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